O carro já estava em movimento e o silêncio entre nós era confortável. Ele dirigia com uma mão só, a outra apoiada no câmbio, o olhar firme na pista, mas de vez em quando desviava para mim.
— Está calado por quê? — perguntei.
— Só pensando — respondeu ele.
— Pensando em quê? — insisti.
— No que você ia fazer se eu não aparecesse lá hoje.
Eu ri de leve, encostando a cabeça no banco.
— Ia jantar com as meninas, ué. Era esse o plano — respondi.
— E depois? — perguntou ele.
— Depois… talvez um bar,