Capítulo 8: O último veneno

"Lorena"

Eu desci as escadas o mais rápido que pude, fugindo do peso daqueles olhos azuis que ainda pareciam queimar minhas costas. Eu estava meio bêbada, mas precisava andar depressa, eu precisava me recompor e ficar longe daquele camarote. As notas de cem no meu decote pareciam pesar uma tonelada, um lembrete físico de que eu tinha deixado o controle escapar, eu ainda sentia o roçar dos dedos dele queimando na minha pele.

Eu voltei depressa para o camarim, estava ofegante, com o gosto dele na minha boca e o cheiro de absinto e da colônia cara daquele homem impregnados em mim. Eu me olhei no espelho e odiei o que eu vi ali, a máscara criada pela maquiagem e a peruca, o escudo de proteção da "Scarlat", havia rachado pela primeira vez.

Eu tirei apressada as notas que estavam no meu decote e no cós da minha saia, me sentindo suja com aquele dinheiro. Eu precisava do dinheiro, mas eu não estava a venda. E foi então que eu decidi, eu não poderia voltar àquele camarote. Eu guardei o dinheiro em um envelope e joguei dentro do meu armário, saí do camarim decidida a encontrar o Barão e pedir para ser substituída naquele camarote, de toda forma eu já tinha feito os ricaços abrirem as carteiras. E assim que eu saí eu esbarrei no próprio Barão.

- Scarlat, você foi sensacional! Pode ir pra casa. - Ele nem parou para me ouvir, simplesmente me mandou para casa e continuou andando, me deixando na mais completa confusão, encostada numa pilastra sentindo a cabeça girar.

Eu fechei os olhos por um segundo, tentando afastar o gosto de absinto da memória e sentir alívio por poder sair dali, mas o ar ao meu redor mudou. O barulho da boate pareceu abafado e, antes que eu pudesse abrir as pálpebras, o calor de um corpo recém conhecido colou nas minhas costas.

- Vou te dizer uma coisa, Scarlat... - A voz dele soou na minha nuca e fez todo o barulho da boate desaparecer. Eu senti a pressão do peito dele contra as minhas costas, me prendendo entre o mármore frio e o calor invasivo do seu corpo. - Para mim, as regras são apenas sugestões. Você prometeu a queimação do inferno, mas me deixou passando frio naquele camarote.

Eu tentei me virar, mas o braço dele era como uma barra de ferro que me mantinha imóvel, presa sob o seu domínio.

- O seu dinheiro não pode comprar tudo, cavalheiro. Ele definitivamente não compra o meu tempo! - Eu respondi tentando manter a voz firme enquanto meu coração martelava no meu peito como se tentasse sair.

Eu ouvi a sua risada curta, rouca, extremamente sexy, bem rente ao meu ouvido e senti os pelos da minha nuca se eriçarem. Aquele homem parecia nunca desistir e eu precisava ser forte o suficiente para sair dali inteira.

- Eu ainda não me queimei o suficiente! Quero ver se o seu inferno é tão real quanto o fogo que você tem nos olhos. Ou a sua coragem acaba quando você solta a bandeja? - Ele sussurrou no meu ouvido e a sua respiração traçou um caminho de fogo sobre a minha pele.

- Eu entreguei o entretenimento que você pagou e... - Eu estava tentando me livrar dele, mas ele interrompeu o meu raciocínio deslizando as pontas dos dedos pela pele exposta do meu pescoço.

- Eu não estou aqui para negociar o contrato, Scarlat. Nem o tempo... - A voz dele caiu uma oitava, ficando ainda mais sedutora e perigosa. - Eu estou aqui porque você tinha razão sobre a minha sede... e você prometeu aplacá-la. Me sirva o seu último veneno, anfitriã. Faça de mim um condenado no seu inferno e eu prometo que você não vai queimar sozinha.

Ele depositou um beijo quente e úmido no meu ombro que fez com que eu esquecesse as minhas próprias regras e desejasse queimar no inferno com ele. Se aquelas sensações foram ampliadas pelo álcool em minhas veias ou pela proximidade daquele homem lindo e absurdamente sexy, eu não saberia responder, mas eu parei de resistir e deixei que ele me levasse dali.

No percurso rápido entre a boate e o hotel de luxo para onde me levou, o silêncio no carro tornava a atração que circulava entre nós ainda mais densa e fatal. E nenhuma palavra foi dita enquanto ele me guiava até a suíte que alugou ali, com o braço possessivamente ao redor da minha cintura.

Assim que entramos e a porta bateu atrás de mim, um sinal de que o mundo lá fora havia deixado de existir para nós pelo resto da noite e, assim que isso aconteceu, ele me virou para o seu peito e me beijou. Havia fome naquele beijo e o fogo crepitante do inferno parecia derreter os olhos azuis gélidos dele. Ele não me beijou, ele me reivindicou.

O corpo dele era uma parede de músculos movida por uma urgência que ressoava em mim. Aquele beijo não era um convite para a festa, era uma invasão primitiva, sem o polimento do homem de terno que passou a noite quase inatingível no camarote da boate.

Uma das mãos dele subiu para a minha nuca e agarrou os fios da minha peruca, puxando a minha cabeça levemente para trás, expondo o meu pescoço para ele, para a sua respiração quente e os seus lábios urgentes. Em sintonia com esse movimento, a sua outra mão agarrou a minha cintura com mais força e me suspendeu contra ele, como se quisesse que eu queimasse no seu fogo. Enquanto isso eu me agarrava aos seus ombros e emaranhava as pernas em torno do seu quadril.

O fogo ardia entre nós, prometido por mim, fazendo queimar por ele. O álcool nas minhas veias disparou com a adrenalina e eu já não era mais a mesma mulher, estava totalmente rendida ao domínio daquele homem. Cada toque dele era de um homem possessivo e dominante que sabia o que queria e pegava para si com uma audácia que poucos poderiam se dar ao luxo de ter.

O homem polido e controlado por baixo do terno sob medida saiu de cena para dar lugar a um homem de desejos primitivos e que sabia o que fazer com uma mulher. O gosto dele, o cheiro dele, cada toque da língua, eram pura luxúria e naquele momento eu sabia, a sede dele era implacável e ele podia até ter se rendido, mas o condenado ali não era ele, estávamos ambos presos naquele incêndio entre nós, consumidos por uma vontade que não aceitava trégua.

Enquanto caminhava em direção a grande cama no quarto, ele fez uma trilha de beijos no meu pescoço para chegar ao meu ouvido. Ele interrompeu os beijos com a voz e o hálito quente brincando ali na minha pele apenas para provocar:

- Eu estou adorando esse veneno, Scarlat. Vou beber até a última gota de você!

- Faça com que eu não me arrependa de te dar o meu tempo. - Eu sussurrei, cravando as unhas nas suas costas e ele riu ao me jogar sobre a cama, aquele som que reverberou na minha pele.

- Se arrepender? Não... talvez você se arrependa de não ter cedido mais cedo. - O convencimento do homem que conseguia o que queria não me passou despercebido, mas naquele momento eu só queria o que ele estava oferecendo, o resto não me importava.

Sua boca mergulhou na minha outra vez e enquanto eu lutava contra os botões da sua camisa, ele habilmente desfez os laços laterais do meu corselet e o abriu como se fizesse aquilo o tempo todo. Meus seios ficaram expostos para ele, que sorriu como um predador e se abaixou sobre mim avidamente.

Cada toque da sua língua sobre os meus mamilos, cada vez que seus lábios se fechavam e sugavam minha pele, cada vez que seus dedos beliscavam levemente os picos intumescidos eu gemia incoerentemente, mal me reconhecendo naqueles sons. Eu era uma mulher silenciosa e contida, não aquela fúria de desejo e sensações.

E eu estava tão perdida nas sensações que a boca dele e as mãos deixavam pelo meu corpo que não registrei o momento em que ele tirou o restante da minha roupa e da dele.

- Você é real... e linda! - A voz dele sobre a minha pele era tão poderosa quanto um toque muito íntimo.

Ele traçou uma linha pelo meu abdomen com a língua e aquilo foi como fazer um traço de fogo. Naquele instante, eu não era a Scarlat da boate, nem a Lorena de antes. Eu era apenas pele e necessidade sob o domínio dele, completamente entregue e queimando no fogo que ardia nele.

E enquanto eu tentava pensar ao invés de sentir, a boca dele invadiu a minha mais uma vez e eu senti ao mesmo tempo os seus dedos encontrando o meu sexo e estimulando o meu clitóris, com um desejo bruto e incandescente. Sem dar trégua, o seu dedo indicador mergulhou dentro de mim indo e vindo e a ponta do seu polegar desenhava círculos no meu clitóris.

Ele sabia como fazer aquilo e onde me atingir exatamente, meus gemidos diziam isso a ele e ele engoliu cada som que eu fiz com um beijo. O orgasmo me atingiu como um raio, me rasgando ao meio com uma intensidade que eu nunca havia sentido. As minhas unhas arranharam as costas dele como se minhas mãos tivessem vida própria, enquanto eu me desintegrava. Mas, ao contrário do que eu esperava, o fim daquela onda não me trouxe paz... apenas uma sede ainda maior por ele.

E ele tinha muito mais para dar. Antes que a última onda do prazer se quebrasse ele estava sobre mim, seu membro brincando na minha fenda antes de invadí-la.

- Me avise se for demais. - O pedido dele no meu ouvido me puxou de volta da névoa de prazer que ainda não tinha se dissipado e eu senti a ponta dele me invadir, me alargando como se não fosse caber, mas mesmo assim forçando a entrar.

E enquanto ele entrava devagar, quase como se quisesse me fazer implorar, foi como se ele expulsasse o ar dos meus pulmões. Era contato puro e um atrito que me fez jogar a cabeça para trás e ofegar. Eu queria mais, precisava de mais, dele todo.

- Eu estou queimando. Queime logo comigo! - Eu pedi com o claro intuito de que ele me tomasse por inteiro e ele compreendeu o meu pedido.

- Se é o que você quer. - Ele sussurrou para mim, se retirou quase que completamente e voltou a entrar, um movimento certeiro e rápido que bateu no fundo e me fez gritar. Aquela não era eu.

- Isso, Scarlat, me dê tudo! - Não era um pedido, era uma ordem.

Os movimentos dele eram pura perfeição, a pressão que ele colocava no meu corpo me deixava a beira do precipício do prazer e o ritmo dele era o mais delicioso dos pecados. Aquilo não era um homem, ele realmente era um deus intocável que resolveu se divertir com uma pobre mortal.

- Porra! Que delícia! O fogo nos seus olhos queima de verdade. - Ele rosnou entre os beijos ardentes que me roubavam o fôlego, enquanto eu gemia, inebriada naquele mar de sensações e sentindo o prazer me tocar novamente. - Goza comigo, Scarlat, me dê a dose final...

Foi como se eu tivesse entrado em um tsunami e não soubesse por onde estava sendo atingida. Meu corpo inteiro vibrou e estremeceu com o prazer que me rasgou em pedaços, enquanto ele engolia os meus gemidos altos e se entregava àquelas sensações comigo.

Eu me afundei nos lençóis, sentindo o peso do corpo dele sobre o meu e o silêncio da suíte finalmente substituir o caos da noite. Eu tinha dado a ele a dose que ele pediu, mas, enquanto o sono me vencia, uma dúvida gelada começou a brotar no lugar do calor: quem de nós dois tinha realmente sido o veneno naquela noite?

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