Capítulo 221 — Nem eu
José Alves
O mundo lá fora era um borrão, mas dentro do carro, o silêncio era ensurdecedor. Atlas dirigia como um maníaco, cortando o trânsito, os nós dos dedos brancos de tanto apertar o volante.
Eu não conseguia manter meus olhos nele, nem na estrada. Meu foco era ela.
— Mi amor… — chamei, mas não tive resposta. Pressionei meus lábios nos dela e ela não reagiu.
— Ela acordou, José? — O grito do Atlas, carregado de pânico e daquela raiva habitual que ele reservava para mi