Capítulo 7

🌕🐺 Darian Blackstone,

Respondi com uma gargalhada. Porque o conheço. Porque sei que ele me ama. Porque queria quebrar aquela casca nem que fosse por um segundo.

— Irmão, não encontramos nossa Luna na nossa alcateia, deve ser porque ela não está aqui.

Ele resmungou. Tentou me fazer desistir. Mas eu vi. Vi o olhar vacilar. Vi a muralha rachar.

— Ela se chama Saphira. — disse baixo demais, mas não o suficiente para que ele ouvisse.

Se ela for minha, serei o homem mais feliz da terra. Mas se for dele, talvez ele volte a sorrir como antes. E por mais que eu deseje que ela seja minha, meu coração deseja mais ainda que ela seja dele. Porque eu não aguento mais ver meu irmão morrer um pouco mais a cada dia.

Nem que para salvá-lo, eu precise abrir mão da minha única chance.

🌕🌕🌕🌕🌕

Eu estava no canto do salão, observando tudo com a calma de quem já havia esperado tempo demais por um momento como aquele.

Meu irmão, sentado em seu trono, era a imagem da autoridade. Ombros largos, postura firme, olhar tenso. Mas eu o conhecia. Sabia ler cada pequeno gesto. Cada movimento do maxilar, cada pausa em sua respiração. A dor de Rowan nunca era exibida. Mas ela estava lá. Sempre esteve.

Ver aquele homem, o meu herói, carregando o peso de uma alcateia e a decepção do conselho por não gerar um herdeiro, por não ter uma Luna, era como ver uma estrela apagando. Lenta e silenciosamente.

Então as portas se abriram.

Dois lobos da alcateia Neblina entraram arrastando uma mulher. Meus punhos se fecharam instantaneamente. Não era assim que se tratava uma fêmea. Ainda mais uma que estava sendo entregue como pagamento.

Eles a jogaram aos nossos pés como se não fosse uma deles, e então ele se levantou.

Rowan não gritou. Ele rosnou. Um som brutal, rasgado, como se a terra inteira tremesse sob seus pés.

— Não faça isso com um ser humano, não diante de mim. Eu poderia rasgar suas gargantas agora só por essa atitude grotesca.

A tensão no salão se tornou densa. O ar ficou pesado. Os dois homens recuaram imediatamente, encolhendo os ombros sob o peso da presença de um Alfa em fúria.

Mas foi quando ela se levantou que tudo mudou.

Cambaleante. Fraca. Mas em pé.

E quando jogou os cabelos para trás e encarou meu irmão, eu vi. Vi os dois metros e dez de Rowan se curvarem internamente diante dela. Vi a muralha rachar. Vi a luz. A esperança.

Senti a ligação deles.

Ali. Diante dos meus olhos. Como um feixe de energia atravessando os dois. Como se o universo tivesse segurado a respiração só para testemunhar aquele instante.

Meu coração disparou. Meus olhos se encheram d'água. Eu fui o responsável por isso. Por essa dádiva. Por esse encontro. Eu trouxe ela até aqui. E ela é dele.

Vi os lábios dela se moverem. Mas não ouvi. Então ele piscou. Rowan me olhou. E eu perguntei sem som:

— Aconteceu? Ela é sua Luna?

Ele respondeu com dificuldade, como se as palavras doessem:

— Já recebi sua fêmea. Agora preciso ir.

Minha fêmea?

As palavras dele tomou minha mente por um segundo antes que eu o visse sair do salão quase correndo. Um lobo em fuga. Um homem quebrado. Ou talvez um homem reconstruído por algo maior do que ele.

Ela era sua Luna. Eu sabia.

Sorri.

Mas quando voltei meu olhar para ela, o que encontrei foi um olhar raivoso, mortal, direto para mim. E eu soube que nada seria fácil dali em diante.

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