Capítulo 04

Giulia

Os dias continuavam passando e, por mais que eu tentasse, era impossível fugir do assunto casamento.

Tudo, absolutamente tudo, girava em torno disso.

Flores.

Vestidos.

Convites.

Música.

Comida.

Decoração.

Parecia que a casa inteira tinha sido tomada por esse único tema. Mamãe passava horas com catálogos espalhados pela mesa da sala, enquanto Georgina opinava sobre absolutamente tudo como se o casamento fosse dela.

Danilo, por outro lado, não parecia se importar com nada disso.

Então por que eu precisava?

— Giulia, esse será seu único casamento. Tem certeza de que não quer escolher nada? — perguntou Georgina, sentada no chão do meu quarto, cercada por revistas de decoração.

Revirei os olhos.

Mas ela tinha razão.

Talvez aquele realmente fosse meu único casamento.

Não fazia ideia se algum dia me casaria por amor. Na verdade, nem sabia se isso ainda era possível para mim depois de tudo que tinha acontecido com Marco.

Então talvez eu devesse, pelo menos, deixar alguma coisa com a minha cara.

Mamãe já havia reservado o salão de um dos melhores hotéis da cidade. Eu sabia que ela cuidaria de tudo com perfeição, mas mesmo assim decidi que escolheria algumas coisas.

A decoração.

E a comida.

E pela primeira vez desde o anúncio do noivado, pensei em falar diretamente com Danilo para saber se ele tinha alguma preferência.

No fim das contas, ele também era o noivo.

Desci até o escritório de papai, que estava sentado atrás da mesa analisando alguns documentos.

— Papai, preciso do telefone do Danilo — falei.

Ele levantou os olhos lentamente.

— Para quê?

Suspirei.

— Como assim para quê, papai? Vamos nos casar. Preciso resolver algumas coisas com ele sobre a comida do casamento.

Ele abriu uma pequena agenda sobre a mesa, folheou algumas páginas e depois arrancou um pedaço de papel.

— Aqui — disse, estendendo para mim. — Esse é o número dele.

Peguei o papel.

Quando levantei os olhos novamente, percebi que ele estava me observando com um pequeno sorriso no canto da boca.

— Por que está me olhando assim? — perguntei.

— Nada… — respondeu. — Só achei que você não estava interessada.

Bufei.

— Papai, você sabe que eu não estou. Mas não tenho como fugir disso, tenho?

Ele ficou sério imediatamente.

— Não, Giulia. Não tem.

Houve um pequeno silêncio entre nós.

Então ele continuou, com a voz firme:

— Mas sinceramente… acho que Danilo pode ser um bom marido para você.

Eu não respondi.

Papai se inclinou um pouco para frente na cadeira.

— E se ele fizer qualquer coisa — qualquer coisa — para te machucar… — disse lentamente — podemos começar uma guerra por isso.

Sabia que ele não estava exagerando.

Meu pai podia ser um homem carinhoso dentro de casa, mas lá fora era conhecido por ser implacável.

Sorri de leve.

— Ai, papai… eu realmente espero que dê certo.

Saí do escritório antes que a conversa ficasse ainda mais séria.

Voltei para o meu quarto com o pedaço de papel nas mãos.

O número de Danilo.

Fiquei alguns minutos apenas olhando para os números, como se aquilo fosse algo muito mais complicado do que realmente era.

Então peguei meu celular.

Registrei o contato.

Fiquei pensando se deveria ligar, mas não tinha certeza se ele atenderia. Danilo parecia o tipo de homem ocupado demais para perder tempo com conversas sobre flores e buffets.

Então decidi mandar apenas uma mensagem.

Digitei devagar.

Boa tarde, Danilo. Aqui é a Giulia. Salva meu número, por favor. Preciso falar com você sobre algumas questões do casamento. Assim que puder, me retorne.

Li a mensagem duas vezes antes de enviar.

Quando finalmente apertei o botão, senti um pequeno aperto no estômago.

Agora era só esperar.

Fiquei olhando para o celular por alguns minutos depois de enviar a mensagem.

Nada.

A tela continuava exatamente do mesmo jeito.

Suspirei e coloquei o aparelho sobre a cama, tentando agir como se não me importasse. Afinal, eu mesma não queria aquele casamento, então não fazia sentido ficar ansiosa esperando uma resposta dele.

Mesmo assim… eu olhei para o celular de novo alguns minutos depois.

Ainda nada.

Passei o resto da tarde tentando me distrair com qualquer coisa. Ajudei mamãe a escolher alguns arranjos de flores, ouvi Georgina falar durante meia hora sobre como o vestido dela precisava ser perfeito e até tentei estudar um pouco.

Mas a verdade era que, de tempos em tempos, eu pegava o celular.

E nada.

Quando a noite chegou, já estava irritada.

Ele nem sequer tinha visualizado a mensagem.

Será que estava ocupado?

Ou simplesmente decidiu ignorar?

No dia seguinte, acordei e a primeira coisa que fiz foi olhar o celular.

Nenhuma resposta.

Nenhuma ligação.

Nada.

Respirei fundo, sentindo a irritação crescer dentro de mim.

Então joguei o celular sobre a cama.

— Idiota — murmurei.

Danilo

A data do casamento se aproximava cada vez mais.

Depois do noivado, eu não tinha voltado a ver Giulia. Não que isso me incomodasse. Na verdade, tornava as coisas mais simples.

Meu pai, por outro lado, parecia determinado a me lembrar todos os dias que eu estava prestes a me casar.

Falava sobre o terno.

Sobre a casa onde eu e Giulia moraríamos.

Sobre a lista de convidados.

Sobre coisas que, sinceramente, eu não tinha o menor interesse em discutir.

Estávamos na sala quando Paolo decidiu abrir a boca, como sempre fazia quando queria me irritar.

— Você precisa marcar sua tarde de beleza para o dia do casamento — disse ele, com aquele sorriso insuportável no rosto.

Olhei para ele sem paciência.

— Cala a boca. Eu já tenho tudo o que preciso em casa.

Ele soltou uma risada curta.

— Cara, você vai se casar com uma mulher linda. Não dá para aparecer na cerimônia com essa camiseta preta de sempre.

Cruzei os braços.

— Eu já tenho um terno.

Ele ergueu uma sobrancelha, claramente se divertindo.

Então decidi provocá-lo de volta.

— E então… você acha minha noiva linda?

Paolo não hesitou nem um segundo.

— Claro que acho. Aqueles olhos castanhos, aqueles cabelos… só se eu fosse cego para não achar.

Ele inclinou a cabeça de lado, observando minha reação.

— Está com ciúmes por acaso?

Soltei um pequeno riso sem humor.

— Claro que não.

Fiz uma pausa antes de completar:

— Mas ela é bonita mesmo.

E era verdade.

Giulia era, de fato, muito bonita.

Naquela noite cheguei em casa já passava da uma da manhã.

O dia tinha sido longo e eu não tinha energia para pensar em absolutamente nada relacionado ao casamento.

Tomei um banho rápido, troquei de roupa e me joguei na cama.

Peguei o celular, mais por hábito do que por interesse, passando os olhos por algumas notificações.

Até que uma mensagem chamou minha atenção.

Era de Giulia.

Boa tarde Danilo, aqui é a Giulia. Salva meu número por favor. Preciso falar com você sobre algumas questões do casamento. Assim que puder me retorne.

Fiquei olhando para a tela por alguns segundos.

Questões do casamento.

Claro.

Era exatamente o que eu imaginava que aconteceria.

Flores e mais flores…

Mil detalhes desnecessários.

Suspirei.

Por mim, iríamos apenas ao cartório, assinaríamos os papéis e tudo estaria resolvido.

Mas obviamente aquilo não seria suficiente para as famílias.

Nem me dei ao trabalho de responder.

Bloqueei a tela do celular e o deixei sobre a mesa de cabeceira..

Se ela queria falar sobre flores e toalhas de mesa, aquilo podia esperar.

Virei para o lado na cama e fechei os olhos.

Em poucos minutos, eu já estava dormindo.

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