o início da inveja

Capítulo 5

Naquela noite, Laura mal conseguiu dormir.

Enquanto Lívia organizava algumas coisas para o dia seguinte e depois se recolhia ao quarto, ela permanecia sentada na cama, pensando na única coisa que ocupava sua mente.

Arthur Montenegro.

O homem mais rico que sua irmã já havia conhecido.

Laura pegou o celular e começou a pesquisar novamente sobre ele.

Mansões.

Carros de luxo.

Viagens internacionais.

Empresas bilionárias.

Entrevistas em revistas.

Tudo parecia perfeito.

Tudo parecia pertencer ao mundo que ela sempre sonhou em viver.

— E ele está interessado justamente nela… — murmurou.

Sentiu uma pontada de inveja.

Desde crianças, era assim.

Por mais que fossem gêmeas, parecia que as pessoas sempre gostavam mais de Lívia.

Os professores elogiavam sua dedicação.

Os vizinhos elogiavam sua educação.

Os parentes elogiavam sua bondade.

Laura nunca admitiria, mas aquilo a incomodava profundamente.

E agora, mais uma vez, a irmã parecia ter recebido algo que ela desejava.

Só que desta vez não era apenas atenção.

Era uma oportunidade.

Uma enorme oportunidade.

Na manhã seguinte, Lívia acordou cedo para ir ao trabalho.

Como sempre, preparou o café da manhã para a mãe antes de sair.

— Você trabalha demais, filha — disse Dona Helena.

— Alguém precisa pagar as contas.

A mãe sorriu com carinho.

— Tenho orgulho de você.

Lívia abraçou-a rapidamente antes de sair.

Sem perceber, Laura observava a cena da porta da cozinha.

Mais uma vez.

Mais elogios para Lívia.

Mais admiração para Lívia.

Ela sentiu o estômago revirar.

Quando chegou à empresa, Lívia tentou focar no trabalho.

Mas a lembrança da conversa com Arthur voltava constantemente à sua mente.

Ela nunca tinha conhecido alguém como ele.

Ao contrário do que imaginava, ele não era arrogante.

Nem frio.

Pelo menos não com ela.

— Está sorrindo sozinha? — perguntou Marina.

Lívia levantou a cabeça.

— O quê?

— Eu vi.

— Não estou sorrindo.

— Está sim.

Marina aproximou-se da mesa.

— Tem alguma coisa a ver com Arthur Montenegro?

— Claro que não.

— Mentirosa.

Lívia sentiu as bochechas esquentarem.

— Somos apenas conhecidos.

— Conhecidos que saem juntos no mesmo carro.

— Foi só uma carona.

— Sei.

Marina riu.

— E eu sou a rainha da Inglaterra.

Lívia tentou mudar de assunto, mas não conseguiu impedir que seu coração acelerasse ao lembrar da noite anterior.

Enquanto isso, no último andar do prédio principal do Grupo Montenegro, Arthur observava a cidade através da enorme janela de seu escritório.

Sobre sua mesa havia dezenas de documentos importantes.

Mas sua atenção estava em outro lugar.

Ou melhor, em outra pessoa.

Ele lembrava da forma como Lívia falava.

Da maneira simples com que enxergava a vida.

Da sua sinceridade.

Qualidades difíceis de encontrar.

Seu telefone tocou.

Era sua mãe.

— Arthur, você precisa comparecer ao jantar beneficente amanhã.

— Eu sei.

— E sem desculpas desta vez.

Ele sorriu.

— Estarei lá.

Após encerrar a ligação, voltou a pensar em Lívia.

Talvez fosse loucura.

Mas sentia vontade de vê-la novamente.

Naquela mesma tarde, Laura tomou uma decisão.

Ela não ficaria parada assistindo a irmã se aproximar de um homem como Arthur Montenegro.

Não dessa vez.

Se existia uma chance de mudar sua vida, ela iria aproveitá-la.

Custasse o que custasse.

Sentada em seu quarto, um sorriso lento surgiu em seus lábios.

Um sorriso que não tinha nada de inocente.

Porque, naquele momento, a inveja estava deixando de ser apenas um sentimento.

E começava a se transformar em um plano.

Um plano capaz de destruir a felicidade da própria irmã.

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