Mundo ficciónIniciar sesiónMe chamo Jonas Miller, embora a maioria das pessoas me conheça apenas como Miller. Quase todo mundo me chama pelo sobrenome. Também sou conhecido como o pegador, o cara das paixões de uma única noite. E, para ser sincero, confesso que já fui exatamente assim. Não que eu tenha me aposentado dessa vida, mas hoje estou mais seletivo.
Tenho trinta e três anos, sou loiro, tenho olhos verdes, uma barba sempre bem-feita e 1,80m de altura. Meu corpo é escultural, resultado de uma vida ativa e dos esportes que pratico. Adoro praia, amo surfar e as mulheres adoram ficar comigo. Sou bastante disputado entre elas. Só tive um relacionamento sério em toda a minha vida, e a mulher em questão era uma garota extremamente mimada. Era cheia de frescuras, odiava os esportes radicais que eu praticava e não era parceira em absolutamente nada. Ela queria me colocar uma coleira, como se eu fosse um cachorro de madame. Comigo não! Tenho a mulher que quero, na hora que quero. Não correrei atrás de uma mimada. Fiz questão de terminar aquele relacionamento e, até hoje, considero que foi uma das melhores escolhas que já fiz na vida. E eu me classifico exatamente assim: por onde passo, deixo mulheres loucas por mim. Faço somente o que gosto e o que tenho vontade de fazer. Minha vida é assim: viver sem pudor, sem arrependimentos, como se não houvesse amanhã. Talvez seja por isso que tenho um apartamento em Santos. A praia sempre foi meu lugar favorito. Adoro surfar, adoro viajar e minha profissão me proporciona tudo isso. Sou modelo e fotógrafo. Também gosto de cantar, mas a fotografia é, sem dúvida, meu hobby favorito, o passatempo que mais me completa. Amo o meu jeito de viver e, sinceramente, ainda não nasceu uma mulher capaz de me prender de verdade ou me mostrar o que é o amor verdadeiro. Apesar disso, admito que já sonhei com o amor ideal para mim. Sonhei com uma mulher que curtisse as mesmas coisas que eu, que entendesse meu estilo de vida e que pudesse compartilhar momentos ao meu lado sem tentar me mudar. Mas essa mulher ainda não apareceu. Minha família me chama de irresponsável por eu ainda não ter assumido o cargo de presidente dos Laboratórios Miller. A verdade é que eu nunca quis isso. Não me vejo sentado naquela cadeira, a menos que seja por motivo de força maior. Sou formado em Química e Física, por exigência do meu pai. Ele sempre quis que eu fosse um exemplo ao seu lado e, como se não bastasse, ainda me obrigou a cursar Administração de Empresas. Coleciono diplomas, mas não exerço nenhuma dessas profissões. Se dependesse dele, eu estaria casado, sentado ao redor de uma mesa, ao lado de uma esposa entediante e cercado de filhos. Mas eu não quero essa vida para mim. Recentemente, meu pai me convidou para voltar. Segundo ele, já passou da hora de eu assumir minhas responsabilidades e cuidar dos negócios da família. Meu pai só pensa em dinheiro. Trabalha vinte e quatro horas por dia e parece incapaz de desacelerar. Já a minha mãe é completamente diferente. Não existe ninguém igual a ela. Sempre me deu liberdade para seguir meu coração, porque acredita que ele nunca erra. E, nesse momento, alguma coisa dentro de mim está dizendo que é hora de voltar. Por isso arrumei minhas malas. E chegarei de surpresa. Cheguei a São Paulo e fui direto para o meu apartamento. Fazia tempo que eu não colocava os pés na cidade. Vou passar uma temporada por aqui. Tenho a sensação de que preciso ficar mais tempo do que planejei. Talvez um bom filho sempre encontre o caminho de volta para casa. Enquanto observo a cidade pela janela do apartamento, percebo que quase nada mudou. Mas, por algum motivo, sinto que a minha vida está prestes a mudar completamente. Tomo um banho para aliviar o cansaço e ligo a TV para assistir a alguma série. Amanhã quero aproveitar a noite; inclusive, já fui convidado para o aniversário da minha Ingrid. Estou tão exausto que acabo adormecendo no sofá. Sou despertado pelo toque insistente do celular. É Marquinho, meu empresário e advogado. O que ele quer a uma hora dessas? — Está onde, hein, Miller? — No meu apartamento, é lógico. Cheguei só o caco. Amanhã vou visitar a minha mãe. — Temos muito trabalho para você por aqui. Vá se preparando. — Farei todos eles. Desligo o celular. Ele só pode estar bêbado ou sentindo minha falta. Olho a hora e decido ir para a cama. Dormir será a melhor coisa que posso fazer agora. Ao amanhecer, tomo um banho, faço a barba, visto uma roupa básica e passo perfume. Quero encontrar minha família reunida. Entro no meu Porsche e sigo para a mansão dos meus pais. Os seguranças já me conhecem e permitem minha entrada sem questionamentos. Assim que atravesso os portões, me deparo com uma das cenas mais tristes que já vi em toda a minha vida. Minha mãe está sentada no jardim, abraçando uma boneca como se segurasse um bebê de verdade nos braços. Sou um homem extremamente duro quando o assunto são sentimentos, mas aquela imagem me atinge de uma forma inesperada. Sinto um aperto no peito. Aproximo-me devagar e a chamo. — Mãe. Ela levanta o olhar e imediatamente abre um sorriso. — Jonas! Que saudade, meu filho! Que bom que você chegou. Eu estava morrendo de saudades, mas meu coração de mãe sabia que você viria. — Estou aqui. Vim te ver, meu amor. — Você está mais lindo do que nunca. Sorrio, mas meu olhar volta para a boneca. — Que boneca é essa, mãe? Ela aperta o brinquedo contra o peito. — Ela não é uma boneca. É minha filha. Tem me feito companhia nos meus dias tristes nesta casa. Antes que eu consiga responder, meu pai aparece no jardim. — Então o playboy resolveu aparecer! Viro-me para encará-lo. — Resolvi. E pelo que estou vendo, isto aqui está um caos. Meu pai passa a mão pelo rosto, aparentando um cansaço que nunca havia percebido antes. — Tenho trabalhado loucamente para tocar aquela empresa sozinho, enquanto você resolveu viajar pelo mundo como se nós não existíssemos. Sua mãe se transformou nisso. Ele aponta para ela. — Nada do que fiz conseguiu fazê-la sair dessa depressão profunda. Ela dorme à base de remédios, vive isolada e afundada em uma solidão sem fim. Sinto a irritação crescer. — Está colocando a culpa em mim, é isso? Meu pai suspira profundamente. — Não coloco mais a culpa em ninguém. A verdade é que eu não sei o que será dela... e nem de mim. Pela primeira vez, percebo fragilidade em sua voz. — Ela me pede netos, filhos, crianças correndo pela casa. Já paguei todo tipo de profissional, consultas, tratamentos e terapias, mas nada foi suficiente. Ele faz uma pausa e olha para minha mãe. — Ela só fala nessa criança imaginária que nunca teve. Meu olhar acompanha o dele. — Todos nós sempre soubemos que sua mãe não poderia ter mais filhos. Ela quase morreu no parto quando teve você. A voz dele falha. — Mas, nos últimos anos, isso se transformou em uma obsessão. Ela só fala de bebês, de crianças... como se estivesse tentando preencher um vazio que nunca conseguiu superar. Olho para minha mãe abraçada àquela boneca e, pela primeira vez em muito tempo, não encontro palavras para dizer. Fiz a correção completa, melhorando a gramática, a pontuação, a concordância e a fluidez, sem reduzir o capítulo e mantendo o tom emocional e envolvente da narrativa. A empregada serviu o café no jardim, e fui buscar minha mãe onde ela estava. — Mãe, venha tomar café conosco. Ela se sentou ao meu lado, e eu mesmo servi sua xícara. — Filho, fala para mim que você não vai embora nunca mais, por favor. — Ela disse entre lágrimas. Meu coração apertou. — Vamos aproveitar cada momento juntos, dona Silvia. Eu estou aqui, não estou? Vou até levar a senhora para passear, tomar um sorvete. O que acha? Os olhos dela se iluminaram imediatamente. — Com você eu vou. Eu adoro sorvete! Tomamos café juntos enquanto meu pai nos observava de longe. Fiquei impactado com o que a depressão havia feito com a minha mãe. Confesso que estava triste. Nunca imaginei vê-la daquela forma. A mulher forte, alegre e cheia de vida que eu conhecia parecia ter desaparecido. — Vai ficar para almoçar? — meu pai perguntou. — Sim. Quero passar o máximo de tempo possível com a minha mãe. — Estou indo trabalhar. Fique à vontade. Meu pai não mudou em nada. Continua tão grosso quanto sempre foi. Talvez eu tenha herdado parte disso dele. Minha mãe, por outro lado, sempre foi o oposto de nós dois. Bondosa, sensível e inocente. Às vezes parecia até uma criança indefesa. Pedi que ela fosse se arrumar para passearmos pela cidade. Ver minha mãe chamando uma boneca de filha era algo de partir o coração. E, para piorar, ela só aceitou sair comigo se a tal "filha" fosse junto. Ela subiu para se arrumar, abraçada à boneca, enquanto eu permanecia parado na sala. Precisava conversar urgentemente com o médico dela. --- Levei minha mãe para passear pela cidade. Quando chegamos a uma sorveteria, ela escolheu o maior sorvete do cardápio, como uma criança animada. Por alguns minutos, consegui vê-la sorrir de verdade. Aquilo me trouxe um pouco de esperança. Enquanto ela tomava o sorvete, eu observava as pessoas passarem pela rua. Mas logo percebi que ela estava falando coisas sem sentido, misturando assuntos e criando histórias aleatórias. Meu coração afundou. Quando me levantei para pagar a conta e voltei alguns minutos depois, ela já não estava mais sentada onde a deixei. O desespero tomou conta de mim. Saí imediatamente da sorveteria à sua procura. Perguntei às pessoas se haviam visto uma senhora com as características dela. Depois de descrever sua aparência, uma mulher apontou para a rua seguinte. Corri naquela direção. Foi então que a vi. Minha mãe estava sendo ajudada por uma desconhecida. A mulher segurava seus braços com cuidado enquanto a ajudava a se levantar. Por um instante, fiquei observando. Ela tinha longos cabelos castanhos, um corpo extremamente bonito e um rosto delicado. Minha mãe segurava sua mão e a chamava de anjo. Ao vê-las juntas, senti um alívio enorme. Mas, logo em seguida, o nervosismo tomou conta de mim. Acabei discutindo com a desconhecida. A mulher tinha a língua mais afiada que já vi. Em poucos minutos me chamou de sabugo de milho. Logo eu. Um dos homens mais desejados desta cidade. Se ela soubesse o que o tal sabugo de milho tinha vontade de fazer naquele momento... Talvez eu a calasse com um beijo só para fazê-la parar de falar. Mas não deixei barato. Disse que o carro dela estava velho. Ela praticamente soltou fogo pelas narinas. Definitivamente era uma mulher esquentadinha. --- Depois do passeio, levei minha mãe de volta para casa. Procurei imediatamente o médico responsável por acompanhá-la e pedi que viesse à mansão o mais rápido possível. Ele não demorou a chegar. Após examiná-la, sentou-se comigo para conversar. — Sua mãe começou a apresentar esse quadro depressivo depois que você foi embora. Aquilo me atingiu como um soco. — A solidão agravou tudo — continuou ele. — Além disso, ela sempre sofreu por não poder ter mais filhos. Como você sabe, ela foi orientada pelos médicos a não engravidar novamente. Passei a mão pelos cabelos. — Então a boneca... — É a representação da filha que ela acredita nunca ter tido. Olhei para minha mãe pela janela. Ela estava sentada no jardim, abraçada à boneca. — Ela considera esse brinquedo uma filha real. Suspirei profundamente. Aquilo era mais grave do que eu imaginava. O médico me observou por alguns segundos. — Você ainda não se casou? Arqueei uma sobrancelha. — Não. — Um neto poderia trazer muita alegria para ela. Quase ri. Esse médico só podia estar brincando. Eu não tinha paciência nem para a boneca da minha mãe. Imagine para um bebê. Descartei a ideia imediatamente. — Quero saber se minha mãe voltará a ser a mulher que sempre foi. O médico manteve a calma. — O tratamento já está sendo feito. Agora precisamos de tempo e paciência. Assenti. Não permitiria que aquela doença destruísse minha mãe. Ela estava irreconhecível. --- Subi para o meu antigo quarto. Algumas roupas ainda permaneciam no armário. Tudo continuava exatamente como eu havia deixado anos atrás. Tomei um banho e liguei para Marquinhos. Contei toda a situação da minha mãe, inclusive o desaparecimento momentâneo na sorveteria. Também expliquei que precisava de uma terapeuta ocupacional. Era necessário manter a mente dela ocupada. Ela precisava de novos objetivos. Novas atividades. Algo que a ajudasse a voltar para a realidade. Eu tinha chegado pensando que encontraria tudo em perfeita ordem e que poderia aproveitar a noite, me divertir e comparecer ao aniversário da Ingrid sem preocupações. Mas a realidade havia sido completamente diferente. No dia seguinte, uma senhora indicada por Marquinhos chegou à mansão. Era a terapeuta ocupacional. Ela carregava uma enorme mala cheia de materiais. Levei minha mãe até o jardim, onde as duas começaram a trabalhar. Para minha surpresa, minha mãe ficou animada quase imediatamente. Observei tudo de longe. Meu pai apareceu ao meu lado. — Sua mãe ficou animada com a terapeuta. — Eu acredito na recuperação dela. Olhei para ele. — Uma pena que para você o dinheiro valha mais do que as pessoas. Ele soltou uma risada amarga. — Não é culpa minha. Ficou em silêncio por alguns segundos antes de continuar: — Acho hipocrisia da sua parte colocar toda a culpa em mim, quando você também se beneficiou desse dinheiro durante anos. Cruzei os braços. — Sua rebeldia não vai resolver nada. Ele apontou para a empresa ao longe. — Estou observando os profissionais mais competentes daquele laboratório para colocar no cargo que deveria ser seu. Fiquei em silêncio. — Ou você acha que eu não quero me aposentar também? Ouvi tudo atentamente. Pela primeira vez, talvez meu pai não estivesse totalmente errado. Antes que eu respondesse, minha mãe apareceu sorridente. — Filho! Ela caminhou até mim cheia de entusiasmo. — Eu adorei a terapeuta que você trouxe! Sorri. — É mesmo? — Ela está me ensinando a fazer um casaco de crochê. Olhei para suas mãos. A boneca não estava mais ali. E, por algum motivo, aquilo me deixou extremamente satisfeito. Talvez fosse um pequeno progresso. Talvez fosse o primeiro passo para recuperar minha mãe. --- Quando a noite chegou, tomei um banho, fiz a barba, escolhi uma roupa elegante e passei perfume. Também mandei entregar o presente da aniversariante em sua casa. Agora era hora de sair. Depois de tudo o que aconteceu, eu merecia algumas horas de diversão. E nada melhor do que o aniversário da Ingrid para tentar esquecer os problemas por uma noite. Olá queridos leitores, leiam também os meus outros livros disponíveis aqui na Buenovela Metade de mim A Rendição do CEO conquistador Além de um desejo De Volta Para o Ceo






