O corpo dele ficou rígido, o desconforto evidente. Ele desviou o olhar por um instante, depois pigarreou, tentando disfarçar o embaraço.
— Você... está com a memória ruim? — perguntou com cautela, medindo cada palavra.
Mia piscou rápido, o coração acelerado.
— Sim, é isso. — respondeu depressa. — Minha memória... está ruim. — Leva a mão à cabeça, simulando dor, tentando dar veracidade à mentira.
O teatro pareceu funcionar. A expressão de Oliver suavizou, e ele se aproximou com cuidado. Pegou o estetoscópio do pescoço e o pendurou de lado, inclinando-se sobre ela.
— Deixe-me ver... — murmurou.
Ele acendeu a pequena lanterna e examinou os olhos dela, movendo a luz de um lado para o outro. O olhar concentrado, a testa franzida, o tom de voz carregado de preocupação genuína.
— É normal perder parte da memória após um trauma — disse, finalmente, em tom baixo. — O corpo reage tentando se proteger.
Mia apenas assentiu, grata por aquela explicação servir de escudo.
Oliver gu