"Carmem"
Eu parei em frente ao portão, ainda bem que eu não havia perdido a minha defuntinha de vista durante todo esse tempo. Ela vivia fechada nessa casa, praticamente não saía, mas pelo menos tinha cumprido muito bem o nosso acordo e ficado calada. Ela e o tratamento dela haviam levado uma boa parte do meu dinheiro, mas ela não era como aqueles irmãos ladrões de carteirinha que haviam me extorquido todos esses anos, ela se conformou com o nosso acordo e desapareceu.
- Se veio fazer alguma encomenda perdeu a viagem, não tem ninguém em casa. - A vizinha da frente atravessou a rua e parou atrás de mim. Eu me virei e olhei bem para a senhora.
- Sei. E você vai me dizer que ele foi para o interior e que só atende com hora marcada. - Eu ri. Eu conhecia o truque dele, o acordo dele com a vizinha, que na verdade era uma parente. - Minha senhora, eu sei que eles estão aí e que a senhora é uma tia velha que banca o cão de guarda. Mande eles me receberem, é importante.
- Como se a senhora fo