Mundo ficciónIniciar sesiónHANNAH
Finalmente de volta a luta pela minha vida, chega de flashes do passado. Pensar no que aconteceu não esta me ajudando a sair dessa situação. Está só me distraindo do mais importante agora.
Tropecei em mais um galho, as árvores aqui eram enormes, nunca havia entrado em uma floresta antes e é realmente assustador, ainda mais quando está tão escuro. Será que é cedo demais para agradecer a lua por estar tão cheia e tão grande ao ponto de iluminar quase todo o meu caminho? Se não fosse por isso, já teria dado de cara em algum tronco e morrido nas garras desses lobos.
Consigo escutar diversos uivos bem distantes, vindos de várias direções, mas apenas um me assusta mais, o que está logo atrás de mim. Já era para ele ter me alcançado, eu não sou muito boa em esportes, nunca corri grandes distâncias na minha vida, mas parece que hoje estou com sorte. Talvez a adrenalina tenha me feito ganhar um fôlego a mais. Bem que dizem que com um objetivo estabelecido a gente vai mais longe e o meu objetivo hoje é não ser refeição de lobo. Entretanto, se nenhuma fera me alcançou, pode ser que ela esteja brincando comigo. Eu sou realista e sei que não me tornei nenhum velocista só pelo meu hiperfoco em sobreviver.
Outras preocupações me vieram à mente. Lobos caçam em bando, certo? Não tenho muitos conhecimentos sobre a vida selvagem, mas já assisti a muitos filmes e sei como isso pode acabar mal. Então tento olhar para todos os lados, ao menor sinal de um ataque, preciso tentar me esquivar.
Isso é tão injusto, eu sei que não tinha muitas ambições na vida, que estava apenas sobrevivendo, mas não significa que queria morrer, e não assim, de um jeito tão cruel e sangrento.Posso escutar os rosnados que me fazem mudar a rota a todo o momento. Parece que estou sendo guiada para um lugar específico. Sei que parece loucura, mas nada mais faz sentido em minha mente. Até que finalmente encontro uma clareira. Sério mesmo? Tinha que ser uma clareira? Agora eu estou morta. Como vou me esconder? Não tenho mais para onde fugir, é uma clareira bem grande. Por uma fração de segundos, parece que a noite emergiu em um silêncio absoluto. Paro para olhar ao redor e não vejo nada. Então ouço os galhos dos arbustos próximos a mim se movimentando e folhas secas se quebrando. Pareciam estar na minha frente, mas agora tenho certeza que o som veio bem atrás de mim.
Algo se aproximava, mas não conseguia olhar para trás, o medo me paralisou. Vi uma sombra através do brilho da lua, cobrindo a minha própria sombra na grama verde, molhada pelo sereno. Se for realmente um lobo, ele deve ser maior do que o normal. Senti meu suor, misturado com gotas de sangue, escorrendo por todo meu corpo. Foi uma corrida e tanto até chegar aqui. Então fui atingida por um cheiro familiar, algo como uma brisa quente pairando no ar.
Eu me recordo desse cheiro. Meu corpo parecia ter ganhado vida novamente e disparei a correr sem olhar para trás, mas sem sucesso. Com apenas três passos senti novamente o meu corpo sendo estirado de bruços na grama gelada. Patas me pressionaram contra o chão e dentes começaram a arranhar a minha nuca. Senti um de seus caninos se aprofundando um pouco mais, o que fez uma linha de sangue escorrer pelo meu ombro, sangue este que ele lambeu. Na minha cabeça só se passava ‘Porque ele não acaba logo com isso e me mata? Que tipo de animal selvagem é esse?’
Com o mover de suas patas ele me virou, e pude ver a grandiosidade da sua forma lupina. Realmente não era um lobo comum, ele era enorme, tinha uma pelagem preta, mas tão escura que parecia absorver toda a luz da lua, só para poder espelhar os raios de volta sobre a sua superfície. Pensei estar ficando louca, eu iria ser morta, mas estava achando aquele animal a coisa mais linda que já vi. Esse pensamento me arrancou um leve sorriso.
Então percebi quando seus olhos prateados, que transbordavam uma mistura
de luxúria e euforia, haviam-se tornado completamente negros e vazios. Ele estreitou o olhar em meu rosto e como se não acreditasse no que via, ele deu alguns passos para trás e uivou tão alto, que sua raiva parecia transpassar a minha alma. Precisei colocar as mãos sobre meus ouvidos. Algo deve ter o assustado ou ele estava tentando afugentar alguém. Eu sei que eu já estava apavorada.Então o grande lobo deu mais alguns passos para trás, antes de começar a se aproximar novamente, bem lentamente, e ao chegar próximo do meu pescoço, senti que ele me inalava como se não acreditasse no que estava a sua frente. Podia sentir seu hálito fresco e quente sobre minha pele, sua respiração pesada como se não pudesse mais esperar para me morder e rasgar minha carne em pedaços. Meu corpo tremia com
sua aproximação, mas só conseguia permanecer imóvel devido ao medo. Sua expressão parecia como se estivesse tentando lembrar-se de algo ou alguém, mas ele era um animal, certo? Há tanto assim no que pensar antes de devorar sua presa? Será que eu já estou sendo devorada e meu cérebro criou essa realidade alternativa para me livrar da angustiante tortura de ser apenas um alimento para lobos famintos? Se for isso, eu estou muito grata.Meus olhos me traíram por um momento, se fechando, quando pensei que não teria mais salvação, porém ao abri-los, percebi que o lobo negro havia sumido através da imensidão da floresta. Pude respirar aliviada, me sentando com a cabeça apoiada nos joelhos. Imaginei que já tinha me livrado do perigo. Talvez meu cheiro não seja muito atrativo mesmo, mas isso era algo bom ou ruim? Neste caso, podemos dizer que é bom. Não posso discordar.
Antes que eu pudesse pensar em algum plano para voltar para casa em segurança, avistei outro lobo surgindo do meu lado esquerdo da clareira. Mas a cor do seu pelo era diferente, este era vermelho como o fogo, não tão grande como aquele lobo negro, mas ainda assim grande.
Dessa vez me dou por vencida. Não tenho mais forças e nem fôlego para iniciar outra corrida. Agora sim é o meu fim. Só queria poder segurar a mão de alguém e chorar toda minha frustração por me sentir tão fraca e impotente diante toda essa situação de merd#.







