~ Carlos
Olhei para o relógio. Ainda eram 11 horas, mas esta manhã parecia ter-se prolongado por dias. O carro já estava parado em frente ao atelier e, durante alguns segundos, permaneci ali, com as mãos ainda no volante, como se o simples ato de sair implicasse aceitar tudo o que se tinha tornado real nas últimas horas.
A minha mente estava carregada das imagens que se recusavam a dissipar: as cartas espalhadas sobre a mesa, a caligrafia obsessiva e, sobretudo, a aliança antiga junto às flores