Mundo de ficçãoIniciar sessão
Valéria:
Meu aniversário de 23 anos...
Virei-me lentamente, voltando para a cama, caprichando no rebolado enquanto sentia o olhar deles queimando cada centímetro da minha pele. Sentei-me com calma, cruzando as pernas, como quem se prepara para assistir a um espetáculo exclusivo. E que show…
Os três começaram a se despir devagar, provocantes, sincronizados como se cada movimento tivesse sido ensaiado mil vezes. A música “In The End”, do Linkin Park — Mellen G remix, vibrava pelo quarto, as batidas ecoando no meu peito como um segundo coração. O grave pulsava no ar, misturado à respiração pesada deles. Cada botão aberto, cada peça de roupa deslizando pelo corpo masculino parecia durar uma eternidade deliciosa.
Meu corpo reagia sem pedir permissão.
Ver os três se despindo lentamente me deixava ainda mais excitada. Quando ficaram completamente nus, iluminados pela luz baixa do quarto, a cena era quase obscena de tão perfeita. Deu água na boca. Literalmente.
Aproximei-me outra vez, ajoelhando-me sobre a cama, deixando meus dedos deslizarem por aqueles músculos definidos, quentes, vivos. Sentia a pele arrepiar sob o meu toque. Passei as mãos pelo abdômen de um, pelo peito do outro, pelo quadril do terceiro. Eles eram tão iguais e, ainda assim, tão diferentes na energia que transmitiam.
Ver a virilidade pulsando, firme, orgulhosa, apontada para mim, estava me deixando enlouquecida. Meu coração martelava no peito, minha respiração ficou curta. Eu queria os três em mim. Esta noite.
Queria sentir tudo. Queria provar tudo.
Queria me perder.
...
4 anos antes…
Fui criada como a princesinha do papai.
A única coisa que fazia da vida era estudar. Cresci em uma enorme casa, cercada por funcionários que pareciam sempre antecipar meus desejos. Nunca me faltou nada. No meu último aniversário antes da tragédia, ganhei um apartamento de luxo com vista para o Central Park. Lembro-me de ter ficado parada diante da janela, olhando a cidade aos meus pés, sentindo-me invencível.
Ele me deu com a condição de não vendê-lo antes dos trinta anos.
Achei engraçada aquela cláusula maluca.
O que ele achou? Que eu venderia e fugiria? Ainda disse que seria meu futuro.
Meu pai sempre pensava à frente.
Falo inglês, francês, espanhol, alemão e arranho no russo e italiano. Mimada e amada, sim. Porém, inteligente. Sempre fui dedicada. Nunca dependi apenas do sobrenome.
Meus pais estavam estranhos nos últimos meses. Havia tensão no ar, cochichos interrompidos quando eu entrava na sala. Soube pelo reitor da faculdade que meu pai havia feito um fundo, custeando todo meu estudo antecipadamente. Na época, achei exagero.
Hoje entendo que talvez ele soubesse que o tempo era curto.
Infelizmente, meu mundo ruiu do dia para a noite.
Perdi meus pais e meu irmãozinho em um acidente.
Fiquei só.
O silêncio da casa enorme foi substituído por um vazio ensurdecedor dentro do meu peito.
...
4 anos depois…
Formei-me há alguns meses na universidade. Diploma na mão, currículo impecável, idiomas fluentes… e nenhuma oportunidade.
Não consegui emprego.
O desespero estava me fazendo aceitar a primeira chance que aparecesse, sem pensar duas vezes. Eu não entendia onde estava meu erro. Sou poliglota. Posso não ter experiência formal, mas aprendo rápido. Sou disciplinada. Sou organizada. Sou dedicada.
Sabe aquele ditado que diz: pior que tá não fica?
Pura ilusão.
Não só pode como vai.
Para você ter noção da maré de azar que ando, ontem acordei com meu apartamento cheio d’água porque o idiota do andar de cima resolveu fazer uma maldita reforma por conta própria. Estourou um cano que acabou afetando o meu apartamento, inundando tudo.
E, para o meu azar, o meu foi o mais afetado.
Após a morte dos meus pais, aluguei o apartamento de luxo para me manter e custear algo menor. Na época achei este apartamento pequeno no Brooklin aconchegante. Hoje ele parecia um cenário de guerra.
Pra piorar, meu telefone não despertou. Me atrasei. Perdi o metrô para uma importante entrevista de emprego.
E, para fechar com chave de ouro…
Fui assaltada.
Sim. Levaram o pouco dinheiro que eu tinha na bolsa. Só não levaram o celular porque, como sempre, eu havia esquecido em casa. Quem na vida esquece sempre o celular em casa?
Eu.
A pessoa mais azarada do mundo.
Ou sortuda, né? Já que, a essa hora, poderia estar sem ele.
Que dia de merda!
Distribuí um monte de currículos e até agora nada. Meu carro quebrou há semanas e eu não tenho um centavo para consertar.
E, para piorar, acabei de ser notificada que terei que deixar o apartamento até que tudo seja resolvido a respeito da “inundação” causada pelo babaca metido a encanador.
Como se o universo estivesse gargalhando da minha cara.
Meu telefone toca.
Claro que só pode ser a maluca da minha amiga.
Camila. Ou Cami, como gosta de ser chamada. Mulher linda, morena cor de canela, cabelos longos e cacheados, da minha altura. É de parar o trânsito com suas curvas. Um tanto maluquinha. E eu amo essa alegria dela.
— Fala, sua vaca.
Atendo já carinhosa, como sempre.
— Quê isso, amiga? É assim que você trata sua amiga do coração, que tá te ligando para dizer que conseguiu uma entrevista de emprego para você? Só não me pergunte como…
Meu coração quase saiu pela boca.
— Sério, amiga? Não se brinca com essas coisas, sua louca.
Torci para ser verdade. Eu ia virar sem teto nos próximos meses.
— Claro, sua doida! Vão te ligar do RH da Romano Enterprise. O cargo é de secretária dos trigêmeos gostosos responsáveis pela rede de boates The Lux!
Meu cérebro travou por dois segundos.
Trigêmeos.
Gostosos.
CEO’s.
Boates.
— Obrigada, amiga. Nem sei como agradecer. Achei que a sessão de azar não fosse acabar. Nem te conto, vou ter que sair do apartamento…
Contei toda a história da inundação, do Mateus idiota, das paredes encharcadas.
— Ô, miga, não fica assim. Se quiser a gente dá uma surra no idiota! Há males que vêm para o bem. Vai dar tudo certo. Aliás, por que a gente não sai para comemorar?
— Só você mesmo pra me fazer sorrir depois do péssimo dia que eu tive. Mas hoje não dá. Tô cheia de coisas pra empacotar. Tá uma zona de guerra aqui.
— Você quem sabe. Qualquer coisa me liga!
Desliguei me sentindo levemente mais leve.
Horas depois, o telefone toca novamente.
— Oi, amiga, não dá para falar agora!
— Boa tarde, falo com a senhorita Valéria Santorini?
A voz feminina, educada e profissional, fez meu estômago revirar.
— Sim, sou eu.
— Senhorita, aqui é Estela, do RH da Romano Enterprise. Estou entrando em contato para marcar a entrevista para o cargo de secretária dos CEO’s da The Lux.
O frio na barriga foi instantâneo.
— A entrevista será às 8:00. É bom chegar um pouco mais cedo para se preparar. Eles odeiam atrasos.
Ela parecia estar me avisando com carinho.
— Sim, estarei aí. Obrigada, Estela.
— Boa sorte, senhorita. Até amanhã.
Desliguei e comecei a dar pequenos pulos no meio do apartamento alagado.
Finalmente.
Uma chance.
Ai, meu Deus.
Eu, Valéria, a virgem ainda aos 22 anos, seria secretária de três CEO’s pra lá de gostosos. E devem ser idênticos.
Minha Nossa Senhora das virgens excitadas e desesperadas.
Boa sorte pra mim.
Se eu tivesse internet, já teria revirado a vida deles do avesso.
O dia passou voando entre caixas e roupas dobradas às pressas. Após a entrevista, precisaria procurar outro lugar para morar.
Depois de um banho relaxante, passei meu hidratante com cheirinho de morango. Uma das poucas coisas que ainda me permito manter da antiga vida.
Já estava de pijama quando alguém bateu na porta.
— Caramba, prédio super seguro, qualquer um pode entrar.
Olhei no olho mágico.
Cami.
Abri sorrindo.
— O que tá fazendo aqui, sua doida?
— Vim te buscar, né? Ou você achou que aceitaria um não como resposta? Vai logo, se arruma. Bora na boate The Lux conhecer o local e ver se encontramos seus novos patrões. Aproveita, viu? Ingresso vip!
— Como você conseguiu isso?
— Trabalho em um dos cassinos dos hotéis Oásis durante o dia. Consegui com um amigo. Você acha que te enfiaria numa roubada? Jamais!
Suspirei.
— Só vou porque tô estressada demais. Mas no máximo 1 da manhã eu preciso estar de volta.
Enquanto eu me arrumava, ela soltou:
— Sobre isso, miga… tenho uma proposta. Depois que terminei com o otário do Marcos, aluguei um apartamento aqui no Brooklin. Seria ótimo você morar comigo e dividirmos as despesas.
Fiquei paralisada.
— Sério, amiga?
Comecei a chorar.
— Amanhã mesmo você se muda.
Ela me abraçou forte.
— Agora passa uma maquiagem nessa cara e fica bem gata. Hoje vamos arrasar.
Passava das nove quando pegamos um Uber rumo à The Lux.
A cidade brilhava pelas janelas, como se Nova York conspirasse comigo.
Meu coração batia acelerado.
É hoje que me livro dessa virgindade.







