Capítulo 10 – Barulho na porta
O vento uivava entre as torres de aço e vidro do prédio corporativo, arrastando consigo as primeiras folhas secas de uma primavera que ainda não se atrevia a chegar, como se a mudança de estação também hesitasse em tocar um edifício onde a esperança parecia ter se perdido entre memorandos e renúncias. No 23º andar do edifício Castell, o ar condicionado zumbia, mais parecido com o murmúrio de um lamento do que com o conforto habitual, enquanto as janelas refletiam uma cidade que, vista de cima, parecia avançar sem ele.
Adrián estava de pé em frente à imponente parede de vidro que dominava todo o horizonte urbano, com os ombros inclinados para a frente, a mandíbula apertada e as mãos escondidas nos bolsos das calças; a camisa branca colada ao corpo pela tensão acumulada, com os últimos botões mal fechados e o nó da gravata pendurado meio desamarrado, como símbolo do caos que ele decidira não enfrentar. Seu reflexo, impiedoso e detalhado, devolvia a imag