Mundo de ficçãoIniciar sessãoUm convite ao encorajamento feminino e à superação. Paraguaia e no Brasil, Rose Blanc conta como se tornou uma mãe corajosa ao morar em país estrangeiro e enfrentar uma batalha judicial contra a sogra pela guarda de seu filho. Sem travas e de maneira transparente, a autora oferece lições valiosas sobre relacionamentos abusivos, resiliência, autoestima e superação para mulheres que, em relacionamentos tóxicos, são vítimas de manipulação, ameaças e críticas constantes. Além disso, ao trabalhar temas como narcisismo, depressão, alienação parental e outros distúrbios da mente, a autora entrega um espaço de conhecimento e apoio a quem enfrentam a corajosa jornada do cuidado com a saúde mental, seja própria, de familiares ou de quem está por perto. Este livro inspirador é um verdadeiro exemplo de como, na fronteira perigosa entre o saudável e o tóxico, é preciso deixar claro nossos limites.
Ler maisParte 1 – Infância, raízes e formação
Nasci a 100 km da fronteira do Paraguai com o Brasil, no estado de Concepción, como a segunda filha de uma família de sete irmãos. Quando meu pai se casou com minha mãe, ele era viúvo e já tinha dois filhos, que foram criados pela minha avó paterna até se tornarem adolescentes.
O casamento da senhora Soledad e do senhor Rubén foi marcado por altos e baixos, mas minha mãe nunca deixou transparecer sequer um resquício de infelicidade para os filhos. Porém, sendo mais velha que a maioria dos meus irmãos, eu notava o relacionamento conturbado que viviam, demonstrado em brigas e discussões.
A todo tempo ela se esforçou para ser um exemplo de mulher forte para os filhos. A verdade é que minha mãe queria nos fazer valentes para não vivermos as mesmas páginas da história dela, porém, algumas coisas — ou a maioria delas — são incontroláveis na vida. Brinco que herdei o carma da senhora Soledad, pois ela teve muitos problemas com a sogra, e eu também vivi inúmeros deles com a mãe do meu — agora — ex-marido.
Só adulta passei a entender o que se passava dentro de casa. Minha avó paterna não aceitava minha mãe, criticava-a muito e, para que os filhos não se frustrassem com a avó, a senhora Soledad não deixava que meus irmãos e eu soubéssemos disso.
O que ela ensinou às quatro filhas mulheres, desde pequenininha, é que nunca deveríamos deixar um homem nos maltratar. “Vocês precisam estudar para não depender de ninguém”, dizia. Depois de adulta eu entendi que ela dependia financeiramente do meu pai e, mesmo que quisesse se separar por conta da infidelidade dele, não conseguiria.
Apesar de nunca ter cursado faculdade ou até mesmo concluído o ensino básico, havia sabedoria em tudo que ela dizia. “Fazemos de nós o que queremos. Se você se respeitar, tenha certeza que as pessoas também vão respeitar você”, costumava nos aconselhar. Os ensinamentos dela criaram filhas com caráter forte, de posicionamento, que não aceitam ser humilhadas. Eu guardei suas palavras, e isso me tornou uma mulher firme e independente.
Soledad não era uma mãe que dava sermões, ao contrário, presenteava os filhos com liberdade. Se eu quisesse ter seguido por caminhos tortuosos, teria conseguido, porque ela nunca vestiu a capa de mulher controladora, apesar de estabelecer limites. Entretanto, o que nunca nos faltou foram conselhos sobre ética, humildade e empatia — o que na época nem sabíamos que tinha nome para “escutar as pessoas e tratá-las da maneira que gostaríamos de ser tratados”.
Acredito que ela tenha aprendido muito com meu avô, que infelizmente morreu há alguns anos. Ele sempre nos ensinava a não nos engrandecer perante os outros. “Não critique ninguém. Você nunca sabe onde aperta o sapato de alguém se não andar ao menos cinco quilômetros com ele”, aconselhava.
Nos anos 80, a maior parte da população andava a pé, a cavalo ou usava carroça onde eu morava, uma cidade bem simples do interior do Paraguai, com 4 mil ou 5 mil habitantes naquele tempo. Sempre que viajantes passavam em frente de casa e paravam para pedir um copo de água, meus pais os serviam. Muitas vezes, se era perto do horário de almoço, eles também ofereciam um prato de comida, principalmente se havia crianças na família. Assim aprendi a tratar todos com respeito, sem discriminação de cor, raça ou nacionalidade; é a mesma lição que passo para o meu filho hoje.
Cresci em um ambiente humilde, mas com uma situação financeira equilibrada. Meu pai era agricultor e comerciante. Tínhamos um minimercado dentro de casa que vendia itens alimentícios, roupas e sapatos. Meus pais também eram donos de terras onde criavam galinhas, alpacas, porcos e cultivavam frutas.
O senhor Rubén era muito carinhoso e brincalhão, mas ausente. Vejo-o como uma criança adulta que ninguém podia dominar: não escutava a esposa e fazia tudo do jeito que queria. Talvez, para fugir um pouco dos problemas que tinha com minha mãe, ele enchia a caminhonete de mercadorias e viajava por semanas.
Vivi uma infância feliz ao lado de muitas amiguinhas. Sem televisão em casa, brincávamos na rua e dormíamos tarde. Fui uma criança tímida, mas, à medida que crescia, essa característica também se transformava dentro de mim. Tornei-me firme, uma pessoa que quando deseja algo, faz acontecer.
Desde criança sou autodidata, não precisava de supervisão adulta para estudar ou aprender coisas novas. Mesmo sem exemplo dentro de casa, sempre tive interesse nos estudos. Com 10 anos eu já era uma das poucas crianças que fazia curso de informática; também estudei jornalismo juvenil e vários outros cursos oferecidos pelo governo. Fazia parte do time de handebol da escola e participava de campeonatos.
Com 15 anos pedi aos meus pais para me mudar para Assunção, capital do Paraguai, que fica a 400 km da minha cidade natal, com o intuito de cumprir o que desejava desde meus 11 anos: estudar. Eu falava para meus pais que, se ficasse na cidade onde morávamos, provavelmente meu futuro seria viver um relacionamento abusivo, como tinha acontecido com muitas das minhas amigas que se casaram jovens, com 14 ou 15 anos.
— Eu não vou ser o tipo de mulher que apanha do marido — garanti a eles. — Quero estudar.
Minha mãe apoiou meus planos mais que meu pai:
— Se você quer ir embora para se dedicar aos estudos, não tem problema, pode ir.
Já o senhor Rubén se preocupou com a possibilidade de eu engravidar em Assunção e ter que deixar meu filho para eles cuidarem, algo que deixou claro: não aceitaria. De fato, muitas mulheres que saíam do interior para a capital em busca de uma vida melhor, voltavam depois de um ano com uma criança nos braços, mas o que eu realmente almejava era me tornar biomédica.
Prevenção, reconstrução e encerramento de um ciclo tóxicoA prevenção da Alienação Parental depende, прежде de tudo, de uma mudança profunda na forma como os adultos lidam com separações, frustrações e diferenças. Sempre que o foco deixa de ser o bem-estar da criança e passa a ser a disputa entre os adultos, abre-se espaço para a manipulação emocional e para a destruição de vínculos essenciais. Por isso, promover uma comunicação respeitosa, buscar mediação quando necessário e reduzir a exposição dos filhos aos conflitos do casal são medidas indispensáveis.Também é importante compreender que a Alienação Parental não nasce apenas em grandes crises. Muitas vezes, ela começa em pequenas atitudes: comentários maldosos, omissões, distorções de fatos, punições emocionais e tentativas de impor uma versão única da realidade. Quando isso se repete, o filho passa a absorver uma visão contaminada do outro genitor, acreditando que rejeitar é a única forma de permanecer amado. Esse é um dos mecani
Parte 2 — A dor dos pais e o peso emocional sobre os filhosNa Alienação Parental, existem duas vítimas diretas: o filho e o genitor alienado, que experimenta sensações de impotência, frustração, tristeza e ansiedade ao perceber que, pouco a pouco, a relação com o filho está sendo comprometida. Essa dor é silenciosa, mas profundamente devastadora, porque atinge o que há de mais sensível em uma relação humana: o vínculo afetivo entre pais e filhos.Contudo, é fundamental reconhecer que a Alienação Parental não se limita aos ex-cônjuges. Embora muitas vezes surja após a separação do casal, ela também pode ser praticada por avós, tios, padrastos, madrastas ou qualquer pessoa próxima que detenha influência sobre a criança. Quando a alienação parte de um dos avós, o conflito se torna ainda mais complexo e doloroso, pois as vítimas se multiplicam: além dos netos, que perdem o contato saudável com um dos genitores, também são atingidos o genro ou a nora, que passa a ser alvo de desqualificaç
Uma inimiga chamada Alienação Parental: Quando o afeto é manipulado e a lei precisa intervirDesde 2010, o número de divórcios cresce no Brasil, de acordo com o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE). Só em 2022, aconteceu uma separação para cada 2,3 casamentos. O fim de uma relação já é, por si só, uma experiência desgastante para o casal. No entanto, quando existem filhos, outro conflito doloroso pode surgir e prolongar o sofrimento de todos os envolvidos: a Alienação Parental.Trata-se da circunstância em que um dos pais — ou alguém próximo —, denominado alienador, manipula o filho com a intenção de romper os laços afetivos que ele tem com o outro genitor. Essa atitude pode causar danos psicológicos sérios ao menor envolvido, pois a Alienação Parental provoca uma ruptura significativa com o genitor alienado, isto é, aquele que sofre a alienação. A criança pode desenvolver uma visão negativa do pai ou da mãe alienado, baseando-se em percepções distorcidas ou falsas,
Ansiedade que consome e tratamento eficazSegundo a Organização Mundial da Saúde (OMS), 9,3% da população brasileira sofre de ansiedade, o que coloca o Brasil na posição de país mais ansioso do mundo. São 18,6 milhões de pessoas que se sentem preocupadas e tensas na maior parte do tempo, mesmo quando não há motivo aparente para isso. Além do Brasil, outros quatro países lideram o ranking mundial de ansiosos: Paraguai (7,6%), Noruega (7,4%), Nova Zelândia (7,3%) e Austrália (7%).A ansiedade costuma causar palpitações cardíacas, suor excessivo, dificuldade para dormir, inquietação, irritabilidade, falta de concentração e medo constante de situações cotidianas. Embora não se generalize, algumas pessoas muito ansiosas podem desenvolver a Síndrome do Pânico, transtorno que, segundo a Biblioteca Virtual em Saúde do Ministério da Saúde, caracteriza-se por “crises de ansiedade repentina e intensa com forte sensação de medo ou mal-estar, acompanhadas de sintomas físicos”. Ou seja, são graves
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