(Visão de Rafael)
A tarde estava se arrastando, e a impotência era uma companhia constante, mais incômoda que a dor na perna.
Eu estava no sofá da sala, com a perna esticada num puff, rodeado por telas de computador e papéis. Raul estava na cozinha, falando baixo ao telefone com um dos nossos contatos.
O celular na mesa de centro vibrou, com um número restrito. Meu coração deu um pequeno salto. Era a linha segura da Glayce.
Atendi rápido, levando o aparelho ao ouvido.
— Fale.
— Chefe. — A voz dela era calma, profissional, mas havia um fio de urgência por baixo. — Estabeleci contato. Breve, mas estabeleci.
Meu corpo ficou alerta.
— E?
— A situação é ruim. Ela está sob um controle muito apertado. A sogra é uma carcereira, e o marido… ele está a mantendo ali sob vigilância. E ela confirmou…
Um frio começou a se espalhar pelo meu peito.
— Confirmou o quê?
— Fui até o apartamento da senhora Lorena.
Ela fez uma pausa, e eu senti o nó na minha garganta apertar.
— Ela me puxou para dentr