MAITÊ
O cerco havia se fechado , me sentia gelada diante dos últimos acontecimentos.
O carro deslizou pela avenida como um fantasma – silencioso , invisível , rápido demais para ser notado. Encostei a cabeça no vidro e deixei o frio da madrugada apagar o calor que ainda queimava dentro de mim. Meus dedos tremiam no colo, e por um instante , pensei em pedir que Carlos parasse . Que me deixasse sair. Que eu desaparecesse dali, sumisse sem deixar vestígio.
Mas era tarde demais para desaparecer.