Ponto de vista de Scarlett Ignorei o refrigerante com gelo. Como se eu fosse esticar a mão e dar à Ava uma boa razão para rir de mim! Peguei um pouco de purê de batata e salada, mas nada na mesa me atraía como a tigela quente e fumegante bem na minha frente. Ninguém sequer encostava nela, e eu não podia — não com algo gelado para acompanhar. Acho que posso me contentar com um copo de água com gelo... Fitei a água pura e sem graça. Eu não queria aquilo. Meus olhos dispararam em direção à cozinha. Será que havia mais refrigerante lá? Os Fuller não tomavam refrigerantes. Ter uma filha lutando contra a morte todos os dias fazia isso com uma família — eles comiam e faziam tudo de maneira extremamente saudável. Mas talvez... — O refrigerante veio com o pedido. — Disse Sebastian de repente, num tom inocente, como se não tivesse acabado de ler meus pensamentos. — O restaurante? Eles com certeza sabem como aproveitar uma boa asa de búfalo. Eu também sei! Comecei a me arrepe
Ponto de Vista de Scarlett — Não, obrigada. — Percebendo o olhar de Ava, acrescento: — Tenho que ir guardar o que saqueei. Jack Fuller deixou a mesa quando Ava começou a lacrimejar ao ver o príncipe suando frio. Anna Fuller ficou conosco durante o jantar, mais por educação do que por vontade, antes de sair assim que teve permissão. Mas Ava não. Ela ficou e, aparentemente, também tinha algo a dizer a ele. Foi um longo dia, e preciso garantir que terei uma cama para dormir à noite. Não ficaria surpresa se Ava trouxesse Alfred para bagunçar o quarto, em vez de limpá-lo. — Vou te acompanhar até o seu quarto, então. — Ele se oferece com tom brincalhão, acrescentando, antes que eu pudesse recusar: — Ou você prefere falar sobre o nosso acordo aqui? — Seb... — Ava murmura timidamente enquanto se aproxima. Solto sua mão e o encaro friamente, esperando sua decisão. Sei qual será. Ava também sabe. O único que parece não saber é ele. Ava fixa os olhos em Sebastian, e ele ma
Ponto de Vista de ScarlettSebastian foi embora após a minha explosão naquela noite. Acho que o magoei de verdade. Arranquei o band-aid, certo? Ele nunca mais voltou depois disso, e eu tive uma semana de paz. Nenhum ex irritante, nenhuma Ava e nenhuma novidade.No fim, a nossa história não chegou à primeira página. Nem à última ou a qualquer outra. Jack Fuller entrou em contato com meu cameraman secretamente só no segundo dia, propondo comprar o vídeo. E, embora o cameraman tenha aumentado o preço três vezes depois que o acordo foi feito, Jack Fuller cedeu repetidamente.Eu sei porque ele não era apenas um cameraman qualquer: era um dos melhores amigos de Adrian, um veterano do Afeganistão e, agora, meu segurança.O meu vídeo caseiro foi vendido por cinquenta mil reais. Acho que poderia ter empurrado o valor mais longe, mas já conseguimos o que queríamos... testar a atitude de Jack Fuller.Ele fez de tudo para manter o meu nome fora das notícias, mesmo que Ava adorasse me pintar c
Ponto de vista de Scarlett — Então, o que ele pegou da sua mãe? — Pergunta Lucas. — Bem... Lucas estreita os olhos: — Você não sabe o que é? Não. Eu não aceitei a "proposta" de Sebastian, e, no final, só soube que Jack Fuller pegou alguma coisa. Droga, aquele idiota. — Então, qual é a diferença se sou eu indo no seu lugar? — Lucas solta uma risadinha, percebendo minha hesitação. — E como você ia procurar isso, afinal? — Bem... — Certo, não precisa dizer mais nada. — Lucas conclui nossa conversa, percebendo que não tenho uma boa resposta para suas perguntas. — Não vou deixar uma mulher grávida subir em varandas do segundo andar para procurar um "talvez ". — Eu meio que sei distinguir as coisas do Jack Fuller daquilo que não pertence ao escritório dele. — Vou te mostrar o escritório por vídeo. — A solução de Lucas vem mais rápido do que minha resposta sem graça. — Se me pegarem no flagra, sou só uma filha entrando no escritório do pai adotivo dela, mas vo
Ponto de Vista de Scarlett — O quê?! — A voz de Olivia Keen. — Estamos no escritório do seu pai! Você sabe o quanto isso é sagrado para nós, filhos?! O “quarto proibidooooo”!!!Reviro os olhos, sussurrando para Lucas: — Já estou indo!Você tem que dar crédito para as garotas malvadas... elas são cruéis com todo mundo, às vezes até entre si mesmas. São egoístas e horríveis, causam danos e traem, mas, de algum jeito, acabam sempre se reconcilhando depois. Pássaros da mesma plumagem, eu diria.— Que quarto proibido?! Isso é só ridículo! O escritório do SEU pai é aberto para todo mundo??? — Ava resmunga, fechando a porta. Não ouço o som do interruptor de luz. Então o quarto ainda deve estar escuro. Lucas pode se esconder, mas não por muito tempo. Não consigo imaginar Ava abrindo a porta, começando a gritar, chamando a polícia para nós.Não posso deixar que Lucas seja punido pelo meu plano.— Bem, na verdade, sim. — A voz indiferente de Olivia vem clara e alta. — Quem ainda segue es
Ponto de vista de Scarlett M*rda, ela está saindo! Entro em pânico, olhando ao redor em busca de um lugar para me esconder. Eu vim para resgatar o Lucas e visti um vestido de festa para me misturar. Meu plano era causar uma cena e chamar a atenção da Ava... ela ia pirar se me visse na festa dela. Assim, o Lucas teria uma janela de fuga. Mas ela nem estava lá para vigiar nada. Ela estava lá para roubar! E não só percebeu o Lucas, como agora está indo embora! M*rda, m*rda, m*rda! Não tenho tempo a perder, então me viro e me escondo atrás do pilar mais próximo do escritório quando a porta se abre, mas agora estou a uma sala inteira da escada, e não tem como voltar para o meu quarto. Não posso deixar a Ava me ver fora do meu quarto! — Do que estamos nos escondendo? Uma voz me surpreende, fazendo-me pular de susto, só para ver o rosto inocente de Sebastian. Ele parece um pouco surpreso, como se fosse eu quem estivesse tentando dar um susto nele, em vez do contrário.
Ponto de Vista de Scarlett— Eu não sei. — Ava solta quase instantaneamente, sem pensar, e logo seu tom se torna suspeito. — ...Por que está perguntando?— Por que você acha? — Sebastian solta uma risada leve, mas, se não estou enganada, essa risada não chega aos olhos dele. Nunca o vi tratar Ava com essa atitude.Ava faz um biquinho, encarando Sebastian com seus olhos de cervo bem abertos, seu tom tímido como uma cunhada submissa:— Você está perguntando por... ela? Vocês dois... vão voltar?Sebastian lança um olhar em minha direção novamente:— Sim, espero que em breve.Ava baixa os olhos.— Eu pensei que ela poderia me perdoar se eu a ajudasse a encontrar seus pais biológicos. — Sebastian continua como se não visse a expressão incomodada de Ava.— Papai não quer saber nada dessa família. — Ava murmura com um semblante assustado. — Diz que os viciados vão nos estrangular como cipós se descobrirem que a filha deles foi adotada por pessoas ricas...Ou talvez tentassem me salv
Ponto de Vista de Scarlett — Não sei se já pertenceu à sua mãe, mas esse colar definitivamente tem uma história por trás dele. — Lucas sorri, confiante. — A corrente tem um pouco de ferrugem. Pelo cheiro deixado na caixa? Eu diria que... Eu prendo a respiração, e ele faz um biquinho, me olhando com um sorriso provocador. Uma onda de ansiedade toma conta de mim quando percebo que ele está me provocando. — O quê?! — Pergunto, com a voz trêmula. — Sangue. — Ele solta calmamente, interrompendo minha reação e me causando outra onda de ansiedade. — O quê?! — Exclamo, com a voz aguda. — Shhh! — Ele faz um gesto com a mão, apontando para a porta e me guiando para longe dela, mais perto da janela. Certo, isso não é algo para os outros ouvirem. — Mas... sangue? Por que teria sangue ali? Usuários de drogas derramam sangue quando estão morrendo? — Eu não consigo organizar um milhão de perguntas em minha mente. — E também, por que um viciado teria um colar tão bonito? E por que