Ethan

Capítulo 3 — Ethan

Na manhã seguinte, Kendra acordou alguns minutos antes do despertador tocar.

Isso era raro.

Ela ficou olhando para o teto por um momento, tentando entender por que havia despertado tão cedo. Normalmente, precisava de pelo menos dois alarmes para conseguir sair da cama.

Mas naquela manhã havia algo diferente.

Uma pequena expectativa.

Ela virou o rosto para o relógio na mesa de cabeceira.

Ainda tinha tempo de sobra.

Mesmo assim, levantou.

Enquanto se arrumava, tentou convencer a si mesma de que sua rotina continuava exatamente igual. Tomou banho, escolheu uma roupa confortável e deixou os cabelos cacheados caírem naturalmente sobre os ombros.

Nada fora do normal.

Nada mesmo.

Mas quando terminou de se preparar, percebeu que havia escolhido sair de casa um pouco mais cedo do que o habitual.

— Ridículo — murmurou para si mesma.

Pegou a bolsa e saiu.

O ar da manhã estava fresco, e a cidade ainda parecia acordar lentamente. Algumas lojas abriam as portas, e poucas pessoas caminhavam pelas calçadas.

A cafeteria da esquina estava logo ali.

Kendra diminuiu um pouco o passo ao se aproximar.

Não sabia exatamente o que esperava.

Talvez nada.

Talvez tudo.

Empurrou a porta de vidro e o sino tilintou suavemente, como sempre.

O aroma familiar de café tomou o ambiente.

Ela olhou ao redor de forma discreta.

Nenhum sinal dele.

Sentiu uma leve sensação de decepção, mas rapidamente afastou o pensamento.

— Bom dia, Kendra — disse o barista.

— Bom dia.

— O de sempre?

— Sim, por favor.

Enquanto aguardava o pedido, ela pegou o celular para olhar algumas mensagens do trabalho. Um novo projeto importante havia começado no escritório e exigiria bastante atenção nos próximos dias.

Talvez fosse melhor assim.

Menos distrações.

— Aqui está — disse o barista, entregando o copo.

— Obrigada.

Ela pegou o café e se virou para sair.

E então quase aconteceu de novo.

Kendra parou abruptamente ao perceber uma figura alta entrando pela porta da cafeteria no mesmo instante.

Por pouco os dois não se chocaram novamente.

— Acho que estamos desenvolvendo um padrão — disse a mesma voz calma do dia anterior.

Kendra levantou os olhos e encontrou o olhar dele outra vez.

Ethan.

Ela não conseguiu evitar o sorriso.

— Eu estava pensando a mesma coisa.

Ele segurava um notebook em uma das mãos e parecia um pouco mais sério do que no dia anterior, mas o sorriso ainda estava ali.

— Então você realmente voltou — disse ela.

— Eu disse que talvez voltasse.

— Então isso foi um “talvez” otimista.

— Pode ser.

Eles se afastaram um pouco da porta para liberar a passagem de outras pessoas.

Por um instante, nenhum dos dois falou.

Mas não era um silêncio desconfortável.

Era curioso.

— Você parece mais descansada hoje — comentou Ethan.

Kendra arqueou uma sobrancelha.

— Isso é uma análise profissional?

— Apenas observação.

— Talvez eu tenha dormido melhor.

— Ou talvez estivesse esperando salvar outro café hoje.

Ela riu.

— Dessa vez eu estou segurando bem firme.

Ele apontou para o copo dela.

— Excelente estratégia.

Por alguns segundos, Ethan olhou para o ambiente da cafeteria, como se estivesse absorvendo cada detalhe.

— Eu gosto daqui — disse ele.

— Mesmo com o risco de acidentes?

— Principalmente por isso.

Kendra percebeu algo diferente nele naquela manhã.

Uma leve tensão.

Como se a mente dele estivesse ocupada com muitas coisas ao mesmo tempo.

— Dia cheio? — perguntou ela.

Ele soltou um pequeno suspiro.

— Muito.

— Trabalho?

— Sempre.

— Você parece alguém que trabalha demais.

Ethan sorriu.

— E você parece alguém que observa demais.

— Designer.

— Faz sentido.

Ele deu uma olhada rápida no relógio.

— Infelizmente eu realmente preciso ir agora.

Kendra tentou ignorar a pequena sensação de desapontamento que surgiu novamente.

— Claro.

Ele deu um passo em direção à porta, mas antes de sair, virou-se mais uma vez.

— Kendra?

— Sim?

— Amanhã eu provavelmente estarei aqui no mesmo horário.

Ela cruzou os braços, fingindo pensar.

— Isso parece menos “talvez” do que ontem.

— Estou começando a confiar mais na sua habilidade de salvar cafés.

Kendra sorriu.

— Então acho que vejo você amanhã, Ethan.

Ele assentiu.

E saiu.

O sino da porta tilintou mais uma vez.

Kendra ficou parada por alguns segundos, observando a rua através do vidro.

Algo naquela rotina inesperada estava começando a se tornar interessante demais.

Ela ainda não sabia quem Ethan realmente era.

Não sabia nada sobre sua vida, seu trabalho ou suas histórias.

Mas havia uma coisa que ela já tinha certeza.

Aquela cafeteria estava prestes a se tornar muito mais importante em suas manhãs.

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