Mundo de ficçãoIniciar sessãoIsabela voltou para o prédio onde morava, pegou a chave para abrir a porta e, cansada demais até para tirar o casaco, desabou no sofá. Independentemente do que Maison pense, o mais importante agora é Killian. Ela teria que fazer o possível para manter a existência dele em segredo.
A casa estava impecável e cheirava a lavanda. Tia Angelina, uma senhora muito gentil que cuidava da organização do lar, já havia passado por lá. Ela era o anjo da guarda de Isabela, sempre deixando a casa brilhando e a geladeira abastecida com recipientes etiquetados com comidas caseiras deliciosas para facilitar o dia a dia da patroa.
A fechadura da porta clicou suavemente, e um menino de sete anos, notavelmente parecido com Isabela, saiu do escritório com um lápis atrás da orelha. Ao ver a pessoa estirada no sofá, ele disse, num tom impotente e arrastado:
— Mamãe, tire o casaco antes de subir no sofá. A Tia Angelina acabou de aspirar tudo.
Isabela deu uma risada sem graça:
— Tudo bem.
Esse nível de transtorno obsessivo-compulsivo era, definitivamente, uma herança do pai. Por isso, ela ficou tão surpresa ao saber que Maison iria dirigir; ele estava realmente disposto a entrar no carro dela. Vendo que Isabela continuava imóvel, Killian balançou a cabeça, aproximou-se e tirou o casaco dela.
— Mamãe, durante os primeiros dezoito anos da sua vida, você morou em um lixão?
Isabela ficou sem palavras.
— Sua mãe é apenas preguiçosa, não incapaz de cuidar de si mesma. Para ser precisa — acrescentou ela —, deveriam ser os primeiros vinte e dois anos, afinal, antes dos três anos de idade você era apenas um bebezinho para quem tudo era feito por mim.
Como seria de esperar de uma mãe com formação científica, ela tinha todo um repertório de argumentos quando falava sério. Killian admitiu prontamente a derrota:
— Devo ter sido enviado por Deus para te salvar.
E isso era a mais pura verdade. Após engravidar, Isabela só desejava que seu filho fosse saudável e feliz. No entanto, ela jamais imaginou que a criança não só seria capaz de se sustentar trabalhando como modelo mirim, mas que também a ajudaria.
O aroma da comida começou a se espalhar, mas desta vez vinha do micro-ondas e do fogão, onde Killian, com sua independência precoce, já estava organizando o jantar. Tia Angelina havia deixado um ensopado de carne e arroz prontos na geladeira. Killian, em cima de seu pequeno banquinho, manuseava as vasilhas com cuidado, esquentando tudo para a mãe. Isabela aproximou-se e encostou-se na parede, observando o filho ajudá-la, e perguntou timidamente:
— Meu bem, o que você pensaria se seu pai de verdade aparecesse um dia?
O rosto pequeno de Killian permaneceu frio.
— Maison Thorne apareceu hoje?
Isabela quase se engasgou com a própria saliva. Primeiro, ficou chocada com a precisão do palpite dele; segundo, ficou chocada por Killian saber o nome de Maison, já que ela nunca o havia mencionado na frente da criança.
— Como você sabia?
Killian franziu os lábios:
— Mamãe, a certidão de casamento que você guarda no escritório está bem lacrada. E a manchete do jornal local de hoje traz a foto de Maison.
Isabela ficou impressionada, mas tentou corrigi-lo:
— Não é um pouco inapropriado chamar alguém pelo nome completo?
— Se você não o reconhecer — retrucou Killian —, ele não passa de uma pessoa irrelevante.
Isabela sentiu-se aliviada, acariciou o rostinho dele e o beijou várias vezes.
— Meu bebê, a mamãe te ama.
— Está quase me afogando na sua saliva — reclamou ele, limpando o rosto com fingido desgosto enquanto servia o prato que a Tia Angelina havia preparado com tanto carinho.
Isabela soltou um risinho, e a tristeza em seu coração desapareceu. Assim que a comida foi servida, ela começou a comer com gosto. A comida da Tia Angelina sempre tinha um sabor de conforto.
— Como foi o jardim de infância hoje?
— Por favor, confie nas habilidades do seu filho — respondeu ele, como de costume.
E como ela não confiaria? Killian era um dos principais modelos infantis do país, com uma boa renda. Com essa renda e sua aparência impecável, ele havia garantido uma vaga em um jardim de infância de prestígio e se tornado o aluno mais popular logo no primeiro dia.
— Mamãe quis dizer que podemos compartilhar tanto as coisas felizes quanto as tristes — explicou Isabela.
— E você? — perguntou o menino.
Antes que ela pudesse responder, Killian empurrou um cartão bancário na direção dela.
— "McQueen" está ferido?
McQueen era o nome do carro elétrico. Isabela percebeu que Killian devia ter visto a batida pela janela. Nada escapava aos olhos dele.
— Mamãe dá conta do recado.
— Por que depender de um homem quando você pode depender do seu filho? — rebateu Killian, mantendo a calma.
Isabela aceitou o cartão, mas com uma condição:
— Certo, mas fica combinado que este dinheiro é um empréstimo.
— Hum — respondeu ele casualmente, com seu rosto delicado iluminado pela luz da cozinha.
De volta ao quarto, Isabela ficou pensativa. Maison já sabia seu endereço. Se ele visse Killian, ela não conseguiria esconder a verdade, pois os dois eram muito parecidos. Felizmente, o hospital onde deu à luz estava sob o controle da família Thorne. Sua melhor amiga, Natasha, poderia ajudar.
O telefone tocou; era justamente Natasha:
— Isabela, você ficou chateada com aquele idiota no aeroporto hoje?
Foi Natasha quem deu a notícia do retorno de Maison. O noivo dela, Rodolfo, era amigo de infância dele. Natasha estava furiosa por Catarina Viana ter voltado junto com ele.
— Não vamos falar dele hoje — disse Isabela. — Natasha, você consegue alterar os registros médicos? Poderia mudar o diagnóstico de parto a termo para parto prematuro?
Se a cronologia não batesse, Maison jamais desconfiaria que Killian era seu filho.
— Como eu não pensei nisso! — exclamou Natasha. — Não se preocupe, é muito simples.
Isabela suspirou aliviada.
— Ótimo, eu te convido para jantar outro dia.
— Prefiro "sequestrar" o Killian do que jantar — brincou Natasha. — Que tal levá-lo para fotografar a nova coleção da minha marca de roupas infantis na semana que vem? Será pago.
Isabela sorriu:
— Vou perguntar a ele. Você é a madrinha, ele faria até de graça, mas já que vai pagar..







