— Eu não fiz nada! — Sofia estava completamente atordoada.
Antes que pudesse terminar de falar, Taís surgiu correndo.
— Sra. Sofia, eu já fui tolerante o bastante! Por que você insiste em me destruir, vez após vez? — Apontando para Sofia, ela a acusou aos berros, quase perdendo a voz.
Dito isso, ela abriu a parte da frente da roupa, revelando uma grande extensão de hematomas horríveis e marcas avermelhadas de origem suspeita ao redor da clavícula.
— Isso é o que você chama de não ter feito nada? Se o Alexandre não tivesse chegado a tempo, eu estaria ferrada...
Ao ver aquelas marcas, a expressão de Alexandre ficou ainda mais sombria.
— Sofia, como você ousa?! Eu te disse que, se você se atrevesse a fazer qualquer coisa contra Taís de novo, eu não a perdoaria. Por que você é tão teimosa?
— Eu não fiz isso! Alexandre, você pode investigar! Não fui eu! — Sofia tentou desesperadamente se explicar.
— Você ainda está tentando se justificar?! — Os olhos de Alexandre estavam vermelhos de raiva. Ele agarrou o pescoço dela com força. — Sofia, eu que pensei que você realmente não se importava mais, por isso tinha queimado aquelas coisas. Então você só queria baixar a minha guarda para poder atacar a Taís! Você se esqueceu de que tudo o que você tem é graças a mim?! Eu te dei dinheiro, não para que você o use para se voltar contra mim! — Ele fez uma pausa e chamou seus seguranças. — Venham! Levem-na para o clube clandestino. Façam questão de ensiná-la como agradar um homem que banca por ela!
De repente, um estrondo soou ao lado dos ouvidos de Sofia. Sua garganta parecia ter sido selada com concreto. Até sua respiração parou. Tremendo da cabeça aos pés, ela soltou uma risada fraca.
— Alexandre, você realmente vai me mandar para um lugar desses?
— No momento em que você machucou Taís, já deveria saber que teria de pagar o preço! — A expressão dele era fria e sombria, e sua voz não carregava o menor traço de emoção.
Ao ouvir aquilo, Sofia sentiu o coração ser dilacerado.
O clube clandestino era conhecido como um verdadeiro inferno na terra. Das mulheres que entravam ali, nove em cada dez acabavam mortas ou enlouqueciam. Ninguém jamais conseguia deixar aquele lugar ileso!
E Alexandre realmente estava disposto a chegar a esse ponto por Taís!
Os olhos de Sofia ficaram vermelhos como sangue. Reunindo toda a força que ainda lhe restava, ela o empurrou para longe. Correu até a mesa, pegou a faca de frutas que estava sobre o prato e a encostou contra a própria garganta.
— Alexandre, se você vai me mandar para lá, é melhor me matar de uma vez! — Cada palavra saiu carregada de desespero.
As pupilas de Alexandre dilataram, seu corpo inteiro ficou rígido. Seus olhos se encheram de uma preocupação tão intensa que beirava o pânico.
— Não faça isso! Sofi, não seja impulsiva. Vamos conversar direito, nós... — As palavras escaparam de seus lábios.
Vendo que ele estava prestes a ceder, a expressão de Taís tornou-se cada vez mais sombria.
— Esquece! — Ela cerrou os dentes e, chorando aos berros, correu em direção à varanda, interrompendo Alexandre. — Eu sou apenas uma mulher desprezível e insignificante. Como poderia esperar que a digníssima Sra. Sofia pagasse pelos meus pecados? Alexandre, ela está fingindo, e você vai acreditar nela de novo? Eu fui humilhada a esse ponto... Eu é que realmente não tenho mais como continuar vivendo! — Assim que terminou de falar, Taís passou por cima da grade da varanda e saltou do segundo andar.
Um estrondo ecoou e ela caiu pesadamente sobre os arbustos do jardim dos fundos.
O corpo inteiro de Alexandre ficou rígido. Um rugido baixo, dilacerante, escapou de sua garganta, e ele se virou, correndo para fora aos tropeços.
Sofia ainda estava mergulhada no choque e baixou a mão sem forças. Só quando a faca de frutas caiu no chão com um ruído metálico ela finalmente voltou a si e correu atrás dele.
Taís estava caída em meio a uma poça de sangue. Como o segundo andar não era muito alto e os arbustos haviam amortecido a queda, ela estava ferida, mas permanecia consciente.
— Alexandre... não se preocupe comigo, deixe-me morrer... — Fragilizada, ela se aninhou nos braços de Alexandre, chorando copiosamente.
— Não diga bobagens! Eu não vou deixar a Sofia sair impune. Vou fazer justiça por você! — Alexandre a abraçou com força, o rosto sombrio. — Aguente firme. A ambulância já está chegando.
Taís ergueu os olhos lentamente. Seu olhar passou por cima do ombro de Alexandre e encontrou Sofia, parada não muito longe. Aos poucos, um sorriso sombrio surgiu em seu rosto pálido.
Seus olhos estavam cheios de deboche e satisfação, como se dissessem em silêncio: "Sofia, acabou para você!"
E, de fato, quando a ambulância chegou, Alexandre pegou Taís nos braços. Antes de partir, lançou a Sofia um olhar desprovido de qualquer calor.
— O que estão esperando?! Levem-na para o clube clandestino e façam-na pagar pelo que fez!
Os seguranças avançaram imediatamente e pressionaram Sofia contra o chão, antes mesmo que ela conseguisse reagir.
Sua bochecha bateu contra uma pequena pedra pontiaguda, que abriu instantaneamente um corte, causando uma dor excruciante.
Alexandre a observou de cima, com um olhar de desdém. Viu o sangue escorrer de seu rosto diante de seus próprios olhos, mas não demonstrou o menor sinal de compaixão.
— Daqui a três horas, mandarei alguém libertá-la. Lembre-se bem desta lição e não volte a desafiar os meus limites!
Depois disso, virou-se e foi embora sem olhar para trás.
Os seguranças ergueram Sofia e a levaram à força para o clube clandestino, onde a jogaram naquele covil frio e demoníaco.
No instante em que as portas se fecharam, as luzes ao redor se acenderam de uma só vez.
Uma dúzia de homens, cada um segurando um chicote nas mãos, começou a se aproximar lentamente dela...