235. Fugir?
Lúcia Donovan
Samuel dormia no berço, com o rostinho tranquilo e as mãozinhas fechadas. Eu ajeitei o cobertor e fiquei ali parada, só observando. Às vezes ainda era difícil acreditar que ele estava aqui, que tinha vencido tudo o que enfrentamos.
Passei os dedos devagar no cabelo dele e sussurrei:
“Se a sua avó estivesse aqui, ela ia ficar toda boba com você.”
Fechei os olhos por um segundo. Queria poder ver o sorriso da minha mãe, ouvir ela dizendo que tudo valeria a pena. Ela teria feito bolo,