Mundo ficciónIniciar sesiónLUÍS
Acordei com o bip do celular. Havia várias mensagens, e uma delas era da Nara. Visualizei rapidamente e, do nada, ela avisava que estava chegando. Que mulher imprevisível é essa? Nara sendo Nara. Dei um pulo da cama, me arrumei o mais rápido que pude e fui ao encontro dela. Quando cheguei ao aeroporto, olhei o relógio e fiquei atento, aguardando a chegada de Nara. Alguns minutos se passaram e, enfim, ela apareceu, tão linda que o meu coração disparou só de vê-la. — Está tudo bem, Luís? — Nara me cumprimentou com um abraço. Retribuí o abraço apertado, porque tinha vontade de morar nele. A saudade que eu sentia dela estava acumulada. — Ei, que carência é essa? Não arrumou uma namorada esse tempo todo? — Nara perguntou. — Debochada você. Sabe muito bem por quem sou apaixonado. — respondi, sem vergonha nenhuma. — Por mim ainda, Luís? Pensei que você já tivesse casado. — ela questionou. — Estou te esperando até hoje. — falei, beijando sua mão. — Vamos, Luís. Ainda hoje quero fazer uma surpresa ao meu irmão. — Nara disse, animada. — Bem que você poderia vir morar comigo. — fiz o convite, abrindo a porta do carro para ela. — Jamais! Seremos apenas vizinhos. Morar juntos, não. — Nara rebateu. Nara está mais difícil do que nunca! Levei-a para casa. Estou mega feliz por ela morar no mesmo condomínio que eu. Seremos praticamente vizinhos! Depois de deixá-la em casa, troquei de roupa e fui para a empresa, porque tinha uma reunião com Richard. Quando cheguei... — Bom dia! Buscou sua dona no aeroporto? — Richard perguntou. — Fui. Ela está mais linda do que nunca, mais mulher. Vou investir pesado nela. Quero ela só para mim. — respondi, sério. — Eu pensava que esse amor era coisa de adolescente. Você é obcecado pela Nara. — Richard falou, sem acreditar. — Obcecado? Eu sou fã da Nara. Não sou igual a você, que fica com uma e outra e não se apaixona por ninguém. — toquei na ferida dele. — Olha lá como fala comigo! Sempre namorei sério. Só não sou obrigado a manter um relacionamento que não está dando certo. Quero alguém que entenda o meu ritmo. Olha só como a gente vive, trabalhando de um lado para o outro. Não dá tempo nem de conhecer uma mulher direito. — Richard desabafou. — Isso é verdade. Não vou falar mais nada. Você está coberto de razão. Richard estava certo. Ele já namorou e até ficou noivo, mas, com a correria da nossa rotina, sempre de um lado para o outro, alguns relacionamentos acabam chegando ao fim. Eu nunca tive namorada. Sempre sonhei apenas com uma mulher: Nara. Falando nela, ela já ligou para Richard convocando uma bendita reunião da ONG. Foi ela quem fez Richard e eu montarmos tudo para esse projeto. Divido meu tempo entre a empresa e o hospital. Depois de resolver alguns problemas empresariais, almocei por ali mesmo e, em seguida, fui para o hospital, minha segunda profissão e uma das maiores paixões da minha vida. Hoje eu tinha algumas cirurgias para realizar. Penso seriamente em me aposentar das salas cirúrgicas. Algumas pacientes da clínica fazem questão de operar apenas comigo, mas confesso que estou cansado. Quero me dedicar somente às minhas empresas. A tarde foi longa. Realizei todas as cirurgias marcadas naquele renomado hospital, o primeiro fundado pelo meu pai e que hoje é administrado pelo meu irmão Álvaro, que também é médico e CEO de todas as unidades. Quando terminei, fui para o meu escritório, e ele apareceu, como sempre. — Como vai, irmão? Suas cirurgias hoje foram todas um sucesso. — Álvaro falou, sentando-se à minha frente. — Mais um dia concluído com sucesso. Quando se ama o que faz, o sucesso é consequência. — falei, cansado. — A patricinha da Nara conversou comigo, querendo fechar uma parceria com a ONG dela. — Não fala assim da minha abelha-rainha. É um projeto lindo. Eu aconselho você a apoiar. — defendi Nara. — Sim, vou apoiar. — Álvaro respondeu, sério. Antes de encerrar meu plantão, visitei novamente todos os pacientes. Felizmente, todos estavam se recuperando bem. Conversei mais um pouco com Álvaro, que me fez um convite para começar a realizar cirurgias em crianças com lábio leporino. Aceitei a proposta imediatamente, mas com uma condição. Queria que ele abrisse vagas para crianças que não tivessem condições de pagar pelo procedimento. — Ah, não, Luís! Você quer transformar o meu hospital em obra de caridade? — Álvaro perguntou, incrédulo. — Não. Isso é um projeto social. Pensa com carinho. — pedi, tranquilamente. — Você está igual à mamãe, caridoso demais. — Álvaro respondeu, irritado. Comecei a rir dele. Álvaro é o mais rebelde, o mais difícil e o mais durão. Não puxou em nada a nossa mãe. Ela é simples, humilde e tem um coração enorme. Somos três homens, contando com o meu pai, mas dona Luiza é quem manda em tudo, e Álvaro ainda não entendeu isso. Deixei-o sozinho, cheio de dúvidas e pensando no que eu havia dito. Com o plantão encerrado, entrei no carro e respirei fundo, orgulhoso por ser o único homem do mundo governado por mulheres. Todas as minhas gerentes e colaboradoras são mulheres. Melhor nem ligar o telefone. Numa hora dessas, elas já devem estar me enlouquecendo. Passei na minha clínica de estética e, lá também, meu braço direito é uma mulher. Ela me atualizou sobre toda a situação da clínica, falou da nova campanha de marketing e foi aí que pensei novamente na minha abelha-rainha. Nara é fotógrafa e irá trabalhar comigo nesse projeto. Cheguei em casa já era noite. Tomei um banho rápido para chegar a tempo à casa de Nara e, mesmo cansado, bati à sua porta. — Entra, Luís. A porta está aberta. — Nara falou. — Já estava me esperando, é? — brinquei. — Começou? Brincadeiras à parte, chame o Richard agora. Precisamos ajustar os últimos detalhes sobre a ONG. — Você realmente não me leva a sério. — disse baixinho, encarando Nara. — Luís, me ouve! Conversei com seu irmão. Ele ficou de me responder se vai apoiar a ONG. Trate de convencê-lo. Algum problema? — Nara perguntou. — Estou apenas admirando você. Está linda demais. — Um dia essa carência passa. Pode ter certeza. — Nara esnobou meus elogios. Liguei para Richard, que chegou o mais rápido que pôde. Ele e Nara se abraçaram e, ainda por cima, ele pediu para eu não sentir ciúmes. Surtei com aquele deboche. — Lembra, Nara, de quando estudávamos? Sempre nos reuníamos desse jeito. — Richard relembrou. — Lembro. Hoje somos diferentes. Estamos discutindo assuntos de adultos. Vamos ao que interessa. Faltam alguns ajustes para inaugurar a minha ONG, e um deles o Luís vai resolver. — O super-homem. — Richard falou, rindo. — Desde a adolescência é assim. As bombas ela sempre j**a no meu colo. — resmunguei. Nara sorriu e, como sempre, me tinha nas mãos. Contei sobre a nova campanha de marketing da minha clínica. Nara aceitou ser a fotógrafa e ainda deu a ideia de usar algumas mulheres da ONG como modelos. Eu adorei a ideia e, a cada dia, me apaixonava ainda mais por ela. — Vamos trabalhar nós três juntos. Vim passar alguns meses aqui, e vai dar tempo para tudo. — Nara falou. — Mal chegou e já quer voltar? — perguntei, sem acreditar no que estava ouvindo. — Luís não vai aguentar se você for embora novamente. — Richard debochou. — Somos amigos e vocês sabem que eu adoro viajar pelo mundo. — Vou embora, porque daqui não saiu nem um copo de água. Vamos jantar? Vem conosco, Nara? — fiz o convite. — Estou cansada, mas me esperem. Eu vou mesmo assim. Esperamos por ela e saímos os três juntos. Enquanto caminhávamos, percebi que Nara havia voltado mais misteriosa do que nunca. O que será que aconteceu com ela durante todo esse tempo em que esteve fora?






