O galpão cheirava a mofo e ferrugem. Anne estava encolhida no canto, o cobertor fino enrolado nos ombros, tentando se lembrar do que era sentir calor de verdade. Os dias se misturavam numa névoa cinzenta — ela tinha começado a riscar a parede com uma pedra solta, mas perdera a conta entre o quinto e o sétimo traço. Talvez o oitavo. Não fazia mais diferença.
A porta de metal rangeu e Carlos entrou como um furacão. O rosto vermelho, os olhos injetados, a camisa manchada de suor. Ele batia o pé a