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Capítulo 4: O Despertar da Estrategista

O despertar de Evelyn Moore foi como um mergulho súbito em águas congelantes. A dor de cabeça latejava em suas têmporas, um ritmo martelante que parecia acompanhar cada batida de seu coração acelerado. Quando abriu os olhos, a luz pálida da manhã de Nova York filtrava-se pelas cortinas de seda, revelando um teto adornado que ela não reconhecia. O toque da pele contra o lençol foi o primeiro sinal da realidade: o linho egípcio era macio e frio, uma textura que ela conhecia bem, mas que agora parecia queimar seu corpo dolorido.

Ela tentou se mover, mas cada músculo parecia protestar. As memórias da noite anterior voltaram em flashes violentos. O apartamento de Ethan. A chave reserva que ela ainda tinha. O silêncio do corredor sendo quebrado pelos gemidos de Maísa. A foto que ela tirou com as mãos trêmulas enquanto o mundo desabava. Depois, a boate, o gosto amargo do gin, e aquele copo de uísque que ela virou como se fosse veneno. E então, o calor. Um calor que não era deste mundo.

— Meu Deus, o que eu fui fazer... — ela sussurrou para o vazio, a voz rouca e falha.

Evelyn virou o rosto para o lado e sentiu o fôlego escapar. Ali, a poucos centímetros, estava um homem. Ele dormia profundamente, de costas para ela, revelando ombros largos e uma musculatura firme que subia até a nuca. O cabelo castanho claro estava desalinhado. Ele era um desconhecido. Um estranho cujos toques ela ainda sentia na pele, cujos beijos haviam sido sua única âncora em uma noite de naufrágio emocional. A vergonha a atingiu como um soco. Ela olhou para o chão e viu suas roupas jogadas de qualquer jeito ao lado de sua bolsa. Ali, espalhados pelo tapete, pareciam os restos mortais da dignidade que ela tanto prezara.

Em silêncio absoluto, Evelyn deslizou para fora da cama. Ela se vestiu com as mãos trêmulas, sem ousar fazer barulho. Ela precisava fugir. Precisava sair dali antes que aquele homem acordasse e a olhasse com o julgamento que ela já impunha a si mesma. Saiu de fininho, sem olhar para trás. No elevador do hotel, ela evitou o olhar de qualquer funcionário e, ao cruzar a porta giratória, sentiu o ar gelado de Manhattan bater em seu rosto.

Ela ligou o celular. O aparelho vibrou incessantemente. Ao chegar na mansão dos Moore, seus pais a esperavam com semblantes severos.

— O que você aprontou, Evelyn? Onde passou a noite? — seu pai perguntou.

— Dormi com a Cristina. Despedida de solteira, eu avisei — ela mentiu, a voz firme apesar do caos interno.

— Deveríamos ter ligado para ela — a mãe resmungou. — Mas agora não importa. Vá se arrumar rápido, o cabeleireiro está chegando e você vai se atrasar para o casamento.

Evelyn subiu as escadas e trancou a porta do quarto. Ligou para Cristina. Para a acobertar e explicou rapidamente a mentira. Cristina, a melhor amiga leal, apenas aceitou, sentindo o tom de urgência na voz de Evelyn.

Ao entrar no banheiro para o banho, Evelyn retirou a roupa e parou diante do espelho. O ar faltou. Seu corpo estava marcado; roxos sutis no pescoço e marcas de dedos nos quadris contavam a história da noite anterior. Ela fechou os olhos e, por um instante, lembranças de beijos e toques intensos vieram à tona.

— Que maravilha, Evelyn — ironizou para si mesma. — Perdeu a cabeça. Aquilo que você tanto negou ao Ethan, entregou para um desconhecido que nem sabe o nome. Parabéns. Mas até um desconhecido é melhor do que um traidor vil.

Ela vestiu o vestido de noiva como quem veste uma armadura de guerra. Quando Cristina chegou, Evelyn já estava pronta, o rosto esculpido em uma determinação gélida.

— O que você aprontou, Eve? Por que me fez mentir?

— Vai ser o casamento do século, amiga. Prepare-se — Evelyn disse, sentando-se ao computador e passando as fotos para um pen drive. — Vou fazer uma homenagem para o Ethan. Quando eu der o sinal, você solta as imagens no telão.

O caminho até a igreja foi um borrão. Seu pai falava sobre a felicidade de entregá-la ao "amor da vida dela". Evelyn forçava um sorriso que não chegava aos olhos. A igreja estava repleta: a elite de Nova York, advogados da firma de seu pai e os magnatas do ramo imobiliário da família de Ethan.

As portas se abriram. A marcha nupcial começou. No altar, Ethan Reynolds sorria, uma emoção forçada brilhando em seus olhos. Ao lado dele, Maísa Brooks exibia um sorriso vitorioso, ajeitando o cabelo com ares de quem já se sentia dona da situação.

Evelyn caminhou com elegância. Ao chegar ao altar, o pai a entregou com um beijo na testa. Ethan apertou a mão do sogro.

— Cuide dela, Ethan.

— Para sempre, senhor John.

Evelyn sentiu um nojo profundo. Ela estendeu a mão e pegou o microfone que estava com o mestre de cerimônias.

— Antes de começar, eu queria fazer uma homenagem ao meu noivo — a voz de Evelyn ecoou, fria e cortante. — Ethan Reynolds, o empresário de sucesso, o modelo de homem de família. Alguém em quem todos podem se espelhar para ter um lar sólido. Por isso, por favor, podem soltar a homenagem.

No telão, as imagens surgiram. Não eram fotos românticas de viagens. Eram as fotos que Evelyn tirou na noite anterior: Ethan e Maísa, em flagrante, no próprio apartamento de Ethan. A traição exposta para todos verem.

O silêncio na igreja foi substituído por arquejos de choque. Os convidados colocavam a mão na boca, incrédulos.

— Evelyn! O que é isso? Que montagem é essa? — Ethan gritou, pálido.

— Montagem, Ethan? — ela riu, um som sem alegria. — Sua despedida de solteiro foi bem proveitosa no seu apartamento, não foi? Acho que foi tão boa que vai durar até você pedir sua melhor amiga em casamento agora mesmo.

Ela se voltou para os convidados, a voz firme:

— A cerimônia acabou. Eu flagrei meu noivo com outra ontem à noite. Mas não vamos desperdiçar uma festa tão cara. É a minha festa de livramento! Vamos comemorar que estou livre de um traidor e de uma piranha. Me desculpe o termo, reverendo, mas a verdade é hostil.

Evelyn jogou o buquê no chão e pisou em cima dele. Saiu da igreja com a cabeça erguida, deixando o caos para trás. Cristina pegou o microfone logo em seguida:

— Não ouviram? Vamos comemorar o livramento! A festa continua!

Evelyn entrou no carro e partiu. Ela não sabia quem era o homem da noite anterior, mas sabia que, pela primeira vez, estava livre das mentiras que cercavam sua vida.

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