Mundo de ficçãoIniciar sessãoO dia no hospital foi exaustivo, mas recompensador. Correndo de um paciente para outro, lidando com urgências, aprendendo a me adaptar ao ritmo acelerado, eu mal percebi o tempo passar. Quando meu plantão terminou, respirei fundo, lembrando que ainda tinha mais uma missão naquela rotina: cuidar de Dona Marieta à noite.
Peguei o táxi até a mansão da família de Evie, tentando me preparar mentalmente para uma nova jornada. A casa, imponente e silenciosa sob a luz da lua, parecia ainda mais majestosa e misteriosa. As sombras dos muros altos e das árvores do jardim davam uma sensação de mistério que me deixava alerta. Bati na porta e como esperado, quem atendeu foi Heitor. Parecia que ele estava a minha espera. Seu olhar intenso encontrou o meu imediatamente, e senti o coração disparar. — Boa noite — disse ele, com aquela voz firme, porém acolhedora. — Boa noite… — respondi, tentando esconder a ansiedade que sentia sempre que nossos olhares se cruzavam. Ele abriu a porta e eu pude perceber ainda mais detalhes da mansão no escuro: o brilho suave do lustre refletido nos pisos de mármore, os corredores silenciosos, os móveis antigos alinhados com perfeição. Cada detalhe parecia carregar histórias e segredos que eu ainda não conhecia. — Ela está no jardim, gosta de ficar sob a luz da lua — disse Heitor, conduzindo-me pelo hall até a porta do jardim. Ao entrar, encontrei Dona Marieta sentada em sua cadeira de balanço, envolta em um xale, olhando para as flores que o luar iluminava. Sorri para ela, e ela devolveu o sorriso caloroso. Enquanto me acomodava ao lado dela, senti Heitor ficar de pé próximo à porta, me observando. Cada vez que nossos olhares se encontravam, sentia um arrepio percorrer meu corpo. Tentei desviar o olhar, mas era impossível ignorar a intensidade da atração silenciosa entre nós. — Está se adaptando bem — disse ele, quase como se lesse meus pensamentos. — Não é fácil conciliar dois empregos, ainda mais trabalhando no hospital durante o dia. — É… — murmurei, sentindo minhas bochechas esquentarem. — Mas quero conseguir. Preciso disso. Ele sorriu de canto de boca, aproximando-se um pouco. O perfume dele, misto de colônia suave e algo mais inexplicável, me deixou tonta por um instante. Rapidamente olhei para Dona Marieta, que dormia levemente, e respirei fundo, tentando me recompor. — Eu vou deixar vocês duas — disse Heitor, recuando lentamente — Mas se precisar de qualquer coisa durante a noite… não hesite em me chamar. Assenti, tentando parecer natural, enquanto meu coração ainda acelerava por causa do olhar dele. Naquela noite, cuidando de Dona Marieta, observando suas rotinas e mantendo a mansão silenciosa, percebi que aquele trabalho seria mais do que apenas uma forma de complementar meu salário. Era uma porta para uma história maior, cheia de segredos, conexões inesperadas e sentimentos que eu ainda não sabia como lidar. ... — Você ficará no quarto ao lado, querida — disse ela, com voz doce, assim que acomodei ela em seu quarto — Assim poderá me chamar se precisar de alguma coisa durante a noite. Dei boa noite a ela segui para o quarto ao lado que estava a minha espera. Assenti, sentindo meu coração acelerar. O quarto era aconchegante, com cortinas leves que balançavam com a brisa da noite, uma cama confortável e o perfume suave de lavanda no ar. Coloquei minhas coisas sobre a cômoda e me deitei, mas o cansaço não era suficiente para adormecer completamente. A casa estava silenciosa, mas minha mente não parava de trabalhar. Após algum tempo, senti sede e decidi descer até a cozinha. Caminhei devagar pelas escadas, tentando não fazer barulho, mas o ranger do piso de madeira denunciava meus passos. Quando cheguei à cozinha, o que vi me fez prender a respiração. Heitor estava ali, de pé próximo à bancada, sem camisa, usando apenas uma bermuda leve. A luz do abajur refletia seus ombros largos e a pele bronzeada pelo sol, e o calor da noite parecia intensificar cada detalhe do corpo dele. Ele me olhou por um instante, surpreso com minha presença, mas sem se afastar. — Boa noite — disse, a voz baixa, quase rouca. — Não esperava te encontrar acordada. — Boa noite… só estava com sede — respondi, tentando parecer casual, embora minha respiração estivesse acelerada. Ele sorriu de canto, continuando a preparar um pequeno lanche. A cozinha estava silenciosa, exceto pelo barulho do pão sendo cortado e do gelo tilintando no copo d’água. — A noite está quente — comentou, olhando para a janela aberta. — Mas ainda assim, não dá para dormir sem se hidratar, né? Sorri timidamente, sentindo o calor subir às minhas bochechas. Cada gesto dele, cada movimento dos braços ao pegar a comida, me deixava mais consciente da tensão crescente entre nós. — Amanhã você precisa vir aqui mais cedo — disse ele, finalmente virando-se para mim, o olhar azul penetrante fixo nos meus olhos. — Precisamos assinar alguns papéis para oficializar a sua contratação. — Certo — respondi, sentindo um frio percorrer minha espinha. — Papéis, sim… Ele se aproximou um pouco mais, e o calor do corpo dele parecia quase me envolver. Nossos olhares se cruzaram por um instante longo demais, carregado de algo que eu não sabia nomear, e eu rapidamente desviei os olhos, tentando me controlar. — Está tudo certo — disse ele, tentando quebrar a tensão, mas seu sorriso não escondia a intensidade daquilo que sentíamos. — Amanhã vai ser só burocracia, prometo. Assenti, tentando disfarçar o nervosismo. Aquele momento simples já havia deixado meu coração acelerado, mas algo me dizia que a noite ainda guardava mais do que podia perceber. Voltei para meu quarto, tentando acalmar a mente e o corpo, mas o olhar de Heitor continuava vivo na minha memória. Algo dentro de mim dizia que aquela família era diferente… especial. Algo me dizia que, de alguma forma, eu já estava ligada a eles, mesmo sem saber.






