Leonel Bianchi
O uísque na minha taça não era mais uma bebida; era um anestésico, e mesmo assim, o efeito parecia cada vez mais efêmero. O escritório era o meu refúgio e, ao mesmo tempo, a minha câmara de tortura. Trabalhar, analisar contratos, enfrentar a frieza dos tribunais — tudo isso me mantinha funcional. Quando o juiz batia o martelo, eu sentia uma satisfação técnica, um breve momento de ordem em um caos que eu não conseguia mais conter. Mas assim que o silêncio voltava, os pesadelos re