Capítulo 11

Já era noite quando retornaram para casa. Albert sorria enquanto a água do chuveiro descia sobre o seu corpo lembrando das imagens preciosas daquele dia, quanto mais tempo passava com aquelas crianças mais os queria para si. Quando lancharam, Nicolas disse algo que o tocou no peito.

ALGUMAS HORAS ATRÁS...

— Papai me chamava assim. — Falou o menino

— Assim como? — Perguntou Sophie.

— Campeão, gosto quando me chama assim tio Albert é como se... — O menino se calou receoso.

— Como se, o que? — Insistiu Albert.

O menino olhou para a tia com certa preocupação, desviou o olhar os dizer:

— Como se meu pai estivesse falando comigo... Eu sinto...sinto...sinto muita falta dele. — Nicolas começou a chorar e Eliza o acompanhou abraçando a tia, que parecia estar desolada e muita aflita, os olhos inundados de lágrimas. Albert segurou a mão de Nicolas, eram tão pequeninas nas mãos dele.

— O meu pai também — O menino olhou para ele contendo os soluços, Albert prosseguiu — Meu pai o seu avô me chamava dessa forma e eu chamava o seu pai assim ele sempre foi o meu campeão preferido. — Os olhos dele vagaram por um instante — Sinto falta dele também — Albert jurava ter sentido vontade de chorar publicamente, mas, conteve-se, ao invés limpou as lágrimas do sobrinho — Mas, eu sei que ele não iria querer ver o campeão preferido dele chorar assim. Nicolas olhou de sobressalto para o tio.

— Eu sou o campeão preferido de papai? — Albert esboçou um sorriso terno.

— Por que mais ele o chamaria assim? — Os olhos do menino se inundaram de alegria e algo pareceu derreter dentro do peito dele, era uma emoção nova e curiosa. Desligou o chuveiro. Precisava convencê-la. arrumou-se rapidamente. Não resistiu a vontade de beijar a testa das crianças, mas, por certo de que elas não dormiam em seus devidos quartos, sorriu.

...

Uma batida na porta, outra batida e mais uma, Sophie decidiu ignorar, estava devastadoramente cansada. Não ignorava propositalmente, seu cérebro só recusava domar o corpo. Ela sobressaltou assustada quando aquela mão a tocou, despertando-a. Larsen! O que ele fazia no quarto?

— Sophie.

— O que? — Ela se sentou sonolenta, as crianças ainda dormiam, por sorte.

— Venha, vamos conversar. — Ele disse se afastando da cama.

Ela se levantou vagarosamente, irritada por ter sido acordada e irritada por ele ter simplesmente entrado no quarto, o fuzilou com o olhar respirando fundo, saíram juntos.

— A casa pode ser sua, mas isso não lhe dá o direito de inva...— Ele a silenciou com um dedo.

— Agora não, vamos conversar. — Ele segurou em uma das mãos dela e a levou para seu escritório, caminharam em silêncio, ela estava cansada e com sono demais para discordar. O pé descalço contribuía para o aumento do frio que subia por suas pernas, mesmo com o aquecedor ligado em toda a casa, aquela era uma noite gélida resultante de um dia frio apesar de caloroso em suas lembranças. Ela estava impaciente outra vez, mais desperta, sentou-se na poltrona acolchoada.

— O que quer, Albert?

— Casar. — Falou sem rodeio sentado à beira da mesa.

— Outra vez isso? Não.

— Sophie, o motivo de recusar meu pedido é por causa do Henrique? aquele seu namorado? — Perguntou com certo desprezo. Ela o olhou desconcertada.

— O que sabe sobre... como soube?

— Nicolas me contou. — Respondeu indiferente. Ela revirou os olhos.

— Eu não tenho um namorado, não mais, mas essa não é a questão.

— Se a recusa não é por causa de outro homem então não há nada que a prive de se casar comigo, acredito que seja o melhor a fazer.

Ela se levantou.

— Não, não vejo o menor sentido num casamento falso! Acorde Albert, não estamos num livro romântico, isso daqui é a vida real e casamento não é brincadeira, mas, sim uma instituição sagrada vitalícia!

— E quando foi que propus algo falso? Eu pedi que se case comigo, casar-se de verdade, não pedi que assinasse contrato de casamento de fachada, pedi? Eu não seria tão infantil — Não, ele de fato não havia dito nada a respeito, o que era ainda mais assustador.

— Você é louco! Eu já lhe disse antes que você não dispõe do que busco num homem e... — Albert segurou-a pela cintura e a puxou para perto com intensidade. Quando falou novamente sua voz estava tão forte quanto uma tempestade sombria ao mesmo tempo rouca e baixa como as fortes brisas de outono.

— Olhe para mim, Sophie, o motivo de eu querer desposá-la é pelo bem-estar de nossos sobrinhos podemos criá-los juntos. — Ela ficou reclinada sobre ele, o abraço se tornou mais apertado enquanto Albert falava, por que ela não se moveu? Por que era tão difícil respirar? — Eles precisam de uma figura paterna, precisam de mim, e eu posso lhes prover a vida que eles merecem, pense. — Uma das mãos dele deslizou nas costas dela até alcançar uma mecha de cabelo, ele a colocou atrás da orelha dela pousando a mão na nuca. Como podia pensar em alguma coisa? — E estou certo de que podemos conviver em perfeita harmonia pelo bem de nossas crianças. — Ela entreabriu os lábios, mas, as palavras simplesmente se recusavam a sair. Que tola parecia! Era impressão ou ele aproximava o rosto do dela...? Albert a beijou! capturou os lábios de Sophie aos dele e a beijou delicada, sensual, e ardentemente, quanto a ela...retribuiu! retribuiu por um segundo aquela carícia indevida, sútil, mas fervorosa, até cair em si e se afastar. Aquilo era insanidade total, estava a tanto tempo sem beijar um homem? Ora! isso não seria desculpa, sempre fez o estilo puritana, jamais foi indecente.

Bateu no rosto dele involuntariamente. Saiu do escritório com o coração disparado, Albert por outro lado sorria apesar da ardência no lado direito de sua face.

Voltar a dormir, foi uma dificuldade extrema! Não apenas porque não parava de pensar no beijo, sua mente não lhe deixava em paz. Ela devia se casar com aquele homem? Devia dar a chance de criar seus sobrinhos juntamente com ele? O que devia fazer? De fato, Albert proporcionaria uma vida abastada em que eles não passariam dificuldades financeiras, mas, esse seria o único caminho? Ela não precisa casar-se com ele para que possam criá-los juntos, precisa? "E acredito que possamos viver em perfeita harmonia" Lembrar disso e do beijo a deixou com muito, muito calor.

O que era ridículo. Pior! ainda sentia os lábios dele nos dela...mordiscou. Sacudiu a cabeça e decidiu tomar um banho.

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