Mundo de ficçãoIniciar sessãoEu morri no dia em que deveria receber o Prêmio de Serviço Distinto da Alcateia. Três horas depois da minha morte, meus pais, meu irmão e o meu companheiro ainda estavam encerrando a festa de formatura que organizaram para minha irmã. Enquanto minha irmã, Ella, postava uma foto fofa da família no Instagram, eu estava trancada no porão da nossa casa, usando a língua para deslizar o dedo no celular e pedir ajuda. A única pessoa que atendeu foi o meu companheiro, Ryan. Tudo o que ele disse foi: — Sophie, para com esse drama. A formatura da Ella é importante. Chega de fazer birra! Essa foi a nonagésima nona vez que me decepcionaram. E a última. Eu estava deitada numa poça do meu próprio sangue, os pulmões já sem ar. Eles acharam que era só mais uma birra. Que eu estava escondida em algum lugar. Que, se me dessem uma lição, eu voltaria rastejando. Mas eles não sabiam. Eu estive em casa o tempo todo. Eu já estava morta.
Ler maisDepois de ser expulsa da família, a vida de Ella desmoronou rapidamente.Sem a proteção da alcateia, ela só conseguia pagar pelos aluguéis mais baratos, em péssimo estado, na beira do território humano.Logo, espalhou-se entre as alcateias a notícia de que ela havia orquestrado o assassinato da própria irmã.— Um lobo que mata seu próprio sangue. — Declarou o Ancião Alfa. — É uma abominação e será exilado para sempre.Ela tentou encontrar uma nova alcateia que a aceitasse, mas ninguém queria uma assassina em seu território.Despida de seu status, Ella tornou-se uma verdadeira loba errante, desprezada e sozinha.Vagava pelas ruas como um fantasma, assombrada pela fome e pelo frio.Para sobreviver, foi forçada a fazer acordos nas sombras.Três meses depois, durante um desses acordos, ela encontrou a Fruta Proibida.Era um entorpecente absolutamente proibido para os lobisomens um veneno para a alma.Ela conhecia as consequências, mas mesmo assim, a tomou.Apenas em sua névoa de eu
Enquanto organizava minhas coisas, papai encontrou a minha Pedra da Lua.Se um lobisomem morre por perto, uma Pedra da Lua apagada registra suas memórias finais.A revelação o atingiu como um golpe físico. Ele chamou mamãe e Conner às pressas. Ryan os seguiu, como uma sombra silenciosa.— Os últimos momentos da Sophie... Estão guardados aqui dentro. — Sua voz tremia. — Precisamos ver o que realmente aconteceu naquele dia.Eles se reuniram ao redor da pedra e pousaram as mãos sobre ela. Ela começou a brilhar, e uma imagem dos meus momentos finais tremeluzia diante deles.Eu estava em casa, me preparando para sair para a cerimônia de premiação, quando ouvi um barulho no andar de baixo.Três rogues estranhos haviam invadido a casa.— Ela está aqui. Sigam o plano.Um dos homens falou, balançando um chaveiro com o pingente característico da Ella.— Tem certeza de que ninguém vai sentir falta dela?— Relaxa. A família toda está na festa da irmãzinha. Ninguém dá a mínima pra essa aí.
Ryan correu para casa, chegando a tempo de encontrar o pai no meu quarto, agarrado ao meu diário.Ele o abriu na primeira página, e suas mãos começaram a tremer.[17: Meu décimo aniversário. A família inteira esqueceu. Só a empregada se lembrou e me comprou um bolinho.][23: Ella teve um corte de papel. Mamãe e papai passaram a noite em claro com ela. Eu quebrei um osso e tive que ficar deitada sozinha na cama.][32: Ganhei o primeiro lugar na feira de ciências da alcateia, mas mamãe e papai foram assistir às provas de caça da Ella.]Página após página, era uma ladainha de decepções.Noventa e nove registros, desde a infância até agora.Cada um com data, um relato minucioso do descaso deles.Os três se amontoaram em volta do diário, com lágrimas escorrendo pelo rosto.[45: Na Cerimônia de Despertar da Linhagem, me tornei uma loba cinzenta comum. Papai ficou tão decepcionado que virou as costas e foi embora sem dizer uma palavra de consolo.][48: Nosso aniversário. Ryan passou
Enquanto a casa da minha família mergulhava no caos, Ryan continuava completamente alheio ao fato de que eu havia morrido.Ele havia voltado à clínica para ver Ella novamente.Meu espírito o seguiu, observando enquanto ele trocava delicadamente o curativo em sua mão.— Ainda dói? — A voz de Ryan estava mais suave do que eu ouvira em muito, muito tempo.Ella balançou a cabeça, os olhos marejados.— Não mais. Não quando você está aqui.— A Sophie passou dos limites. — Disse Ryan, com a voz carregada de raiva. — Quando ela finalmente aparecer, juro que vai se arrepender!— Não culpa a Sophie. — Disse Ella, apertando os dedos ao redor da mão dele. — Provavelmente ela só tava desesperada por atenção.Ver a dor nos olhos de Ella só apertava ainda mais o nó de proteção que Ryan sentia por ela.— Ella, você é boa demais. Ela te machuca assim e mesmo assim você defende ela.— Eu só me preocupo com ela. — Sussurrou Ella, se aconchegando nos braços de Ryan. — A Sophie passou a vida toda





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