Capítulo 5

Na manhã seguinte, Isabela acordou com uma terrível dor de cabeça. Já fazia  anos desde que ela tivera um pesadelo, e Maison sempre conseguia despertar suas emoções com facilidade. Isabela pegou um comprimido de ibuprofeno da mesa de cabeceira e o engoliu a seco.

Ao sair do quarto, ela viu que Killian já estava de pé, vestindo seu uniforme escolar de estilo britânico e um avental, preparando o café da manhã. Ele preparou um sanduíche de bacon e abacate com pasta de gergelim preto. Isabela sorriu; Killian, como sempre, a compreendia.

Embora ela costume fazer trabalhos diversos na empresa, o setor de inteligência artificial está em ascensão, e seu chefe exerce muita pressão sobre ela, o que fez com que perdesse muito cabelo nos últimos anos. Durante a refeição, Isabela perguntou:

— Mamãe vai te levar para a escola hoje?

Killian comeu com elegância, engolindo a comida antes de perguntar:

— Aquele homem trapaceiro te causou problemas de novo?

Isabela sabia que ele se referia ao seu chefe, o diretor do departamento de P&D, cujo sobrenome era Carili. Killian conhece muito bem a situação da empresa e sabe que o Diretor Carili tem lhe causado dificuldades. Em certa ocasião, eles viram o diretor beijando uma mulher muito jovem que claramente não era sua esposa. A partir de então, Killian começou a se referir a ele como "o trapaceiro" e a qualquer colega infiel como "homem infiel".

Foi somente agora que Isabela teve uma ideia do motivo: como Killian já tinha visto a certidão de casamento no escritório, provavelmente sabia da indiferença de Maison nos últimos  anos. Em sua mente jovem, a única explicação era que Maison também era um "homem infiel".

Isabela não queria que o filho tivesse uma impressão tão negativa do pai, mas nada disso importava mais. Maison já tinha Catarina Viana ao seu lado, e não deve demorar para que ele peça o divórcio. Chegou a hora de deixar ir um amor não correspondido que durou anos.

— O diretor Carili não dificultou as coisas — explicou Isabela. — Mamãe ia buscar o "McQueen"  hoje de manhã, então tirou meio dia de folga.

Na verdade, ela tirou licença para ir ao Grupo Thorne devolver o dinheiro do conserto, mas não queria que a criança soubesse. Killian assentiu:

— Embora seja melhor usar o ônibus escolar do que não usar, ainda estou muito feliz que a mamãe possa me levar.

Isabela sentiu uma pontada de tristeza. Killian era independente desde pequeno; ele escolheu o próprio jardim de infância e pagou a própria mensalidade com seu trabalho. Às vezes, ela chorava de emoção ao ouvi-lo dizer que ela era uma mãe perfeita.

No caminho, Isabela não resistiu e lhe deu um beijo. Killian, no ônibus, limpou a bochecha com uma expressão séria:

— Mamãe, este é um lugar público, por favor, comporte-se.

Isabela deu uma risadinha. Killian nunca gostou de sentimentalismo, sendo o oposto dela, mas era quem ela mais amava.

Ao chegar ao portão da escola, Killian chamava a atenção de todos. Uma garotinha correu até eles e perguntou:

— Nossa, Killian, essa é sua irmã?

Isabela estava usando um vestido floral claro e parecia uma universitária. Mesmo sem dormir bem, sua pele era impecável.

— Ela é minha mãe — corrigiu Killian, sério.

— Tia, você é tão linda! — exclamou a menina.

Isabela percebeu o quanto seu filho era possessivo com ela ao notar como ele apertou sua mão com força diante da admiração da colega. Ela entregou um pacote de doces caseiros para ele compartilhar e seguiu para o Grupo Thorne.

No saguão, Isabela tentou entregar um envelope ao gabinete do presidente. Baseado na perícia, o dano do Porsche era de cerca de R$150.000.00 reais. Somando o seu próprio carro, o valor era inferior a R$200.000.00 Para evitar rastros bancários e problemas futuros, ela converteu o dinheiro em ouro — uma moeda forte e conveniente.

A recepcionista recusou o envelope pesado por segurança, sugerindo um agendamento. Isabela suspirou, querendo evitar Maison a todo custo. Foi quando viu Armando, o assistente de Maison que estivera presente no dia do casamento,  anos atrás.

Ele a reconheceu imediatamente:

— Senhorita Isabela.

Ela entregou o envelope pesado a ele, explicou a situação e saiu rapidamente. Armando ficou parado com o envelope que parecia uma "batata quente". Ele pensou que o retorno de Maison significaria uma reconciliação pública para elevar as ações da empresa, mas o comportamento de Isabela indicava o contrário.

Aquilo não era uma reconciliação; era o começo claro de um divórcio?

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