Fernando
Eu tiro o chapéu da cabeça e passo a mão pelo cabelo já bagunçado pelo calor enquanto observo meu pai sentado no sofá da sala como se o mundo estivesse perfeitamente em paz. E talvez esteja. Menos dentro da minha cabeça.
— Eu estou falando sério, pai. Os porcos acabaram com uma parte da lavoura.
Ele toma um gole de café sem pressa alguma.
— E você tem certeza de que eram os porcos do vizinho?
Eu viro o rosto para ele imediatamente.
— Claro que tenho.
— Pode ser porco do mato.
—