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O Tipo de Pessoa Que Não Recua

Kang Min-jae permaneceu olhando para a mensagem na tela por alguns segundos.

“Você está começando a me deixar curiosa.”

O canto da boca dele se ergueu minimamente.

Algo raro.

Muito raro.

Han Seok, sentado do outro lado do escritório, percebeu imediatamente.

— Isso é preocupante.

Min-jae bloqueou o celular sem desviar o olhar.

— O quê?

— Você sorrindo.

A resposta arrancou um silêncio curto do ambiente.

Então Min-jae levantou lentamente da cadeira.

A chuva ainda caía do lado de fora das enormes janelas da empresa Kang, transformando Seul num borrão de luzes frias.

— Descobriu algo útil sobre ela?

Han Seok abriu um tablet sobre a mesa.

— Quase nada.

Aquilo chamou a atenção de Min-jae imediatamente.

— Quase?

— O passado dela é… estranho.

Han deslizou alguns arquivos.

— Parte da infância no Brasil. Depois Coreia. A mãe morreu cedo. O pai sofreu um acidente anos depois.

Min-jae permaneceu em silêncio.

— E?

— E nada.

Han franziu levemente a testa.

— Não existem escândalos antigos. Não existem relacionamentos relevantes. Não existem amizades próximas. É como se ela tivesse apagado a própria vida antes da BeautyCrown existir.

Interessante.

Min-jae odiava mistérios.

E odiava ainda mais perceber que estava começando a gostar daquele.

Enquanto isso…

Valentina estava sentada no chão da sala do apartamento, cercada por telas ligadas.

Notícias.

Ações da empresa.

Vídeos sobre Lee Hwan.

O caos continuava crescendo na internet.

E ela adorava assistir.

O cabelo preso de qualquer jeito.

Uma taça de vinho esquecida ao lado.

E aquele olhar vazio e calmo de alguém incapaz de sentir culpa.

Ela clicou em outra matéria.

“Influenciador Lee Hwan perde contratos milionários após vazamento de escândalos pessoais.”

Perfeito.

Ela sorriu sozinha.

Doce.

Fofa.

Como uma garota satisfeita depois de ganhar um presente.

O celular vibrou novamente.

“Lee Hwan desapareceu.”

O sorriso dela aumentou minimamente.

— Inteligente

murmurou.

— Mas atrasado.

Então outra mensagem chegou.

“Encontramos alguém da equipe dele tentando vender novos documentos.”

Valentina inclinou a cabeça devagar.

O silêncio da sala ficou perigoso.

Ela pegou o celular calmamente.

“Comprem tudo.”

A resposta veio segundos depois.

“Mesmo que sejam falsos?”

Valentina digitou sem hesitar:

“Principalmente se forem falsos.”

Porque mentiras eram mais úteis que verdades às vezes.

E ela sabia manipular as duas perfeitamente.

Então levantou do chão e caminhou até a varanda do apartamento.

O vento frio bagunçou alguns fios do cabelo escuro.

Seul brilhava abaixo dela.

Pequena.

Controlável.

Ela gostava disso.

Gostava da sensação de estar acima.

No controle.

Mas então o celular tocou novamente.

Dessa vez…

Ligação de Kang Min-jae.

Valentina observou a tela por alguns segundos antes de atender.

— Você é insistente.

— E você continua recusando meu jantar.

Ela sorriu levemente.

— Isso feriu seu ego?

— Um pouco.

A sinceridade inesperada arrancou uma risada baixa dela.

Min-jae encostou-se na mesa do escritório enquanto ouvia.

Ele conseguia imaginar exatamente a expressão dela naquele instante.

Divertida.

Perigosa.

— Meu avô não costuma se interessar por pessoas.

disse ele calmamente.

— Então deveria considerar isso um privilégio.

Valentina apoiou os braços na varanda.

— E você deveria considerar um privilégio eu ainda estar atendendo suas ligações.

Aquilo irritou Min-jae imediatamente.

Porque ela fazia tudo soar como provocação.

E talvez fosse exatamente isso.

— Você gosta de testar limites.

— E você gosta de dar ordens.

Silêncio.

A tensão entre os dois parecia atravessar a ligação.

Nenhum recuava.

Nenhum desviava.

Como duas pessoas perigosas esperando a outra cometer o primeiro erro.

Então Min-jae falou novamente:

— Lee Hwan não agiu sozinho.

Os olhos de Valentina mudaram minimamente.

Finalmente.

Interesse real.

— Continue.

— Alguém financiou o vazamento.

Ela ficou em silêncio por alguns segundos.

Pensando rápido.

Calculando possibilidades.

— E por que me contaria isso?

— Porque eu quero descobrir quem é antes de você matar alguém impulsivamente.

A frase arrancou uma risada genuína dela dessa vez.

Baixa.

Linda.

Psicopata.

— Você fala como se já tivesse entendido que eu sou perigosa.

— Eu entendi isso no momento em que você sorriu vendo alguém ser destruído.

O silêncio caiu novamente.

Mas dessa vez…

Mais íntimo.

Mais intenso.

Valentina fechou os olhos por um segundo.

Interessante.

Muito interessante.

Porque Min-jae não parecia assustado.

Pelo contrário.

Parecia cada vez mais atraído pelo perigo dela.

E isso fazia alguma coisa dentro de Valentina despertar lentamente.

Algo novo.

Algo inconveniente.

Então ela abriu os olhos novamente e sorriu.

— Talvez eu aceite esse jantar afinal.

Do outro lado da linha, Min-jae também sorriu.

Impulsivo.

Arrogante.

Perigosamente satisfeito.

Porque os dois já sabiam uma coisa:

Aquilo não era mais apenas curiosidade.

Era o começo de algo muito pior.

Min-jae permaneceu em silêncio por alguns segundos após ouvir aquilo.

“Talvez eu aceite esse jantar afinal.”

A chuva continuava batendo contra as enormes janelas do escritório da família Kang enquanto ele apoiava lentamente uma mão no bolso da calça.

Controlado por fora.

Mas irritantemente atento a cada palavra dela.

— Talvez? — repetiu calmamente.

Valentina sorriu do outro lado da ligação.

Ela adorava aquilo.

Adorava provocar homens acostumados a controlar tudo.

— Não gosto de parecer disponível, senhor Kang.

— E eu não gosto de perder tempo.

— Percebi.

A resposta veio leve.

Quase inocente.

Mas Min-jae já havia entendido uma coisa sobre Valentina:

Quanto mais doce a voz dela ficava…

Mais perigosa ela estava sendo.

— O jantar é amanhã — disse ele. — Oito horas.

— Você realmente acha que eu sigo horários impostos?

Aquilo fez a paciência dele oscilar imediatamente.

Típico.

Impulsivo demais para ignorar provocações.

— Você desafia tudo de propósito ou isso é algum problema psicológico?

O silêncio do outro lado durou dois segundos.

Então Valentina riu.

Baixo.

Suave.

Assustador.

— Ah… então finalmente perdeu a paciência.

Min-jae fechou os olhos por um instante.

Ela estava brincando com ele.

E o pior:

Ele estava começando a gostar.

Aquilo era péssimo.

— Você é irritante.

— E você é arrogante.

— Pelo menos eu admito.

— Eu também.

Silêncio outra vez.

Mas agora existia algo diferente entre eles.

Não era apenas tensão.

Era reconhecimento.

Como duas pessoas perigosas percebendo que finalmente haviam encontrado alguém capaz de acompanhar o próprio ritmo.

Valentina caminhou lentamente pela varanda enquanto falava.

O vento frio atravessava os cabelos escuros.

— Então me diz uma coisa, senhor Kang…

— O quê?

— Você sempre tenta controlar as mulheres que conhece?

Min-jae apoiou-se na mesa lentamente.

Os olhos escuros fixos na cidade iluminada.

— Só as que parecem prestes a explodir alguma coisa.

O sorriso dela aumentou.

— E você acha que eu explodiria?

— Acho que você destruiria alguém sorrindo.

Silêncio.

Dessa vez mais longo.

Porque ele acertou.

Exatamente.

E aquilo…

Aquilo fez algo estranho atravessar Valentina.

Não emoção.

Não culpa.

Mas interesse.

Porque ninguém enxergava além da imagem delicada dela.

Ninguém.

Até agora.

— Interessante — murmurou ela suavemente.

Min-jae franziu levemente a testa ao ouvir o tom dela mudar.

Mais baixo.

Mais calmo.

Mais verdadeiro.

— O quê?

— Você talvez seja mais inteligente do que parece.

Aquilo arrancou uma risada baixa dele.

— E você talvez seja mais problemática do que imaginei.

— Talvez?

— Tenho quase certeza agora.

Valentina encostou-se na varanda enquanto observava os carros passando lá embaixo.

Pequenos.

Distantes.

Ela pensou por alguns segundos antes de perguntar:

— Por que está realmente interessado nisso tudo?

— No vazamento?

— Em mim.

A pergunta caiu pesada entre os dois.

Direta demais.

Min-jae ficou em silêncio.

Porque ele não tinha uma resposta completamente racional.

Aquilo começou como desconfiança.

Depois curiosidade.

Agora…

Agora ele só sabia que não conseguia parar de pensar nela.

O que era extremamente inconveniente.

— Você é diferente — respondeu por fim.

Valentina sorriu minimamente.

— Diferente normalmente é um elogio perigoso.

— No seu caso, definitivamente é.

Ela fechou os olhos por um segundo.

E então…

Outra notificação surgiu no celular dela.

Os olhos percorreram rapidamente a mensagem recebida.

E o sorriso desapareceu minimamente.

Min-jae percebeu a mudança na respiração dela.

Instantaneamente.

— O que aconteceu?

Valentina releu a mensagem mais uma vez.

“Encontramos quem financiou Lee Hwan.”

O nome abaixo fez até ela ficar imóvel por um segundo.

Porque era impossível.

Completamente impossível.

Min-jae percebeu o silêncio.

A tensão.

— Valentina.

Ela abriu os olhos lentamente.

O rosto voltou a ficar calmo.

Perfeito.

Mas agora havia algo mais perigoso ali.

Algo frio.

Pessoal.

— Acho que nosso jantar acabou de ficar mais interessante, senhor Kang.

— Quem foi?

Valentina olhou novamente para o nome na tela.

E pela primeira vez em anos…

Algo próximo de ódio atravessou seus olhos.

— Alguém que deveria estar morto.

Valentina permaneceu olhando para o nome na tela por vários segundos.

O silêncio da varanda parecia mais frio agora.

Mais pesado.

Min-jae percebeu imediatamente que algo havia mudado.

A voz dela também mudou quando voltou a falar.

Mais baixa.

Mais perigosa.

— Eu aceito o jantar.

Aquilo arrancou um pequeno sorriso dele.

— Finalmente cansou de me desafiar?

— Não se empolgue.

Ela pegou a taça sobre a bancada.

Os olhos ainda fixos na cidade iluminada.

— Só fiquei curiosa pra conhecer o homem que criou alguém tão insuportavelmente arrogante quanto você.

Min-jae soltou uma risada baixa.

Impulsivo demais para esconder quando estava genuinamente divertido.

— Oito horas.

— Talvez eu apareça.

— Você vai aparecer.

Aquilo fez o sorriso dela aumentar novamente.

— Você realmente gosta de dar ordens.

— E você realmente gosta de provocar.

— Porque funciona.

Silêncio.

Tensão.

Aquela conversa parecia um jogo onde nenhum dos dois queria vencer rápido demais.

Até porque…

Talvez ambos estivessem começando a gostar da guerra.

Então Valentina desligou primeiro.

Como sempre fazia.

Porque ela odiava deixar alguém acreditar que tinha controle sobre ela.

Na manhã seguinte, a sede da BeautyCrown parecia um campo de batalha silencioso.

Funcionários andando rápido demais.

Assessores nervosos.

Telefones tocando sem parar.

Mesmo assim…

Valentina atravessava os corredores como se nada tivesse acontecido.

Calma.

Elegante.

Perfeita.

O vestido preto alinhado ao corpo.

Os cabelos presos.

O sorriso suave.

Ela parecia uma CEO comum.

Mas por dentro…

A mente dela estava organizando vinganças.

Lee Hwan havia desaparecido desde a manhã anterior.

A polícia procurava por denúncias envolvendo ameaças virtuais.

A internet continuava explodindo.

E Valentina continuava tranquila demais.

O que assustava ainda mais a própria equipe.

— Senhora Azevedo

— uma funcionária se aproximou nervosamente. — O senhor Kang enviou novamente a confirmação do jantar.

Valentina assinava alguns documentos sem sequer erguer os olhos.

— Ele é insistente.

— Deseja cancelar?

Ela finalmente levantou o olhar.

E sorriu.

Doce.

Quase inocente.

— Não. Agora eu realmente quero ir.

A funcionária engoliu seco sem entender por que aquela resposta parecia ameaçadora.

Horas depois…

A noite já havia caído sobre Seul.

Valentina saiu do elevador privativo da empresa sozinha em direção ao estacionamento subterrâneo.

Os saltos ecoavam lentamente pelo concreto vazio.

O silêncio do lugar era quase absoluto.

Ela segurava o celular em uma mão enquanto caminhava calmamente até o carro preto.

Então ouviu a respiração pesada atrás dela.

Passos rápidos.

Desorganizados.

Valentina parou.

Mas não demonstrou susto.

Nem medo.

Nem tensão.

Ela apenas virou lentamente o rosto.

Lee Hwan surgiu entre os carros.

Completamente destruído.

Olhos vermelhos.

Barba mal feita.

As mãos tremendo.

E uma faca brilhando sob a luz fria do estacionamento.

— VOCÊ ACABOU COM A MINHA VIDA! — ele gritou.

A voz ecoou violentamente pelo lugar.

Mas Valentina…

Continuou parada.

Observando.

Calma demais.

Aquilo desestabilizou Lee Hwan imediatamente.

Porque ela deveria estar assustada.

Deveria correr.

Gritar.

Mas não.

Ela apenas inclinou levemente a cabeça.

Quase curiosa.

Como alguém observando uma criança fazendo birra.

— Então era isso?

— perguntou suavemente.

— Você veio me matar?

A pergunta saiu tão tranquila que Lee Hwan hesitou por um segundo.

— Você acha isso engraçado?!

Valentina observou a faca na mão dele.

Depois voltou os olhos para o rosto dele.

Sem emoção alguma.

— Não. Só decepcionante.

Aquilo pareceu enlouquecê-lo ainda mais.

Ele avançou um passo.

— Você destruiu tudo!

— Não

corrigiu ela calmamente.

— Você destruiu sozinho. Eu só acelerei o processo.

Lee Hwan apertou a faca com mais força.

Desesperado.

Instável.

Perigoso.

Mas Valentina…

Continuava perfeitamente calma.

Porque homens violentos nunca a assustaram.

Ela cresceu cercada deles.

O pai gritava.

Quebrava coisas.

Batia em funcionários.

Ameaçava pessoas.

E ainda assim…

No final, morreu sozinho numa estrada molhada.

Ela aprendeu cedo que homens raivosos eram fracos.

Previsíveis.

— Vai me atacar ou continuar chorando? — perguntou ela suavemente.

Aquilo foi o suficiente.

Lee Hwan avançou.

Rápido.

Descontrolado.

A faca brilhou no ar—

Mas antes que alcançasse Valentina…

Uma mão segurou violentamente o braço dele.

O impacto foi brutal.

Lee Hwan bateu contra um carro com força.

A faca caiu no chão metálico do estacionamento.

Valentina permaneceu imóvel.

Os olhos encontraram imediatamente o homem parado entre ela e Lee Hwan.

Terno preto.

Expressão tomada por fúria.

Kang Min-jae.

E pela primeira vez…

Ela viu o herdeiro Kang realmente furioso.

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