POV: SORAYA
Não vi o movimento exato. Em um piscar de olhos, a mão dele atravessou o abdômen do soldado como se fosse papel. O homem arregalou os olhos, soltou um gemido abafado e caiu de joelhos devagar, bem na minha frente, o sangue escorrendo pelo chão.
Arregalei os olhos, surpresa, mas não horrorizada. Não com ele. Samael puxou a mão de volta com calma, limpando os dedos no ar como se nada tivesse acontecido, e se aproximou de mim. Perto demais. O calor do corpo dele me envolveu imediatamente, aquele cheiro pecaminoso, picante e inebriante que sempre bagunçava minha cabeça.
— Tarde demais... Minha Sol — sussurrou ele, a voz baixa e sedutora, roçando direto no meu ouvido. Seus lábios quase tocaram a minha orelha, quentes, e eu senti um arrepio descer pelo pescoço até os ombros.
Seus dedos, ainda quentes do sangue, deslizaram pelo meu braço nu, pressionando a pele com firmeza possessiva, traçando uma linha lenta do cotovelo até o pulso. Cada pressão enviava uma onda de calor direto