A estrada até o hospital parecia maior que o normal. Camille encarava a cidade passando pela janela, mas não via nada. Só sentia o coração batendo no pescoço. O motor do carro preenchia todo o espaço, grave, constante, como se segurasse o mundo no lugar para que ela não desmoronasse. Melissa, no banco de trás, também não falou, digitava freneticamente, falava com alguém da promotoria, já acionando contatos, analisando possibilidades, riscos, implicações legais.
Quando finalmente entraram no estacionamento do Saint Michael, Camille percebeu que estava segurando o próprio pulso tão forte que deixara marcas na pele. Marcus estava na porta da emergência, braços cruzados, semblante duro. Ele veio direto até eles.
— Como ele está? Camille perguntou, antes mesmo de pensar.
Marcus respirou fundo.
— Inconsciente. A bala passou muito perto… centímetros do coração. Foi por pouco.
Ela sentiu o chão deslocar. Adam se aproximou mais, quase imperceptivelmente, como se o corpo dele tivesse reagido