capítulo 2

Helena Lourenço

Olá eu me chamo Helena tenho 24 anos e vou contar uma história da minha vida.

Digamos que não tenho a melhor carreira e nem a melhor vida do mundo porque não tenho. Já sofri e ainda sofro muito na minha vida querendo sempre algo melhor pra mim a minha filha e minha irmã que mora comigo.

Minha família era quase normal na parte da manhã minha mãe trabalhava em um hotel de copacabana e a noite ela trabalhava em um restaurante fino, ali ela ajudava na cozinha pois sempre foi muito boa no que fazia. Ela era o pilar da casa, quando eu tinha meus 17 anos e sempre fui muito focada nos estudos para poder compensar todo esforço que minha mãe fazia.

Nos morávamos na Rocinha e aqui não tinha dia e nem hora para se ter invasão ou tiroteio com a polícia e isso nos deixava super aflitos, Helen tinha apenas 10 anos e também sempre foi uma menina exemplar que qualquer pai ou mãe teria orgulho, pena que meu pai não pensava assim quando resolveu ir embora com outra mulher, só porque ela tinha mais dinheiro, só que isso não durou muito pois o marido da mulher descobriu a traição e matou os dois dentro do quarto de um motel de luxo no Leblon.

Só chamaram minha mãe para reconhecer o corpo pois ele já não tinha convivência com seu irmão Peter a muito tempo, ele era mais novo que meu pai e nem parece ser irmãos real mesmo. Pois meu tio sempre foi trabalhador e meu pai um folgado que dependia da minha mãe. Então quando ele morreu não teve choro e nem dor pela sua morte já que ele nunca fez nada por nós...

7 anos atrás

Eu estava na casa da minha prima Priscila pois tinha ido fazer um trabalho super importante da escola e ele estava valendo nota. Eu me dava muito bem com meu tio, minha tia e meus primos e claro que com a Priscila era muito mais que isso, nos duas era amigas de verdade, não tinha mentiras e nem inveja entre nos duas, já que eu era pobre e ela vivia muito bem. Meu tio ajudava, mas nada melhor do que ter seu próprio dinheiro.

- Nossa Helena você tem que sair, se divertir um pouco sabe.

- Você só fica nessa de casa pra escola e vice e versa.. Ela me da bronca.

-É priminha mas eu não tenho sua vida, a minha é bem diferente da sua e pode ter certeza que depois que eu me formar e ser alguém na vida ai sim eu posso ir a uma festinha com você... Rio e do um beijo nela.

- Muito bem minha sobrinha é assim que se fala.. - Nossa vida tem que ser baseada de foco e determinação.

* Meu tio entra no quarto*

- Pai!! Custa bater na porta?

-Calma filha, só vim dar oi pra minha sobrinha. Ele levanta as mãos em sinal de rendição.

- Está bem tio, sempre serei focada... Pena que a vida tinha outros planos pra mim.

-Isso, não queira ser igual seu pai que era um parasita, você tem 17 anos e logo pode entrar trabalhar comigo na empresa, mesmo começando como uma secretaria e ir crescendo aos poucos...

* ele beija minha cabeça e sai"

- Ah vê se desce pra jantar esta bem?

Ta pai nos já vamos.

[•••]

Terminamos o trabalho, eu arrumo minhas coisas e fomos jantar, minha tia arrasava na cozinha e ela sempre me tratou com amor e muito respeito, Helen também sempre vinha aqui e ela adorava isso, ja que aqui só estava a Priscila o Bruno estava na França estudando. Priscila tem minha idade e Bruno tem 22 anos e é super legal também.

- Tia obrigada por tudo, agora tenho que ir.

-Vamos eu te levo em casa... Diz meu tio.

-Magina tio não precisa vou de táxi..

-Nem pensar, eu vou com você, espera só eu pegar a chave do carro okay.

Antes de sairmos meu tio é surpreendido com uma ligação de não sei quem e como era importante eu fui sozinha, não queria incomodar. *Priscila chamou o táxi e fui embora*.

Chego no morro e quase imploro para que o motorista suba e ele com medo se nega. Afinal a noite qualquer carro suspeito era fuzilado sem nem ao menos se dar chance de fulga.

- Moço por favor,  você sobe o morro?

-Hum, desculpa mocinha mais eu subo não.

-Ah não, por favor eu te dou mais 10 reais.

- Subo não moça,  lá é perigoso de mais. - Quero manter minha vida, afinal acabei de ser pai.

- A ta então, parabéns pelo bebê...

- Desculpa mesmo tá... -Sem problemas tchau...

∆••••••∆

Desso do carro e começo a subir as ruas que mais parecem a escadaria do Cristo redentor... Quando faltava algumas ruas pra chegar em casa sinto alguém me puxar no beco escuro e eu começo a gritar por socorro e ele tampa minha boca, ele deveria ter uns 20 anos, era forte e musculoso e  por mais que eu tentasse escapar ele era bem mais forte que eu. Ele beijava meu pescoço tentando beijar minha boca e eu me recusava a deixar, ele então me da um forte soco no rosto e sinto raiva, dor e nojo.

Suas mãos me segura firme na parede e eu gritava e pedia socorro e nada,  e nessas horas cadê os seguranças já que aqui tinha a lei de não ter estupro. Eu choro quando sinto ele me penetrar ja que eu estava de vestido e olha que não era curto, ele bomba algumas vezes e eu grito alto pedindo a Deus que alguém me ouvisse, então sem perda de tempo ele goza dentro de mim. Minhas lágrimas eram de dor e ódio, como pode ser eu nunca quis me entregar pra ninguém e agora isso, eu chorava muito quando ele me jogou no chão.

Ele se levanta e diz.

- Gostosa você é uma delícia sabia, e será minha sempre que eu quiser... Sua voz me dava medo e eu chorava mais ainda.

Ele ergue sua calça e antes que ele consiga fugir dois seguranças aparece e um dos seguranças o pega e o outro me ajuda a se levantar, eu estava sangrando e com muita dor.

-Seu desgraçado, você vai ter uma conversinha com o chefe... Estuprador do caralho... Ele cospe na cara dele.

-Vem Lena... Vem que você vai junto okay,  vai deletar esse vagabundo para o chefão. Marquinho me ajuda a se levantar.

Os meninos me ajudam a caminhar e passa o rádio pro JP e o mesmo manda levar ele pro lugar de sempre.

- E ai JP esse maldito abusou da Lena cara e agora. - Maldito... JP tinha muita raiva. Ele me respeitava afinal eu e sua irmã era muito amigas e minha mãe da mãe dele.

[•••]

Todos me chamavam de Lena já que sabiam que minha mãe apenas corria pelo certo e eu também. Eles nunca me viram fazer nada de errado e muito menos ficar com algum homem aqui na quebrada ou qualquer outro lugar.

- MC leva a menina embora e da um apoio la na casa dela okay. Manda JP.

-Amanhã eu passo lá.. - Agora vou cuidar da donzela aqui. Os meninos riem e eu não me importo nem um pouco.

Sai do galpão que eles cuidavam de quem desrespeitaram as regras e vou pra casa, ouço o rapaz gritar e logo em seguida ouço tiros. Chego em casa e o MC entrou comigo, como hoje é quarta - feira era folga da minha mãe eu chego e a abraço forte, o MC conta o que houve e ela chora comigo.

[•••]

- Filha vou ter que levar você ao médico e assim você se cuidar de agora em diante. Ela chorava muito.

- Esta bem mamãe.. Choro com ela.

No dia seguinte antes de nos ir pra escola e minha mãe ir trabalhar alguém b**e no portão chamando meu nome, e minha mãe sai para atender, nesse momento só escuto os disparos e saio correndo vejo uma mulher correr e minha mãe ali baleada e quase morrendo.

-Socorro... Alguém me ajuda... Mãe não me deixa....

-Eu te amo... Cuida da sua irmã... Foi suas últimas palavras.

-Mãe eeeeeeeeee .... - Mãe por favor... Nãooooooo... - Não faz isso.. - Não me deixa por favor.... Era tarde... Muito tarde..

Começou a chegar muita gente eu e Helen ali abraçadas ao corpo da nossa mãe. Não queríamos sair dali de jeito nenhum e logo o JP estava aqui e todos os outros seguranças querendo saber o que houve e eu apenas falei o que aconteceu.

- Não sei.. Me chamaram no portão e minha Mãe saiu pra ver quem era... Essas balas era pra mim. - Minha mãe morreu no meu lugar. Choro muito.

- Você viu quem foi? Pergunta o JP nervoso.

- O rosto não, só vi uma mulher correr ela tinha cabelos ruivos.

- Vai.. Vai.. vocês já sabem quem é o que fazer.. Ele mandou e os meninos saem  cumprir suas ordens.

- Fica tranquila okay ... - Dona Lurdes vai ter o melhor em seu funeral okay.

- JP, não tenho como pagar... Choro mais ainda.

- Fica tranquila okay. Sua mãe era responsa e já ajudou minha mãe também. - Faço de coração e sem querer nada em troca.

- Sua mãe foi a única que cuidou com carinho da minha coroa enquanto o câncer matava ela dia após dia. Você é como uma irmã mais nova ta ligada. - Igual a Rayssa okay.

Depois do enterro tudo mudou ... Eu precisei mudar e sou isso que sou hoje... Meus tios tinham viajado para resolver assuntos de trabalho e nem no enterro puderam vir.

- Oh minha linda, logo estaremos ai e ficaremos juntas... E outra vez o destino prega peça na gente.

7 anos depois

Hoje eu tenho 24 anos e sou uma das prostitutas mais procuradas da barra da tijuca, sim eu sai da Rocinha e não foi fácil, eu não iria virar fiel de bandido e muito menos ficar dependendo do JP pra nada. Eu recebi um dinheiro do hotel que minha mãe trabalhava e do restaurante também, mas não foi muita coisa e consegui pagar as contas atrasadas. Eu e a Helen passamos fome e muitas necessidades, quando se passou dois meses que minha mãe tinha morrido eu descobri minha gravidez e nunca que eu iria tirar um filho meu, não importa que seja fruto daquele maldito estupro eu sou mulher e iria criar e criei minhas meninas.

∆°°°°∆

Saio dos meus pensamentos com o celular tocando e era minha tia.

- Oi lindinha vem almoçar aqui hoje vem... Ela sabia de tudo porque eu contei a ela.

-Não sei tia.. -Tenho coisas a fazer..

*Eu tinha dois programas marcados*

Deixa eu explicar pera ai.

No começo eu tentei arrumar serviço e nada, até que me vi bem fraca de leite para alimentar Heloísa e sem comida pra dar pra Helen então foi aonde eu conversei com o Luizão e ele me ajeitou um PG, ele cobrava 100 reais e metade era dele, ou seja eu estava entregando meu corpo por 50 reais, foda se ninguém me dava nada.

Na época meus tios estava na França pois o trabalho do meu tio exigia isso dele. Fui fiz o programa peguei o dinheiro e comprei leite e comida em casa. Nos não pagava aluguel já que a casa era da minha vó e ela deixou pra minha mãe, depois daquela noite resolvi trabalhar pra mim mesma, afinal eu era muito bonita e todos me queriam,  logo me tornei a mais procuradas das prostitutas aqui da barra da Tijuca.  Talita esse era meu nome de guerra.

Comecei a cobrar 500 reais cada PG e com isso fui guardando o dinheiro e logo conheci o Natan ele era um ministro poderoso, ele me pediu que eu passasse um final de semana com ele, nisso ele me deu 25 mil reais e eu consegui dar entrada na minha casa em copacabana. Natan foi a ponte que eu precisava, ele me recomendava a seus amigos e todos pagavam sem reclamar.

Jantar e se passar por companhia era mais caro e então ai tudo começou a fazer sentido na minha vida. E me tornei uma Prostituta.

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