Mundo de ficçãoIniciar sessãoO escritório de Dante parecia o centro de comando de uma guerra. Mapeamentos de rotas, telas com feeds de segurança em tempo real e arquivos confidenciais cobriam a mesa de madeira escura.
Eu fui colocada em uma poltrona no canto da sala, sob o olhar atento de Matteo. Dante, por sua vez, andava de um lado para o outro como um predador enjaulado, o telefone celular colado na orelha enquanto ditava ordens em um italiano rápido e agressivo. — Não me interessa o custo. Reforcem a segurança no porto e fechem os galpões de Milão — ordenou Dante, desligando o telefone e jogando-o sobre a mesa com violência. Ele passou a mão pelos cabelos, visivelmente estressado. Foi a primeira vez que vi uma fresta de controle escapando de suas mãos. — O que os Moretti enviaram? — perguntei, quebrando o silêncio tenso. Matteo me olhou com repreensão, mas Dante apenas levantou a mão, sinalizando para que o braço direito nos deixasse a sós. Assim que a porta se fechou, Dante caminhou até a mesa e pegou uma pasta preta, jogando-a no meu colo. Hesitei por um segundo antes de abri-la. Dentro, havia fotos de um dos caminhões de transporte de Dante destruído por chamas, com uma pichação em tinta vermelha na lataria: O Capo sangra. A garota é nossa. Senti um nó se formar na minha garganta. — Eles sabem que você é o calcanhar de Aquiles do seu pai — Dante disse, encostando-se na borda da mesa e me encarando. — Mas agora, acham que você é o meu calcanhar de Aquiles. — E eu sou? — desafiei, erguendo o queixo, apesar do tremor na minha voz. — Uma refém que você conheceu ontem? Dante se inclinou na minha direção, os olhos brilhando com uma intensidade perigosa. — Para o mundo lá fora, Chloe, o que é meu é intocável. Se eles acharem que podem me atingir tirando algo da minha casa, eu perco o respeito de todos os clãs da Itália. Não posso permitir que vejam fraqueza. Ele se aproximou, colocando uma das mãos no braço da minha poltrona e se abaixando até ficar na altura dos meus olhos. — Hoje à noite, haverá um baile de gala no centro da cidade. Todos os chefes da máfia estarão lá. Os Moretti inclusive. — E o que isso tem a ver comigo? — perguntei, com o coração começando a acelerar. — Você vai comigo. Como minha acompanhante. Minha mulher. Dei uma risada fraca, semcreditar no que estava ouvindo. — Você ficou louco? Quer me usar como troféu na frente dos seus inimigos? — Quero mostrar a eles que não tenho medo — ele corrigiu, a voz grave e autoritária. — Você vai vestir o melhor vestido, usar as joias da família Rossi e andar de braço dado comigo. Vamos provar que os Moretti não passam de insetos tentando incomodar um gigante. — E se eu me recusar? Se eu gritar para todo mundo naquele baile que fui sequestrada? Dante deu um sorriso sombrio, inclinando-se até que seus lábios quase roçassem a minha orelha. — Se você fizer isso, cara mia, eu destruo a sua família antes do final da noite. Mas se você jogar o meu jogo... eu garanto a sua segurança. E talvez, só talvez, a gente consiga renegociar essa sua dívida. Fiquei sem ar. Ele estava me oferecendo uma barganha. Uma chance de liberdade, mesmo que envolta em perigo mortal. — Uma noite — disse eu, encarando os olhos de gelo do mafioso. — Eu faço esse papel por uma noite. Mas depois disso, quero ver um contrato de verdade para a minha libertação. Dante segurou meu queixo com firmeza, selando o acordo tácito entre nós. — Feito. Mas lembre-se, Chloe... naquele baile, um passo em falso pode custar a vida de nós dois.






