Mundo de ficçãoIniciar sessãoUm gemido. Baixo, gutural e inconfundível. Não era um gemido de dor, mas um som rouco de prazer irreprimível.
O coração de Charlotte deu um salto. Ela sabia. O cansaço transformou-se em uma dose pura de adrenalina. Sua suspeita era real. Seu corpo moveu-se por conta própria; sem pensar, apenas agindo, ela caminhou silenciosamente, deslizando os pés descalços sobre o piso de madeira em direção à sala de estar. Lá estava George, seu noivo, com Gabriela, sua subordinada. Ela era jovem, rica e disponível. As mãos de George agarravam a cintura dela, trazendo-a para mais perto. As bocas se pressionavam com uma intensidade que sugeria que nada mais existia no mundo além do calor e do cheiro um do outro. Os dedos de Gabriela estavam emaranhados no cabelo dele, e ela se mantinha na ponta dos pés, totalmente entregue. Charlotte viu a forma como os quadris dele pressionavam os dela. A exposição desavergonhada do desejo era gritante. — Podemos? Tem certeza? — ela arquejou. — Sim, a casa é nossa... ela não vem hoje — George respondeu, urgente e consumido. Cada movimento dele comunicava uma paixão que ele havia escondido da noiva. Era um fogo intenso que nunca havia acendido por Charlotte, ao menos não daquela forma animalesca. Ela ficou ali, paralisada, sentindo a dor crua de um milhão de cacos de vidro se alojando em seu peito, enquanto observava seu futuro desmoronar. Era uma piada cruel. — Ela acreditou mesmo? Você disse que se atrasou... — murmurou ela, com os dedos travessos desabotoando a camisa de George. — Mal sabia eu que o "atraso" era para me ver. George riu, um som rouco que Charlotte mal reconheceu. — O melhor tipo de atraso — ele respondeu, as mãos escorregando pelas costas dela. Charlotte, tirando o celular do bolso, começou a gravar discretamente. Não faria um escândalo agora; faria algo melhor. Prepararia uma resposta à altura para os dois. Eles se separaram apenas o suficiente para arrancar as roupas um do outro, cada peça caindo no chão como uma promessa cumprida. Os beijos desceram pelo pescoço de Gabriela enquanto as mãos de George exploravam cada curva. Estavam quase nus, os corpos contorcendo-se em um ritmo faminto. George a pressionou contra a parede, a respiração pesada. — Você está tão pronta para mim, pequena — ofegou ele, com os olhos escuros de luxúria. — Mais pronta do que quando estávamos no seu escritório à tarde? — Gabriela provocou. A respiração de Charlotte travou. Um nó gelado apertou sua garganta. A náusea foi tão intensa que ela pensou que fosse vomitar. George tomou Gabriela nos braços e a levou para o quarto deles. Charlotte ouviu o som dos corpos caindo na cama. Seus pés a levaram até a porta entreaberta. Ela a empurrou apenas o suficiente para registrar tudo, mantendo o celular firme. George a possuiu rápido, quase selvagemente. O som do impacto dos corpos era alto e impiedoso. — Eu gosto de você aqui... na minha cama... neste quarto! — ele exclamou. — Pervertido! Você fica insaciável aqui, G! — Eu quero gozar agora — ele ofegou, a voz distorcida pela pressa. Aquelas palavras atingiram o peito de Charlotte como um soco. Não era a primeira vez. Quantas vezes isso acontecia na casa dela. Na cama dela. Há quanto tempo? Em meio aos movimentos rápidos, Gabriela pressionou, com a voz cheia de triunfo: — Quem você prefere? Quem te faz gozar de verdade, G? George não hesitou. Inclinou-se ao ouvido dela e suas palavras foram lâminas de gelo no coração da noiva que não conseguia acreditar. — Você, baby. Sempre você. A Charlotte... ela é boa, mas você sabe do que eu preciso. Você é a única que sabe como me satisfazer de verdade. O corpo de Charlotte estremeceu com um frio existencial. "A Charlotte é boa". Ela era uma substituta, uma peça para manter as aparências, enquanto o desejo real era de Gabriela. Por que continuar com o casamento? — Você é insuperável, Gabi — George continuou, entre baques abafados. — A maneira como você me recebe... ninguém mais me faz sentir assim. Gabriela choramingou, agarrando o cabelo dele. — Então por que, George? Por que esse casamento estúpido? Eu não aguento mais te dividir, não aguento mais me esconder! Ele parou por um instante, a luxúria substituída por uma irritação impaciente. Encarou-a com intensidade. — Você sabe o porquê! O seu pai... ele não me aceitaria agora! — Ele cerrou os dentes e recomeçou a mover-se. — Eu não quero a Charlotte, mas minha vó decidiu que não vai liberar a herança a menos que me case com ela. Vou mantê-la apenas para receber tudo, não vou casar... Vou mnater ela até assinar o contrato, vou mostrar meu valor para a família e depois vou mandar ela embora, para sempre. — Mas... — Eu preciso manter as aparências por hora, assinar o maldito contrato de sócio e esperar, o seu pai me fez honorário, apenas quando for uma posição definitiva e eu ter a minha liberdade! Você acha que eu estaria fazendo isso se não fosse pelo Victor ou minha avó? Minha mãe está cuidando de tudo, espere só mais um pouco... A resposta veio para Charlotte. Um soco na boca do estômago. Aparência. Seu relacionamento era apenas isso. Nada mais. Os anos que apoiou e dedicou a ele, foram reduzidos a apenas um item na escalada de sucesso de George. Ele beijou Gabriela com possessividade, penetrando-a com mais força, retomando o ritmo do prazer, descontando a frustração que sentia. - Mesmo... que seja inevitável... e eu me case com ela,- ele rosnou contra o pescoço dela, movendo-se em um ritmo que tirava o fôlego de ambos - você sabe... que é com você que eu tenho prazer... Nenhuma... fachada vai mudar isso.






