Pamela
Eu acordei assustada, o coração disparado, o corpo todo suado, como se eu tivesse corrido quilômetros dentro do próprio quarto. Demorei alguns segundos pra entender onde eu estava. A cama, o quarto, o silêncio da madrugada. Mas o cheiro… o cheiro parecia real demais. Fumaça. Ou pelo menos a lembrança dela.
Foi aí que eu percebi: eu tinha sonhado. Mas não foi um sonho comum. Foi daqueles que grudam na pele, que continuam mesmo depois que você abre os olhos.
No sonho, eu estava em casa. A nossa casa. Tudo parecia normal no começo. As crianças brincavam na sala, riam alto. Caleb estava na cozinha, falando alguma coisa que eu não conseguia ouvir direito. Eu tentava responder, mas minha voz não saía. Nenhuma palavra. Só aquele aperto no peito, estranho, avisando que algo estava errado.
Eu andava pelos cômodos chamando por eles, mas ninguém me ouvia. A casa parecia maior, os corredores mais longos. As paredes começaram a escurecer, como se a luz estivesse sendo engolida devagar. Fo