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Capítulo 5 — Você não sabe o quanto eu esperei por isso...

POV Camille

No segundo seguinte, a mão grande dele envolveu a minha nuca com uma força possessiva, devolvendo o beijo com uma ferocidade avassaladora. Ele me puxou pela cintura, me tirando do chão como se eu não pesasse nada, e me carregou os dois passos até a enorme mesa de mogno.

Com um único movimento do braço livre, Elliot varreu o notebook, a luminosa e a pasta de documentos para o chão. O som dos objetos colidindo contra o carpete – um baque surdo, um tilintar de metal, o espalhar de papéis – ecoou pela sala vazia, mas nenhum de nós se importou.

Ele me sentou na borda da madeira fria e se encaixou entre as minhas pernas.

O contraste entre a superfície gelada do mogno sob minhas coxas desnudas e o calor escaldante do corpo de Elliot – uma fornalha viva contra a qual eu ardia – me fez arquear as costas, um arranco involuntário que colou meu peito ao dele. Minhas mãos puxaram a gravata com violência, os nós dos dedos roçando o linho engomado da camisa enquanto desabotoava os primeiros botões com pressa trêmula. A pele nua do seu peito, quando meus lábios a encontraram, tinha o gosto salgado do esforço e o cheiro de madeira escura e almíscar – um perfume que me intoxicou mais do que qualquer droga.

Elliot rasgou o paletó da minha alfaiataria, o tecido caro cedendo com um estalo seco contra o silêncio, e o jogou no chão como se fosse trapo. Suas mãos quentes, grandes, calejadas nas pontas dos dedos, subiram pelas minhas pernas com uma pressa que beirava a brutalidade, os polegares cavando fundo na carne macia das minhas coxas enquanto rasgavam a meia-calça fina. O fio de nylon se rompeu com um zunido agudo, e o ar frio do escritório beijou a pele que ele acabara de expor, um choque gelado que fez meus pelos se arrepiarem. Cada toque dele era uma descarga elétrica que subia pelo meu ventre, um fio de fogo que queimava o rastro do veneno nas minhas veias, substituindo a dor surda por uma excitação tão aguda que meus dedos dos pés se curvaram contra o ar.

— Você não sabe o quanto eu esperei por isso... — ele sibilou contra o meu pescoço, a voz rasgada, rouca, como se as palavras tivessem que lutar para sair da garganta apertada pela paixão e pela fúria. 

Sua boca desceu, lábios quentes e úmidos arrastando-se pela minha mandíbula em beijos que mordiam e lambiam, que sugavam a pele até quase doer, descendo pela linha da minha clavícula onde o osso saliente encontrava o ombro. Eu sentia cada dente, cada sopro ofegante, cada tremor do seu queixo contra o meu.

— Elliot... — chamei, cravando as unhas nas suas costas cobertas pelo linho, arranhando o tecido como se quisesse rasgá-lo também, como se quisesse deixar marcas na pele que estava por baixo. 

As pontas dos meus dedos encontraram o suor na sua nuca, os fios de cabelo curtos e úmidos colados à testa, e eu os puxei para trás com força, forçando seu rosto para cima para que seus olhos azuis, tão claros que pareciam gelo derretido, encontrassem os meus.

Ele não esperou. Elliot abriu a fivela do próprio cinto com movimentos rápidos e impacientes… o tilintar do metal, o roçar do couro, a respiração que se prendia nos dois peitos. Quando ele se uniu a mim em um impulso firme e profundo, a sensação de preenchimento foi tão intensa, tão avassaladora, que soltei um grito abafado, engolido pelo beijo que ele plantou na minha boca, quente e violento, suas língua e dentes disputando espaço com meu gemido. Meu corpo se abriu para ele como uma flor que se entrega ao fogo, cada centímetro de sua entrada um ardor que me queimava por dentro, que preenchia o vazio que a droga havia deixado com algo muito mais perigoso: desejo.

A mesa de mogno rangia sob o impacto do nosso ritmo, um gemido grave de madeira que se misturava ao som abafado dos nossos corpos, a pele batendo na pele, o suor escorrendo, os gemidos que se aceleravam como um tambor descompassado. Não havia delicadeza naquilo; era uma colisão de almas feridas, um encontro bruto onde cada estocada era uma palavra não dita, onde o ódio do passado se fundia à química impiedosa do presente. Elliot se movia com uma posse absoluta, seus quadris desenhando um ritmo que era tanto dança quanto guerra, os olhos azuis cravados nos meus na penumbra da sala – assistindo a cada arquejo meu, a cada mordida no lábio inferior, a cada fechar de olhos quando ele se aprofundava. Ele exigia cada pedaço do meu ar, e eu dava, arqueando as costas contra o mogno, as omoplatas raspando na madeira polida enquanto minhas pernas se envolviam ao redor da sua cintura, os calcanhares pressionando a curva das suas costas para puxá-lo para mais perto, para mais fundo.

As janelas do trigésimo andar refletiam nossa silhueta dançante, dois corpos se fundindo em sombras trêmulas contra o céu cinza de Londres, a chuva escorrendo em veios de prata no vidro, um espetáculo que ninguém via, que só nós sentíamos. 

A sala cheirava a suor e a madeira molhada, a desejo e a desespero. O ar estava pesado, úmido, cada respiração um esforço, cada movimento um incêndio. Senti o orgasmo se formar nas profundezas do meu ventre como uma onda que cresce em silêncio, e quando Elliot mudou o ângulo, um ajuste sutil que fez o mundo inteiro se deslocar, eu soube que não haveria volta.

Quando o ápice finalmente nos atingiu, foi como uma explosão silenciosa. Segurei os ombros rígidos de Elliot enquanto um tremor avassalador percorria todo o meu corpo, um espasmo que começou no centro do meu peito e se irradiou em ondas concêntricas para cada músculo, cada nervo, cada poro. 

Minha visão se turvou, e eu ouvi meu próprio gemido como se viesse de longe, um som rouco e descontrolado. Elliot soltou um grunhido pesado, gutural, que vibrou contra o meu peito enquanto ele se enterrava em mim pela última vez, descarregando toda a sua tensão contra o meu corpo, afundando o rosto no meu cabelo, seus lábios roçando minha têmpora, sua respiração quente e irregular fazendo meus fios se mexerem.

Ficamos ali por longos minutos, o silêncio da sala quebrado apenas pelas nossas respirações pesadas e compassadas. A chuva tamborilava contra as janelas, um murmúrio distante que parecia vir de outro mundo. A névoa da droga começava a baixar lentamente, deixando em seu lugar um vazio assustador e a dolorosa clareza do que tínhamos acabado de fazer, estampada no brilho úmido dos olhos dele, refletida nos meus.

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