Mundo de ficçãoIniciar sessãoSelena Foster - Narrando
O carro parou em frente a enorme mansão. – O lugar era maior do que eu esperava.
Olhei em volta, observando os detalhes impecáveis, enquanto o motorista tirava as minhas malas do porta-malas.
—Aqui estão, senhorita! – Disse o motorista, se afastando.
Antes que eu desse um passo, a porta da entrada se abriu.
—Você deve ser Selena Foster! Entre, não temos muito tempo. – Disse uma senhora, vestindo um avental branco em cima da roupa social preta. —Sou Maria Severo, a governanta.
Dei um leve aceno de cabeça enquanto peguei as malas, indo até ela.
—Vem, vou te mostrar os aposentos e te passar algumas informações. – Disse ela caminhando na minha frente. —Bom, as crianças acordam as seis e meia. Até as sete é servido o café.
—Entendido. – Respondi.
—Lembre-se, ambos são alérgicos a nozes. Lara tem intolerância a excesso de lactose, por isso a dieta dela é regrada. A temperatura do leite é morno para ela e frio para ele. Aulas de inglês às oito. Música às dez. Esportes às quatro da tarde.
—Certo! – Falei, memorizando cada detalhe.
Maria andou comigo atravessando a sala de música e em seguida um corredor.
Ela parou abruptamente de andar e me olhou.
—Mais uma coisa que não pode ser ignorada. – Disse ela, com um semblante sério. —O corredor da ala leste é onde fica o seu dormitório. De maneira alguma invada o espaço do senhor Caldwell. Sua função é só com as crianças!
—Não se preocupe. Eu não tenho intenção nenhuma de me aproximar dele. – Respondi séria a olhando.
—Ótimo. – Disse ela, voltando a andar.
Ela abriu a porta de um quarto. Enorme e minimalista.
Os lençóis e todo o ambiente, cheirava a esterilização.
—Aqui é onde irá ficar. Os horários das refeições dos funcionários e mais detalhes sobre as regras está em cima da sua mesa. Seja bem-vinda.
—Obrigada. – Respondi, empurrando minhas malas para dentro, me virando para Maria em seguida. —Senhora Severo, as crianças são...tranquilas?
—Tranquilas? – Perguntou Maria, segurando meu olhar. —Eles estão acordados. Vem que vou te mostrar.
Caminhei com ela subindo a escada, até o quarto das crianças. O lugar era mais escuro, com quadros na parede e um enorme tapete persa no corredor.
Antes mesmo de chegarmos à porta do quarto dos pequenos, ouvi cochichos.
— Ela chegou?
— Acho que sim. — Vamos testar.Ergui as sobrancelhas. Testar?
Maria abriu a porta.
— Crianças, esta é Selena. Sua nova babá. – Disse ela, me olhando e dando alguns t***s no meu ombro. —Boa sorte!
Maria se retirou, me deixando sozinha com eles.
Respirei fundo e me virei para olhá-los.
Lara estava sentada no tapete, abraçando um urso de pelúcia. Ela tinha duas tranças nos cabelos e um olhar curioso demais.
Já Noah, estava sentado na cama com os braços cruzados, me analisando com atenção.
Sorri para eles e acenei.
— Oi. Eu sou a ...
Antes que eu continuasse a falar, Lara correu para o banheiro e bateu a porta.
Imediatamente ouvi o som da torneira aberta e água caindo.
Olhei para Noah, mostrando a minha confusão.
— Ela…O que está acontecendo? – Perguntei incrédula.
— Vai ver! — respondeu Noah, apontando para o banheiro.
De repente, ouvi um grito estridente e corri até lá, vendo água se espalhar por toda parte.
Fechei a torneira rapidamente e peguei uma toalha, colocando em volta da Lara a tirando de lá.
Quando voltei, Noah não estava mais lá.
Encontrei-o no corredor tentando empurrar um carrinho cheio de livros em direção à escada.
— Ei, ei — segurei o carrinho antes que descesse. — O que está fazendo?
Assim que falei, eles deram risadas.
— A antiga babá quebrou as pernas caindo da escada! – Disse Noah com sarcasmo.
Apoiei o carrinho na parede, voltando até eles.
— Então vamos evitar acidentes hoje, tudo bem?
Noah balançou a cabeça concordando, mas seu sorriso era maquiavélico.
Quando virei para olhar para trás, Lara segurava um pote de glitter.
Ela estava coberta pelo brilho e não satisfeita, jogou o pote para cima, derrubando por todo tapete persa do corredor.
—Essa não! – Falei soltando um suspiro.
Eu precisava dar um jeito. Eu não podia desistir.
Naquele momento, lembrei das dívidas e do que me fez aceitar aquele trabalho.
Se eu desistisse agora, teria que pagar uma multa que eu nem conseguia calcular.
Respirei fundo e sorri minimalista.
—Certo, crianças, por que não fazemos um acordo?
—Que acordo? – Perguntou Noah, me olhando.
Lara cruzou os braços e formou um bico em seus lábios.
—Não somos bobos. Você quer nos enganar!
Eu me aproximei deles e me abaixei.
—Eu não estou aqui para enganar ninguém. Estou aqui para cuidar de vocês. E para isso, vocês precisam colaborar.
—Mas nenhuma babá cuidou de nós. Elas só queriam saber do nosso tio.
—Eu não sou como elas. Prometo! Agora, vamos limpar isso, antes que o tio de vocês chegue.







