183. Conversa reveladora
Branca
Eu fico alguns segundos apenas observando a minha mãe.
Ela está sentada à mesa da cozinha como se tivesse sido colocada ali para compor uma cena. As fotos antigas espalhadas à sua frente, a postura contida, o olhar preso em memórias que eu nem sei se são saudade ou estratégia. Conhecendo Vânia, provavelmente os dois. Ela sempre soube usar aquilo que sentia para manipular o ambiente ao redor. Não de um jeito cruel, não como os Krieger faziam, mas de um jeito que sempre nos deixava culpado