Mundo de ficçãoIniciar sessãoELROY
— O arquivo do projeto acabou de chegar — anunciou Carter enquanto me entregava a pasta. — Você vai trabalhar em conjunto com a Judy Devon, a Tai Lee Dun e a Yvonne Deere. O projeto será concluído em quatro meses. É um projeto enorme — disse Carter, sorrindo. Revirei os olhos. — Eu sei, meu único problema é o porquê de a Yvonne Deere estar envolvida. A Sparks é muito melhor do que aquela indústria estúpida. — Mas você tem que fazer o que tem que fazer pelos negócios... A Sparks continua sendo superior de qualquer maneira, não vejo por que você está preocupado — disse Carter. Eu não estava preocupado, só não queria que a Yvonne participasse da parceria conjunta. A parceria era realizada a cada dois anos e eu sempre obtinha o maior volume de vendas, classificações e novos clientes. Essa parceria era extremamente importante para mim e para outros setores do mundo todo. — Tanto faz. Até onde os designers chegaram? Conseguiram alguma coisa diferente? — Sim, eles já estão na metade do caminho — respondeu Carter. — Metade do caminho? Isso não é suficiente. — É melhor não pressionar em relação a essa questão. Se você quer vencer a parceria deste ano, precisa deixá-los fazer o trabalho deles — disse Carter. — OK. — E... talvez você devesse pedir ajuda à Ariana — sugeriu Carter. Ele tinha razão. Ariana não era apenas uma modelo, ela também tinha ideias diferentes para todos os tipos de coleção, e esse era um dos motivos pelos quais eu não queria que ela trabalhasse com a Yvonne. Ela poderia ser boazinha demais a ponto de oferecer suas ideias de graça. Ariana era assim. As ideias dela eram realmente incríveis, eram diferentes... Mas eu jamais diria isso a ela, nem jamais pediria sua ajuda... Isso nunca aconteceu e jamais acontecerá. Elroy Chesterfield nunca pede ajuda. — Por que você sugeriu isso? — perguntei a Carter. — Bem, porque ela é boa. E você sabe disso. — Ela é amadora — menti. — Certo. Só você mesmo para dizer isso... Qual é o problema? É só para negócios, certo? Se você quer ter um bom volume de vendas este ano, então precisa parar de mostrar às pessoas o seu pior lado você. — Carter sorriu. — Estarei lá fora se precisar de mim. — Ele saiu do meu escritório. Recostando-me na cadeira, suspirei. Carter estava certo mais uma vez, mas eu não estava pronto para seguir seu conselho. Nunca precisei de ajuda e nunca precisarei. [...] Entrei na mansão cansado e exausto. Estava prestes a subir as escadas quando Ariana esbarrou em mim. De propósito. — Ah, você voltou... E parece cansado — disse ela, me encarando antes de tentar tirar minha gravata. Recuei imediatamente. Meus olhos percorreram sua aparência sem querer. Ela vestia um vestido preto de couro justíssimo... que ia até o meio da coxa, exibindo curvas que fariam qualquer homem perder a cabeça. Seu cabelo estava penteado de forma diferente, os cachos ondulados de costume haviam desaparecido, agora estava liso e comprido. — Aonde você vai? — A pergunta escapou da minha boca antes que eu pudesse controlar as palavras. — Ah... na verdade eu acabei de chegar — ela olhou para si mesma. — Lucas me convidou para jantar na casa da família dele... Ele me deixou aqui não faz muito tempo. — Você saiu num encontro com o Lucas? — perguntei, incrédulo. — Não foi um encontro romântico. Estávamos com a família dele, foi divertido... Ele também tem uma irmãzinha, Stacy... ela é bastante obcecada por você. — Ela sorriu. — Por que você não me disse que ia sair? — Você não estava por perto, Elroy. — Existe um motivo para você ter um celular — afirmei, ficando irritado. — Elroy, era apenas um jantar em família. Por que você está agindo como se fosse um grande problema? — Um jantar em família? E você vestida como uma stripper? Que situação estranha — falei, antes de pensar direito. — Como você se atreve? O que há de errado com você? Não é como se você estivesse preocupado ou com ciúmes disso... Ou será que está? — Eu não estou! Estou preocupado com o que vai ser publicado no jornal de amanhã! Você saiu com o Lucas, vestida como uma estrela pornô! O que você acha que as pessoas vão pensar? — gritei. Ela cerrou os dentes. — Não fale comigo desse jeito, Elroy... Não é justo, e não deve dizer isso para uma mulher! Uma mulher que é sua namorada! — ela gritou de volta. Meus olhos vagaram ao redor e encontrei alguns funcionários olhando em nossa direção. Segurei o pulso de Ariana. — Vamos — ordenei, puxando-a comigo escada acima. Quando chegamos ao nosso quarto, tranquei a porta. Olhei para trás e vi lágrimas escorrendo por suas bochechas. — Ok, por que você está chorando agora? — Você me chamou de estrela pornô, Elroy... Você não tem o direito... Isso não é legal. Eu não gosto. — E daí? Eu deveria me desculpar? — A incredulidade transbordou na minha pergunta. — Sim, você deveria! — disse ela com os dentes cerrados. — Não — afirmei. — Não deveria. E sabe por quê? Porque estou certo... Você deveria pedir minha permissão antes mesmo de pensar em fazer qualquer coisa. — Por quê? Porque você tem o título de meu namorado? — Sim. E porque você não pode simplesmente sair para jantar com pessoas que trabalham para mim. Eu não permito. Você é minha namorada, eu é que deveria te levar para jantar, para encontros e coisas do tipo, não um funcionário meu. — Ah, é mesmo? Talvez se você começasse a assumir suas responsabilidades como namorado, eu parasse de sair para jantar com seu funcionário. Permaneci em silêncio após suas palavras. — Você não me trata como uma namorada, Elroy! Você não se esforça nesse relacionamento. Você não faz nada para mostrar que, ao menos, se importa comigo. — Bem, talvez seja porque não me importo. Não dou a mínima para você. — Então está decidido... Você não precisa se preocupar com o fato de eu sair com seus funcionários — concluiu, tentando se afastar de mim, mas segurei seu braço e a puxei para me encarar. — Talvez eu não me importe com você, mas me importo com as consequências dos seus erros! Minha avó ficaria arrasada se descobrisse seu casozinho com o Lucas. Ela se desvencilhou do meu aperto. — Eu te odeio — falou entredentes, caminhando em direção ao closet. — O sentimento é recíproco.






