Aprendi a Desfrutar da Minha Solidão
Aprendi a Desfrutar da Minha Solidão
Por: Raposa Errante
Capítulo 1
Quando o show acabou, a multidão se espremeu em direção à saída.

Valentina segurava aquele buquê de rosas. Seu rosto estava vermelho por causa da febre, mas ela se recusava a entregar as flores para outra pessoa.

Felipe ajeitou o xale sobre os ombros dela.

— Vamos primeiro à enfermaria para medir a sua temperatura.

Valentina murmurou:

— Mas a Camila ainda não tirou foto. Ela não queria tirar uma na frente do castelo?

Só então Felipe olhou para mim.

Parecia que ele finalmente havia se lembrado de quem era o aniversário que deveríamos comemorar esta noite.

— Você quer tirar foto?

Eu o encarei.

Ele ainda segurava o celular de Valentina. A tela exibia a foto que eles haviam acabado de tirar com os fogos.

O aniversário de três anos na Disney.

A última foto do roteiro turístico deles.

Aquele dia, que ela esperava há tanto tempo, não era algo que ele tinha começado a planejar apenas hoje.

Balancei a cabeça.

— Não precisa.

Felipe franziu a testa.

— O que foi dessa vez?

Valentina tossiu duas vezes e apertou os dedos na manga da camisa dele.

— Felipe, será que a Camila está brava? É melhor eu ir embora, eu nem deveria ter vindo.

Enquanto falava, ela tentou empurrar as rosas para mim.

Felipe segurou a mão dela imediatamente.

— Você está com uma febre alta, por que está se agitando?

Ele virou a cabeça e disse para mim:

— Camila, não faça essa cara. Ela não está se sentindo bem, então apenas finja que hoje você a acompanhou para realizar um sonho.

— E o meu sonho?

Fiquei surpresa comigo mesma quando essas palavras saíram da minha boca.

Felipe também travou.

Mas, logo em seguida, ele deu uma risada:

— Você não é a pessoa que menos acredita nesses contos de fadas? Por que hoje resolveu implicar com o sonho de princesa dela?

Eu quis desviar o rosto.

Porém, no instante em que abaixei o olhar, acabei reparando na barra do vestido de Valentina.

Lá estava o adesivo com a inscrição [Sr. Felipe e Srta. Valentina].

De repente, senti um nó forte na garganta.

Vendo que eu permanecia calada, Felipe estendeu a mão e me puxou para perto.

— Chega, pare de confusão. Quando ela terminar de medir a febre, eu acompanho você para comprar aquele balde de pipoca.

Fiquei paralisada por um momento.

Eu apenas tinha olhado um pouco mais para aquele balde de pipoca na barraquinha.

Naquele instante, Felipe estava de cabeça baixa respondendo a uma mensagem de Valentina. Eu achava que ele nem havia notado.

Mas, de alguma forma, ele ainda se lembrava.

Meu coração estava quase amolecendo quando Valentina subitamente cambaleou.

Felipe me soltou quase por instinto e amparou a cintura dela.

— Valentina?

— Eu estou bem, só sinto um pouco de frio.

Felipe tirou o próprio casaco e colocou sobre ela. Depois, pegou o copo de café quente da minha mão, colocou o canudo e o levou até os lábios de Valentina.

— Dê alguns goles primeiro.

Abaixei a cabeça e olhei para as minhas mãos vazias.

Aquele café quente tinha sido comprado por ele após esperar quinze minutos na fila.

Quando ele me entregou, ainda me disse: “O seu estômago é frágil, então não tome nada gelado.”

Agora, Valentina mordia o canudo e dizia com uma voz suave:

— O nível de açúcar está ótimo.

Felipe acariciou o cabelo dela.

— Você não bebe sempre com esse nível de açúcar?

As minhas mãos foram esfriando pouco a pouco.

Afinal, o nível de açúcar exclusivo do meu café também pertencia a outra pessoa.

Na enfermaria, a enfermeira explicou que Valentina estava com uma febre leve e recomendou que ela não ficasse mais no vento.

Imediatamente, Felipe pediu ao motorista que levasse o carro até a saída mais próxima.

Caminhei logo atrás deles. O cupcake que eu segurava já estava completamente esmagado.

Ao entrar no carro, Valentina abriu a porta do passageiro com naturalidade.

Felipe ergueu a mão para proteger a cabeça dela. Ele agiu com uma fluidez que provava não ser a primeira vez.

Fiquei parada ao lado do carro.

Ele olhou para mim, e seu tom de voz se tornou um pouco mais frio.

— Vá no banco de trás, a Valentina enjoa no carro.

O banco de trás estava cheio com as coisas dela. Havia rosas, a tiara, o xale e até a caixa do presente de três anos.

Sentei-me segurando o cupcake e senti um galho de rosa espetar o meu joelho.

Felipe notou isso pelo espelho retrovisor e esticou a mão para tirar as flores do caminho.

Porém, Valentina segurou o buquê de leve.

— Não vá amassar as flores, o Felipe passou muito tempo preparando isso para mim.

A mão dele parou no ar e acabou recuando.

— Camila, afaste-se um pouco para o lado.

Do lado de fora da janela do carro, os fogos do castelo ainda brilhavam no céu.

Abaixei a cabeça e desbloqueei o celular.

Três minutos antes, Valentina havia feito uma postagem no Instagram.

[No terceiro ano, finalmente completei a última foto.]

Na imagem, Felipe segurava as rosas para ela, enquanto os fogos desabrochavam logo acima deles.

Na seção de comentários, alguém perguntou:

[Isso está parecendo muito com um pedido de casamento, né?]

Valentina respondeu com um emoji tímido.

Felipe não fez questão de explicar.

Já eu abri o aplicativo de passagens e deixei o meu olhar fixo na tela por muito tempo.

Por fim, comprei uma passagem só de ida para a Capital. O voo seria daqui a três dias.

Naquela cidade, não existiam castelos.

E também não existiria o Felipe.

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