"José Miguel"
Quando as portas do elevador se abriram no térreo, o silêncio indicava que a recepção estava calma, mas a figura em nossa frente estava fora de lugar. O Julio estava parado com as mãos nos bolsos e a expressão carregada, ele com certeza estava esperando por mim.
- Onde ela está? - Eu perguntei com a voz baixa.
- Eu a deixei esperando na cadeiras mais ao fundo do outro lado, lá é mais discreto. - O Julio olhou para a Eva e tornou a me encarar. - Isso não me parece bom. - Era um aviso claro.
- Não é bom, mas não muda nada. Esteja por perto, o que quer que aconteça, proteja a Eva. - Eu pedi.
- Sempre! - Ele declarou firme, sem precisar pensar. - Rossi, só pra vocês saberem, ela está numa cadeira de rodas e usa uma daquelas máscaras para tratar cicatrizes.
- Obrigado por avisar. - Eu falei no instante em que senti a Eva apertar a mão na minha.
Nós atravessamos o hall e caminhamos até o canto indicado pelo Julio, de costas para nós, estava uma mulher numa cadeira de rodas,