Capítulo 6
O chicote cortou o ar com um estalo feroz, emitindo um som agudo e penetrante.

A primeira chicotada atingiu as costas de Sofia, deixando-as ensanguentadas.

Sua boca estava amordaçada com um pedaço de pano velho, impedindo-a de soltar sequer um grito de dor. Quando a dor não podia ser extravasada, ela apenas se espalhava de forma ainda mais cruel por todo o corpo.

Mas, antes mesmo que conseguisse suportar aquela agonia, o chicote desceu novamente.

Uma vez após outra. Os estalos ecoavam sem parar pelo quarto fechado.

Sofia desejava morrer de tanta dor, encolhida no chão.

— Vocês não podem fazer isso comigo! — Com dificuldade, ergueu a cabeça e conseguiu forçar uma voz rouca para fora da garganta.

Ninguém, porém, lhe deu atenção.

O sangue se espalhava pelo chão, misturado ao cheiro peculiar daquele clube, criando uma atmosfera especialmente sinistra.

A consciência de Sofia começou a se perder em meio àquela surra interminável. Mas, sempre que estava prestes a desmaiar, alguém despejava bebida alcoólica de alto teor sobre seu rosto para despertá-la.

As lágrimas e o muco escorriam por todo o rosto de Sofia.

Novecentas e noventa e nove chicotadas.

Ela contou cada uma delas com absoluta clareza.

O desespero a dominou, mas ela só podia cerrar os dentes e continuar suportando. Porque seu pai ainda estava esperando por ela.

Finalmente, os homens pararam. Um deles deu um chute debochado em Sofia, que estava encolhida no chão, e todos caíram na risada.

— O Sr. Alexandre estava certo. Essa mulher é capaz de suportar qualquer sofrimento quando há dinheiro envolvido!

— É por isso, Sra. Sofia, que você precisa aprender a lição. Seja mais obediente e submissa!

Sofia fechou os olhos em silêncio.

Justo quando pensava que aquele tormento finalmente havia acabado, as portas se abriram outra vez. Algumas mulheres de meia-idade, com expressões ferozes, entraram uma atrás da outra e cercaram Sofia.

— Srta. Sofia, o Sr. Alexandre nos pediu para te ensinar quais são as consequências de provocar confusão e fazer birra de propósito. Perdoe-nos por isso!

Ferro de passar em brasa, agulhas perfurando a pele, água fervente sendo despejada...

Sofia foi torturada até desejar a morte. Seus dedos cravaram-se com força no chão, e várias de suas unhas foram arrancadas pela raiz.

O desespero parecia não ter fim.

O relógio na parede já mostrava que três horas haviam se passado. Ainda assim, ninguém veio libertá-la.

Sofia riu amargamente de si mesma. Como ela ainda podia acreditar nas palavras de Alexandre?

Somente quando o céu começou a clarear e nem mesmo o álcool forte conseguia mais reanimá-la, é que o tormento finalmente terminou.

Sofia foi levada ao hospital. Quando tornou a abrir os olhos, ouviu duas enfermeiras conversando em voz baixa ao seu lado:

— Você ouviu? Para salvar a Srta. Taís, o Sr. Alexandre chegou a trazer o sogro dele, que está em estado vegetativo!

— Ouvi. O sogro dele tem o tipo sanguíneo O, e a Srta. Taís perdeu sangue demais. Além disso, o estoque do banco de sangue não era suficiente...

Sofia congelou. As palavras das enfermeiras explodiram em seu coração como um trovão. Ela reuniu forças para se levantar, mesmo com o corpo inteiro parecendo despedaçado pela dor.

Sem se importar com os protestos das enfermeiras, arrancou a agulha da mão e saiu correndo.

Depois de procurar, encontrou o quarto de Taís, onde, por coincidência, Alexandre estava do lado de fora, dando instruções aos médicos para coletar o sangue.

Sofia caiu de joelhos diante dele e agarrou sua perna com todas as forças.

— Por favor, Alexandre, não faça isso. Meu pai já está em estado vegetativo. As funções do corpo dele estão praticamente paralisadas. Se ele doar mais sangue, vai morrer! — Sua voz rouca saiu embargada. — Por favor, poupe o meu pai! Ele é a minha família!

Alexandre baixou os olhos para ela. Seu olhar pousou sobre os ferimentos horríveis que cobriam o corpo dela, e um traço de angústia atravessou seus olhos.

Mas, por causa da frase "ele é a minha família", sua expressão tornou-se fria novamente, enquanto uma raiva incontrolável o invadiu.

— A Tata está sofrendo uma hemorragia grave por sua culpa. É perfeitamente justo que seu pai salve a vida dela! — Alexandre desviou o olhar com indiferença e respondeu de maneira decisiva.

Então ele levantou a mão e chamou os seguranças, ordenando que afastassem Sofia.

— Comecem a transfusão. — Ele ordenou assim que entrou no quarto.

— Não! — Sofia implorou desesperadamente, chorando a ponto de soluçar, mas os seguranças a mantiveram ajoelhada no chão.

Completamente humilhada e impotente.

Desespero, dor, preocupação, colapso... Inúmeras emoções se entrelaçaram e se acumularam em seu peito.

Sofia tossiu e vomitou sangue. Então caiu no chão com estrondo.

Quando tornou a despertar, já estava de volta ao quarto do hospital.

Ela mal havia tentado se levantar para procurar pelo pai quando o médico a impediu.

— Meus sentimentos, Srta. Sofia. Os órgãos do seu pai entraram em falência. Ele faleceu. Ele estava em estado vegetativo há muitos anos. Ter conseguido viver por tanto tempo já foi um milagre. Não fique triste.

Sofia ficou sem reação. Apertou o próprio coração com força, mergulhando em uma dor tão profunda que perdeu a capacidade de falar. Abriu bem a boca, mas não conseguiu emitir som algum. Nem sequer uma lágrima conseguiu cair.

Nesse momento, ela percebeu que a dor extrema realmente é silenciosa.

Sofia empurrou o médico para o lado e, descalça, caminhou como um cadáver ambulante até o necrotério.

Somente quando ergueu o lençol branco que cobria o corpo de seu pai é que finalmente compreendeu, com absoluta clareza, que havia perdido tudo, não lhe restava mais nada.

— Papai! Me perdoe! Eu amei a pessoa errada e acabei te prejudicando! — Sofia caiu de joelhos no chão e começou a chorar desesperadamente.

Dois dias depois, Sofia recebeu alta.

Sozinha, ela cuidou de todos os assuntos relacionados ao funeral do pai.

Depois, foi ao tribunal buscar o certificado de divórcio, que já estava pronto.

Então foi à praia.

Sentindo-se completamente desesperada e sem qualquer vontade de continuar vivendo, pulou nas profundezas intermináveis do oceano...

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