Miguel não dormiu naquela noite.
Ficou sentado na beirada da cama por um tempo que ele mesmo perdeu a conta, os cotovelos apoiados nos joelhos, o olhar perdido em algum ponto fixo que ele nem enxergava direito. O quarto ainda carregava o cheiro dela, a lembrança dela, a presença recente demais pra ser ignorada, e aquilo só deixava tudo mais claro de um jeito incômodo: não era mais só desejo, não era mais só impulso, não era mais algo que ele podia controlar ou encaixar na rotina como se fosse u