Daniel
Eu bati a porta do apartamento com força demais. O barulho ecoou pelas paredes vazias e voltou pra mim como um tapa. Joguei as chaves em cima da mesa e passei as duas mãos pelo cabelo, andando de um lado pro outro como um animal encurralado.
Nada tinha saído como eu planejei.
Nada.
O galpão vazio ainda queimava na minha cabeça. A expressão de surpresa que eu não consegui controlar. A sensação clara de que eu tinha sido usado ou, pior, descartado.
Peguei o celular quase arrancando do bolso. Liguei.
Chamando.
Nada.
Liguei de novo.
Chamando.
Meu coração batia forte demais, rápido demais. O silêncio do outro lado da linha me deixava mais nervoso a cada segundo. Eu sentei no sofá, depois levantei de novo. Não conseguia ficar parado.
— Atende, porra… — murmurei entre os dentes.
Tentei outro número. Depois outro. Nada. Nenhuma resposta. Nenhuma mensagem. Nenhum sinal.
A raiva começou a subir quente, pesada, misturada com medo. Eu tinha colocado tudo nisso. Tempo, dinheiro, paciência.