Carlos.
Já passava das onze da noite quando Carlos afundou na poltrona da sala, o corpo pesado, o olhar perdido na janela escura.
Mas não era a rua que ele enxergava.
Era o rosto de Luísa.
O jeito que ela sorria.
A educação delicada.
A forma como segurava a caixa de cereal como se fosse um pequeno tesouro.
Por que aquela criança tinha mexido tanto com ele?
No fundo, ele sabia a resposta.
Luísa era a cara de Letícia — o mesmo formato de rosto, a mesma expressão doce — mas os fios loiros em tom médio, o