POV AMARA
8 meses. Oito meses. Oito meses sentindo medo e esperança brigarem dentro do meu corpo. E hoje… hoje é o dia em que tudo pode mudar.
A manhã começa antes do sol.
Eu acordo com a barriga pesada, latejante, a pele repuxando como se meu filho estivesse tentando me lembrar que falta pouco. Pouquíssimo. O ar da mansão está frio, mas eu estou quente demais, suando leve, aquele desconforto típico da reta final da gestação.
Eu me sento devagar, segurando a lateral da cama, respirando fundo, tentando controlar a ansiedade. Hoje não é uma simples consulta. Hoje é ultrassom. Hoje é exame de rotina avançado. Hoje é ver o rosto dele com mais detalhes, ouvir o coração, checar tudo.
Hoje é me lembrar que existe vida crescendo dentro de mim… em contraste brutal com toda a ruína que me trouxe até aqui.
Eu me levanto, vou até o espelho. Eu não pareço mais a mulher que desabou meses atrás. Eu pareço… alguém que está tentando se reconstruir, mesmo que cada tijolo doa.
Visto um vestido confortá