Valeria
O sol entrava pelas frestas da cortina daquele quarto abafado, mas o calor que me acordou não vinha do tempo lá fora. Era o braço pesado de Pedro jogado por cima da minha cintura. Olhei para o teto descascado e soltei um suspiro longo, tentando afastar o gosto amargo da noite anterior.
Eu estava ali, deitada com o homem que dizia me amar, mas a verdade é que a sombra da idiota da Milena parecia dentro dos lençóis junto com a gente.
Pedro se mexeu ao meu lado, resmungando alto, o hálito