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Capítulo II – Um reencontro inesperado

Cassandra Moore

Eu acordei bem sedo para não perder o ônibus, hoje eu teria uma entrevista de emprego e uma chance para recomeçar com o pé direto.

O dia estava comum demais para mudar uma vida, o sol brilhava com a mesma intensidade, a brisa soprava do mesmo jeito. Nada de extraordinário . Além da opurtunidade de trabalhar em uma das melhores firmas de advocacia do país— Respirei fundo tentando conter a emoção, cada passo me aproximava da porta do prédio e de um futuro melhor.

Cheguei à recepção da Clark Advogados e fiquei parada por alguns segundos . Lembrei que as meninas viviam dizendo que talvez o Dominic era um parente distante dos donos dessa firme por conta do sobrenome Clark. — mas não é o momento para lembrar do passado, muito menos daquele traste.

— Bom dia! Vim para a entrevista para vaga de secretária — afirmei tentando parecer firme.

— Secretária de que departamento? — a recepcionista perguntou sem levantar os olhos.

— É para secretária do CEO — dessa vez a recepcionista olhou para mim.

— Deve haver um equívoco, não estamos procurando mulheres para esta vaga.

— Como pode ter tanta certeza? Se no anúncio diz que estão procurando alguém para o cargo de secretária — disse mostrando o anúncio a partir do meu telefone.

— Desculpe pelo constrangimento senhorita, mas creio que a pessoa que escreveu o anúncio tenha cometido um erro.

— Por que tem tanta certeza?

— O nosso CEO tem uma política de trabalho rigorosa, ele não trabalha diretamente com mulheres. — a última frase me atingiu como lâmina. — Ele é tradicional.

Tradicional? Tradicional é o caramba! Agora o nome do machismo se tornou tradicional? — Eu não podia acreditar, respirei fundo na tentativa de não explodir, mas já era tarde demais.

— Isso é sério? — minha voz subiu, firme, cortando o silêncio — Ele acha que mulheres não conseguem lidar com a pressão? Que somos incapazes?

A recepcionista desviou o olhar constrangida , mas eu não estava ai para discutir com ela, o meu assunto era com o machista filho da mãe que se classifica como tradicional.

— Qual é o andar da sala dele?

— Eu não posso dizer.

— Então eu vou descobrir sozinha.

Saí daí que nem um furacão humano , a recepcionista vinha atrás de mim desesperada , tentando me impedir de avançar. Entrei logo no elevador e apertei no botão do décimo andar. Quando cheguei lá vi um homem das limpezas e perguntei onde ficava a sala do CEO, o homem disse que ficava no último andar. O último andar? Era óbvio, onde mais um babaca desses se esconderia.

A essa altura a recepcionista já não estava mais atrás de mim, provavelmente devia ter se cansado .

Ao chegar no último andar encontrei homens bem vestidos sentados nos bancos de um corredor afrente de uma porta preta de madeira, acima da porta uma placa com o nome CEO Adam.

Mas o nome do CEO , não era Arthur? será que mudaram, talvez por isso a polícia estúpida. De qualquer forma, alguém tem que pôr esse homem no seu devido lugar.

Empurrei a porta da sala com força, sem hesitar. E lá estava ele sentado atrás da mesa , impecável, sereno, frio como o gelo... meus olhos encontram os dele e por um momento algo dentro de mim congelou. Uma lembrança queimou como faísca : a primeira vez que o vi, há cinco anos atrás.

Agora ele estava vestido com um terno perfeitamente alinhado, o cabelo todo ajeitado, a expressão ainda mais séria, mas ainda era ele, aqueles mesmos olhos hipnotizantes. O mesmo desconhecido para o qual eu havia entregado a minha virgindade.

Senti algo escorregar das minhas mãos, mas não olhei para ver o que era. Recuei até a saída, ainda de frente para ele e ao sair fechei a porta devagar. Saí correndo do edifício sem olhar para trás. Isso não podia estar acontecendo , por que tinha que ser logo ele?

Durante todo o trajeto para casa eu não consegue parar de pensar nele, no rosto dele, naquela noite. No quanto foi maravilhosa e ao mesmo tempo perigosa — Meu telefone tocou me tirando do transe, era Ember. Logo atende.

— Oi Cass! Como foi a sua entrevista de emprego? Você não quebrou nenhum salto e nem a perna, né? Ou você jogou café quente no seu futuro chefe? — Ember zombou do outro lado da linha.

— Você é uma chata!

— Eu sei que eu sou a melhor, agora me diz, como foi a sua entrevista?

— Não ouvi entrevista.

— O quê? Por quê? Você não vai me dizer...

— Para psicologa ,você fala muito e ouvi pouco, sabias?

— Assim você vai partir meu coração. —brincou —Vai fala o que ouvi.

— Não estavam recrutando mulheres para a vaga.

— A vaga não era para secretária?

— Era sim!

— Então ?

— Parece que o novo CEO é um machista do caralho.

— Que babaca, diz onde ele mora que eu vou tacar fogo na casa dele.

— E perder a única amiga que me restou que me restou no país ? nem pensar. — A Ember ficou em silêncio por algum tempo. É que desde o que aconteceu com a Violet, ficamos só nós três no nosso grupo de amigas, mas a Blue vivia viajando por conta do trabalho.

— Você quer que eu vá para aí? — Ela finalmente falou.

— Não, é melhor a gente se ver no final de semana .

— Na tua casa.

— Como quiseres. — encerrei a chamada.

Mal a encerrei e o rosto dele apareceu de novo na minha cabeça.“ Adam Clark ” Ele pareceu indiferente a minha entrada lá.

— O que você esperava, Cassandra? Foi só uma noite! — murmurei para mim mesma.

Cheguei em casa e fui logo tomar um banho de água fria para ver se esses pensamentos saíam logo da minha mente. — Tentei assistir filmes, procurei por novas oportunidades de emprego, mas nada tirava aquele homem da minha cabeça.

—isso não é justo! por que eu tenho que ficar pensando nele se ele já me esqueceu faz tempo? — gritei como se alguém fosse me ouvir. A noite caiu e eu continuava agitada do mesmo jeito.

“Din don "

O som da campainha ecoou e eu me levantei para abrir a porta. Estava com um coque desalinhado, trajada de um pijama e pantufas com orelhas de coelho, o meu normal quando estou em casa .

Abri a porta sem ver quem era e logo percebe que não devia ter feito isso , porque bem a minha frente esteva ele “ Adam ". O homem que me levou para o céu e depois ao inferno — Por que esse mundo não gosta de mim?

Ele carregava um envelope nas mãos, tinha aquela mesma expressão séria de quando entrei no escritório, seus olhos não transmitiam emoção alguma. Ou ele só sabia esconder bem demais.

— A senhorita tem sempre o costume de abrir a porta sem ver quem é? E essa roupa, costuma receber as suas visitas vestida dessa forma? — indagou me analisando de maneira cirúrgica.

— Eu estou na minha casa e não vejo nada de errado na maneira como estou vestida e o senhor não pode ser considerado visita porque eu não o convidei.

— A senhorita é bastante marrenta mesmo.

— Só quando provocam esse meu lado.

— Eu acho que eu estou sempre provocando esse seu lado. — sorriu vitorioso.

— Como você encontrou a minha casa?

— A senhorita deixou cair isso— me entregou o envelope que carregava consigo — O endereço está na parte de trás .

— O que é isso?

— É o seu currículo ,senhorita.

— O senhor veio até a minha casa para me entregar o meu currículo? Obrigada! — não esperei resposta é já ia fechar a porta quando ele pós a mão na abertura impedindo .

— A gente ainda não acabou a conversa, senhorita Cassandra. — A forma como ele pronunciou o meu nome me arrepiou toda.

— Sobre quê o senhor quer conversar comigo? Não demora muito, porque graças a um homem machista e babaca que inventou uma política arcaica e xenofibica eu tenho que procurar outras vagas de emprego. — Ele soltou uma gargalhada alta.

— Você é bem engraçadinha... fez curso de humorista? — soltei um sorriso escárnio cheio de incredulidade. Esse homem estava realmente rindo do que eu acabei de dizer? — Onde está escrito que é uma política machista?

— Se o senhor não veio dizer nada importante podes ir embora. Eu peço desculpas por entrar na sua sala daquela maneira .

— Falta você se desculpar por outra coisa.

— Que outra coisa?

— Sério que você vai fingir que não lembra de mim, coelhinha. — confidenciou ou meu ouvido, fazendo todos os pelos do meu corpo se arrepiarem. — Você já fugiu de mim duas vezes, eu não vou deixar você escapar uma terceira .

— Segundo o artigo 15 da Lei Dos Direitos Humanos de Nova York eu posso entender isso como assédio sexual.

— Você é marrenta mesmo. Perfeito visto que eu não me deixo intimidar. Já agora podes deixar de procurar emprego, eu tenho uma vaga para você lá na firma já que gostas tanto de citar os artigos da nossa constituição.

— Ah, quem você pensa que é ?

— Aparentemente o seu chefe.

— seu...

— Eu vou ficar te esperando amanhã, coelhinha — acenou antes de subir em um carro cinza escuro.

— Vai ficar esperando!

Como pode? O meu azar não tem limites por acaso?

Eu entrei em casa com o coração batendo rápido demais, ainda ao lado da porta escorreguei por ela até chagar ao chão. Ele veio até a minha casa e pior — ele lembra de mim.

— Ele lembra de mim! — exclamei baixo.

Por que o facto dele lembrar de mim faz meu coração bater desse jeito ?

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